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Frei Johannes dá as boas-vindas a todos
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Banner comemorativo afixado na frente do Convento de São Francisco |
Por Aguinaldo Ap. Campos, especial para este site
São Paulo (SP) - Ainda não eram 10:30 horas, horário marcado para o início da missa que celebraria o terceiro ano de desenvolvimento do Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase, e a igreja do Convento de São Francisco já estava lotada, no domingo, 30/03/2008: parceiros do Projeto, como a Sra. Birgit Sauer, da Sociedade Cruz de Malta; profissionais da área de saúde: Dra. Vânia Lúcia Siervi Manso e o ortopedista Christian Eller, sem esquecer das médicas residentes em Dermatologia do Hospital Ipiranga e os representantes do MORHAN, o Movimento de Reintegração das pessoas atingidas pela Hanseníase.
Muitos fiéis, curiosos, aguardavam o início da celebração e as crianças da catequese mostravam-se intrigadas com a cerimônia, diferente, nesse dia.
O cântico de entrada anunciava festivamente o modo franciscano de lidar com essa doença tão antiga e por muitos ainda ignorada e, ao mesmo tempo, temida.
Frei Johannes Bahlmann, animador do Projeto pela Eliminação da Hanseníase, deu as boas-vindas aos convidados, aos fiéis e às crianças dizendo que havia muito o que comemorar mas que a disposição em acolher e cuidar dos irmãos hansenianos revela desafios maiores: buscar a eliminação da doença em nosso país. “Já estamos ampliando o raio de ação do nosso trabalho para fora dos limites da nossa província. Agora, começamos as ações no nordeste de Minas Gerais e contatos já foram iniciados para ajudarmos no norte/nordeste do Brasil. É preciso aumentar cada vez mais a capacidade de atendimento àqueles que precisam, oferecendo o que podemos com desprendimento e amor fraterno”.
Alcançando os pequeninos
A liturgia deu o tom comemorativo com leituras especialmente escolhidas relatando passagens da cura do leproso por Jesus Cristo e também o célebre encontro com o leproso que modificou a vida do jovem Francisco de Assis, hoje o santo mais conhecido da Igreja Católica.
Frei Johannes fez questão de falar para as crianças da catequese que estavam presentes. Envolveu a todos falando de forma simples e clara ao abordar um tema delicado como a Hanseníase. Lembrou o forte estigma que sempre acompanhou os hansenianos, reforçando a idéia de que hoje o foco está na prevenção para a cura da doença. Esse é o propósito do Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase: levar informação para a detecção precoce e tratamento.
O Reconhecimento pelo trabalho com os hansenianos
Frei Johannes fez questão de destacar a presença da Dra. Vânia Siervi Manso, que foi agraciada com o primeiro lugar, por seu trabalho “Polineuropatia Axonal Sensitivo-Motora Complicada com Hanseníase e Pelagra”, na cidade de Hyderabad, na Índia, em janeiro último. Também destacou o trabalho do Dr. Christian Eller, especialista em ortopedia para casos de Hanseníase.
Chamada a fazer seu pronunciamento, a Dra. Vânia Lúcia Siervi Manso falou da satisfação pelo recebimento do prêmio, por seu trabalho, na Índia. Mostrou sua preocupação pela formação dos estudantes de medicina, na área de dermatologia, que não estão sendo suficientemente preparados para o diagnóstico da doença e o prejuízo que isso causa aos afetados pelo bacilo de Hansen. E lembrou: “A vaidade terá de ser deixada de lado; é preciso trabalhar em equipe, com união, para chegarmos ao nosso objetivo: a eliminação da Hanseníase. Esse é um compromisso de todos, não só da área médica, mas de toda a sociedade brasileira”. Ao despedir-se, a médica fez questão de parabenizar Frei Johannes Bahlmann pelo empenho diante do Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase que tem cumprido um papel importantíssimo como elo de ligação entre os pacientes e os serviços de saúde, na função de levar a informação para o diagnóstico precoce da doença.
O Dr. Christian Eller também falou sobre sua experiência atendendo pessoas com problemas ortopédicos decorrentes da Hanseníase, no intuito de evitar o aparecimento de incapacidades e reintegrá-las socialmente. Dirigiu, ao final, um elogio aos franciscanos por sua contribuição na tentativa de ajudar no controle da doença.
Em seu testemunho, a senhora Leide Masson, do MORHAN, portadora de Hanseníase, falou da satisfação pela participação naquele momento de ação de graças, mas chamou a atenção para a urgência de apoio contínuo às necessidades dos doentes que apresentam seqüelas, bem como, para a necessidade de formação dos profissionais de saúde que deveriam ser especializados para o diagnóstico precoce.
Residentes ajudam nos exames de suspeição diagnóstica
Após a celebração, a Dra. Vânia e as médicas residentes do Hospital Ipiranga prestaram atendimento, até às 16:00 horas, aos fiéis que passaram pelo Convento de São Francisco instigados pela divulgação do evento. As residentes faziam um levantamento, pré-diagnóstico, e encaminhavam as pessoas com suspeita de Hanseníase para o “exame de suspeição”, com a Dra. Vânia. “Há algum tempo me sinto incomodado com umas manchas brancas que tenho pelo corpo. Até hoje nenhum dermatologista descobriu o que é, e quando ouvi o Frei falar da Hanseníase na missa, resolvi passar com a médica só para me certificar. Eu não fazia idéia de que essa doença ainda existisse.”, dizia o senhor Nilton Claes Ferreira, um dos fiéis, juntamente com a esposa e a filha, atendidos pelas médicas. Ele também reconheceu a importância do trabalho desenvolvido pelo Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase levando informação e conscientização: “Só quando alguém fala sobre alguma doença é que a gente dá atenção”.
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