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       São Paulo, 13/02/2012, 08:01          
 

                Ministério da Saúde
convida Projeto do
Sefras para encontro

  O secretário de estado da Saúde de PE abre o encontro

  Grupo de frevo da Hanseníase

  Grupo de frevo da Hanseníase

Por Aguinaldo Ap. Campos, especial para este site

Aconteceu em Recife (PE), de 19 a 21 de maio, a “Oficina de Comunicação e Educação Macrorregional Nordeste, do Programa Nacional de Controle da Hanseníase (PNCH), promovido pelo Ministério da Saúde. O Secretário de Estado da Saúde de Pernambuco, Jorge Gomes, abriu o encontro falando das ações desenvolvidas pelo Governo do Estado, reconhecendo que Pernambuco ainda é o líder da região em casos notificados (3.000), demonstrando desejo de colaborar para que a doença seja controlada no estado. A Coordenadora Estadual de Dermatologia Sanitária da Secretaria de Estado da Saúde de PE, Andréa Torres Ferreira, falou do perfil epidemiológico no estado de Pernambuco, dando ênfase às ações culturais desenvolvidas para o combate à Hanseníase, como a literatura de cordel, xilogravuras, teatro de fantoches, apresentações de passistas de frevo, criação de paródias, raps, apresentação de pernas-de-pau, teatro, etc.
           
Segundo a Coordenadora Municipal de Dermatologia Sanitária de Recife, Milde do Rego Barros A. Cavaçcante, não se pode pensar que apenas os PSF (Programa de Saúde da Família) devem estar preparados para o atendimento da Hanseníase: “Todos devem estar capacitados: as Unidades de Referência e as Unidades Básicas de Saúde”, observou.
Demonstrando experiência de anos no trabalho de combate à doença, a Coordenadora do Programa Nacional de Controle da Hanseníase do Ministério da Saúde, Dra. Maria Leide Wan-Del-Rey de Oliveira, traçou um panorama das ações desenvolvidas pelo Ministério da Saúde em relação à Hanseníase, no país. Disse que é necessário traçar um plano de ações 2008/2011, no sentido de buscar o controle da Hanseníase. “É preciso criar a cultura de diagnóstico de vigilância sanitária em Hanseníase e acabar com a metodologia de detecção por 10.000 habitantes já que precisamos comparar a Hanseníase com outras doenças também. É mais plausível o indicador de 100.000 habitantes porque assim se padroniza as medições. Uma nova abordagem começará a ser feita tendo esse novo indicativo e, a partir daí, uma reordenação dos planos estaduais entrará em curso”, disse a médica.

Ações de Comunicação & Educação em Hanseníase para o Nordeste
O encontro procurou pensar as ações que poderão ser desenvolvidas nas regiões do nordeste, em “Comunicação e Educação”, para incentivar a detecção precoce da doença e facilitar o desenvolvimento do tratamento, evitando seqüelas ao paciente. Diversas foram as apresentações de trabalhos desenvolvidos nas regiões ali representadas por coordenadores regionais de controle da Hanseníase numa tentativa de partilhar as experiências e encontrar soluções para a continuidade dos trabalhos.

O senhor Gildo Bernardo da Silva, do MORHAN de Pernambuco, foi chamado a dar seu testemunho e começou dizendo que é preciso fazer uma campanha para o combate à “Hanseníase Neural”, aquela que se apresenta sem manchas. Criticou o ensino oferecido aos profissionais de saúde, bem como, a falta de interesse dos estudantes da área. “Eu sou um exemplo e vítima desse descaso. Se tivessem feito o meu diagnóstico correta e rapidamente eu, hoje, não teria seqüelas”. Observou ainda que existe preconceito por parte dos médicos, tanto da rede pública quanto da privada de saúde. “É preciso acabar com isso, fazer uma campanha de conscientização para os profissionais que lidam com o doente de Hanseníase”, finalizou.
           
Representando o Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase, o Coordenador de Projetos Educacionais, Aguinaldo Ap. Campos, relatou que o dado mais significativo da participação nesse aprendizado em “Comunicação e Educação em Saúde” foi a percepção de que a multiplicidade dos discursos dos participantes convergiram para um mesmo fim. E completou: “Há um desafio em relação a isso: não permitir que apenas uma opinião se “cristalize”, nem tomar o assunto como “propriedade intelectual”, mas perceber que a educação se faz em processo, de forma continuada, necessitando de mecanismos de avaliação e controle, o que requer flexibilidade para a aceitação das idéias dos outros, que se misturarão às originais (“múltiplos discursos”) formando um novo modo de pensar o trabalho com a Hanseníase”. Houve oportunidade para análise dos materiais utilizados em campanhas de combate à Hanseníase. Após plenária, os grupos foram unânimes na percepção dos mais diversos problemas em relação ao material produzido para esse fim, percebendo a necessidade de organização e planejamento prévios.

Raquel Galiciolli, da GRS/Diamantina-MG, disse que gostaria de fazer menção à participação dos franciscanos: “O governo, nós, das secretarias de saúde, sempre vamos atrás das parcerias, procuramos quem nos ajude na tentativa de conseguir os melhores resultados para a divulgação, e mesmo no trabalho direto de controle da Hanseníase, e os franciscanos vêm na “contramão” da atuação dos parceiros. É muito legal porque eles se ofereceram, invertendo essa tendência. Isso é muito louvável e eu gostaria de registrar aqui”. Ao final do encontro, ficou definida a criação de um fórum sobre Hanseníase, na Internet, que será coordenado pelos três integrantes do MORHAN: Maria Thereza M. C. Rezende, Raphaela Delmontes e Paulo Roberto P. Pinto. A noite já caía quando os participantes do encontro começaram as despedidas, em meio a uma apresentação do Frevo Pernambucano, com letras das músicas contendo a temática da Hanseníase, dançarinos caracterizados e banda.

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