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Por Aguinaldo Ap. Campos, especial para este site
São Paulo (SP) - Quem nunca imaginou como poderia ser uma visita a uma colônia de hansenianos? O imaginário popular, povoado de fantasias e idéias formadas a partir daquilo que se ouviu dizer, costuma restringir esses locais a prédios, com algumas alamedas arborizadas, cercados por altos muros e seguranças nos portões. Podia ser assim. Podia ter sido assim.
Quando se chega à Colônia Santa Isabel, Citrolândia, bairro de Betim, na grande Belo Horizonte, a sensação que se tem é a de entrar em um bairro. Nada lembra as construções tradicionais das colônias que abrigavam os portadores de Hanseníase. Não há muros, muito menos seguranças, pois não há necessidade de muros, nem de portões. O bairro foi se criando e expandindo em torno das casas dos doentes, misturando-se a elas, igualando-se. O hospital que cuidava dos doentes, hoje, é um local de referência para o atendimento geral das pessoas de toda a região que buscam por auxílio médico. Santa Isabel é um bairro que lembra as antigas cidadezinhas do interior: lá, as crianças jogam bola na rua, correm atrás dos pipas e ainda jogam bolinhas de gude.
A casa dos frades da Província de Santa Cruz, que sempre foram os guardiões da colônia com extremo zelo e cuidado para com os doentes, mistura-se às outras pela simplicidade. Mas continua sendo a referência para os moradores hansenianos. Logo na entrada, os símbolos franciscanos nos recebem dando a boa-acolhida .
Nesse ambiente de tranqüilidade e receptividade, os frades Gilberto Teixeira da Silveira (Vigário Provincial e Presidente da FFB de Minas Gerais), Frei Pedro Paulo Chiaretti (Pároco) e Frei Eliseu Tijdink receberam a Coordenadora Estadual de Dermatologia Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, Dra. Maria Aparecida de Faria Grossi e Aguinaldo Ap. Campos (Educador do Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase), no último dia 09/05, para os acertos que definiriam a celebração para o lançamento do Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase em Minas Gerais. Essa celebração marcará o início das ações concretas do projeto-piloto que começou a ser desenvolvido nas Dioceses mineiras de Almenara, Araçuaí, Teófilo Otoni e Governador Valadares.
Inicialmente, a celebração ocorreria em Santa Isabel. Frei Gilberto ponderou que o lançamento ali seria muito importante simbolicamente pela luta dos hansenianos: “Eles estão socializados, inseridos em uma comunidade de 40.000 pessoas, e não mais segregados, sendo que essa vida comunitária é prova dessa transformação”. No entanto, a Dra. Maria Aparecida não considerou estratégico lançar a campanha lá. “É necessário desvincular a imagem de reclusão que as pessoas ainda têm das colônias, mostrar que, hoje, o doente está em todos os lugares”. Ela continuou argumentando que a colônia não tem a ver com Hanseníase, mas com a história que está no imaginário das pessoas. Relatou que o controle da doença em Minas Gerais está sendo muito bem sucedido e que, justamente por isso, é preciso desvincular da imagem da colônia, mostrando que o isolamento não existe mais, que o tratamento é realizado nos postos de saúde, PSF (Programa de Saúde da Família), sem, no entanto, esquecer a história, a função que a colônia exerceu.
Frei Eliseu confessou que havia questionado se a colônia seria o melhor local para o lançamento do Projeto pois também acha que se deve desconectar do contexto Hanseníase/Colônia, “Até para que se evite um choque com os que aqui residem, trazendo uma nova mensagem, uma abordagem diferente, positiva em relação ao assunto”. Ele se disse preocupado com a reação dos moradores com o lançamento desse tipo de evento, que acabaria resgatando a idéia de Colônia no bairro.
Dra. Maria Aparecida aproveitou o raciocínio levantado por Frei Eliseu para dizer que a beleza desse Projeto e seu alcance está nessa desvinculação em relação à segregação e o foco na socialização do doente. Falou da importância de envolver a todos, sobretudo, os irmãos franciscanos de todas as famílias e a imprensa, insistindo que hoje o doente está nas igrejas, nos grupos de trabalho, nas mais diversas ações cotidianas, não mais nas colônias. Ela sugeriu, então, a Igreja de São Francisco de Assis, em Belo Horizonte, para a realização do evento.
Frei Gilberto observou a importância de contatar o Arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor, sendo apoiado por todos.
Ao final do encontro, Frei Gilberto julgou melhor marcar a data, para a realização da celebração, após a apresentação do Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase que ele fará ao Definitório da Província de Santa Cruz, em São João Del Rei. |