Untitled Document
Provincia Fraternidades Carisma Sefras SAV Missões Multimidia
       São Paulo, 13/02/2012, 08:14          
 

                Associação Paulista de Medicina ajuda na conscientização para a detecção da Hanseníase

  Dra. Vânia entre Solange e Irmã Inês, do Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase, após a reunião na APM

Por Aguinaldo Ap. Campos, especial para este site

São Paulo (SP) - O senso comum, quando se fala dos profissionais da área de saúde, revela a idéia de que a classe médica, pelo “status” de que desfruta, é bem formada e preparada para o enfrentamento das complicadas situações no atendimento, sobretudo, aos mais necessitados. Na prática, porém, muitos médicos mostram-se despreparados para fazer diagnósticos precisos o que, em muitos casos, pode significar a diferença entre proporcionar bem-estar e qualidade de vida ou sofrimento até o alcance do diagnóstico correto. Isso sem falar na possibilidade de agravamento da situação do paciente ou até mesmo um destino pior.

Preocupada com o despreparo dos médicos para a suspeição diagnóstica  da Hanseníase, a Dra. Vânia Lúcia Siervi Manso foi recebida pelo Secretário Geral da APM (Associação Paulista de Medicina), Dr. Ruy Yukimatsu Tanigawa, na quinta-feira, 10/04/08, para falar da necessidade de informar a classe médica sobre o problema: “O que me preocupa é a semelhança dos sinais e sintomas da Hanseníase com outras doenças, então, há necessidade do conhecimento de todos os especialistas, não devendo ficar restrita só à saúde pública”, alertava.

Dr. Ruy quis saber se os médicos estão, de fato, preparados para lidar com os pacientes suspeitos de portarem Hanseníase para pensar a melhor forma de ajuda por parte da APM. Em resposta, a senhora Zenaide Lazara Lessa ( Pesquisadora Científica e Educadora de Saúde Pública, Membro do Conselho Consultor da Fundação Paulista Contra a Hanseníase ) mostrou uma pesquisa feita no estado de São Paulo, apresentada no “10º Congresso Nacional de Hanseníase – 2005” (“O caminho para o diagnóstico da Hanseníase: a história recontada”. Lessa, ZL e col.-2003): o que mais chamou a atenção, entre outros aspectos, foi que” O tempo decorrido entre a primeira consulta e a confirmação do diagnóstico da Hanseníase variou de até 5 meses a 6 anos (para 42% dos atendidos) e para 9,6% dos pacientes demorou 14 anos ou mais”. Com base nesses dados, ela observou que as faculdades de medicina não têm dado a devida atenção ao estudo da Hanseníase e que os alunos também não demonstram interesse. “A área cosmética é mais rentável!”, comentou.

O trabalho científico do Professor Dr. Joel Lastória, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP (Hanseníase: realidade no seu diagnóstico clínico) também foi mencionado, uma vez que demonstra a preocupação com o elevado número de casos levantados em que houve falhas diagnósticas, concluindo que há necessidade de uma maior atenção na formação e treinamento dos profissionais de saúde.

A liderança em um “ranking” que ninguém quer

O fato de o Brasil ocupar o 2º lugar, no mundo, em casos de Hanseníase e o governo federal já ter admitido que a doença foi negligenciada, instigam os profissionais como a Dra. Vânia que, baseada na sua prática diária e nos trabalhos referidos anteriormente, ressaltou que, por ser uma doença complexa, altamente incapacitante, de caráter multidisciplinar, a Hanseníase deveria ser abordada continuamente nas diversas disciplinas da faculdade médica e posteriormente na residência médica, não só na área da dermatologia, mas também na anatomia, semiologia, neurologia, ortopedia, reumatologia, etc. Assim, o profissional se formaria apto a suspeitar da doença, colocando-a como diagnóstico diferencial de outras patologias, ou seja, seria uma doença constantemente lembrada. E complementou com outro dado: “Hoje a grande preocupação do Ministério da Saúde, por meio do “Programa Nacional de Controle da Hanseníase”, está centrada na detecção de casos em menores de 15 anos, devido à elevação no número de casos novos nesta faixa etária (cerca de 8%). No meu ponto de vista, é imperiosa, então, a participação dos colegas pediatras”, ponderou a especialista. Disse ainda que iniciativas como a dos franciscanos, por meio do Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase, têm ajudado muito, levando informação para a detecção precoce da doença. Observou que essa iniciativa tem conseguido conscientizar as pessoas sobre a doença, pois o projeto vai ao encontro delas por meio de missas, grupos de oração, pastorais as mais diversas e também alcança as crianças, nas escolas, que, por sua vez, levam as informações para casa. Tudo isso, acaba resultando em uma procura por diagnóstico nos postos de saúde, daí a preocupação em ter profissionais bem treinados para fazer os exames de suspeição da doença.

Percebendo a amplitude do problema, Dr. Ruy quis saber como estava a Hanseníase nas periferias e a Dra. Vânia respondeu que “Há vários fatores determinantes na manutenção da endemia, sendo o mais relevante a migração das pessoas dos estados hiperendêmicos da Hanseníase que, muitas vezes, desconhecem a doença.”, concluiu.

Ao final do encontro, o Secretário Geral da APM ponderou sobre a falta de conhecimento dos médicos em relação à Hanseníase: “Isso não será corrigido tão fácil, nem tão cedo. Os colegas estão prontos para diagnosticar coisas imediatas como enfarto, por exemplo, mas podemos contribuir de alguma forma, levando informação sobre a Hanseníase por meio da “Revista da APM”, que tem bom alcance entre a classe”. Ele também ofereceu o espaço da APM para eventos relacionados à hanseníase.

| VOLTAR |