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       São Paulo, 13/02/2012, 08:21          
 

                Curiosidade marca
apresentação da equipe
da Hanseníase para a FFB
Por Aguinaldo Ap. Campos, especial para este site

São Paulo (SP) - Todos os anos, com a proximidade dos festejos de São Francisco de Assis, a Família Franciscana do Brasil (associação que tem como missão a união dos mais diversos ramos religiosos nascidos da experiência do santo italiano e de Santa Clara de Assis) reúne-se para um momento comum de vivência, posicionamento e reflexão do carisma franciscano.

Às vésperas da celebração dos 800 anos da aprovação da regra de vida proposta por São Francisco, a FFB propõe uma volta às origens, às fontes franciscanas, para nortear os caminhos que com vigor devem ser trilhados à sombra desses ensinamentos cada vez mais necessários na vivência de uma sociedade educada pela cultura do consumo, da promoção da auto-imagem, da busca pelo poder e posição que a boa situação econômica pode proporcionar.

Recebidos ao final do encontro, no início da tarde de 18/05/08, os representantes do Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase, Frei Johannes Bahlmann, Irmã Inês Camargo e Solange Amador falaram para aproximadamente 80 religiosos e religiosas interessados em conhecer o trabalho desenvolvido pela Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil no combate à Hanseníase.

A equipe tinha como objetivo despertar a Família Franciscana para a importância da temática do Projeto e sua atualidade, uma vez que retoma um ponto crucial do carisma fransciscano no cuidado com os hansenianos, a fim de conseguir um posicionamento no sentido de adesão aos trabalhos nos locais em que cada membro da FFB atua.

Irmã Inês Camargo fez a introdução, apresentando o Projeto para os religiosos. Em seguida, Frei Johannes Bahlmann explicou que o trabalho surgiu a partir de um questionamento do Ministro Provincial, Frei Augusto Koenig, preocupado com o posicionamento que os frades deveriam ter em relação ao assunto. Mencionou que o Projeto da Hanseníase é, portanto, Provincial, ligado ao SEFRAS, Serviço Franciscano de Solidariedade mas que as ações desenvolvidas nos últimos 3 anos têm feito com que se tornasse conhecido fora dos limites da Província da Imaculada Conceição do Brasil, atraindo a atenção das Coordenadorias Estaduais de Controle da Hanseníase e do Ministério da Saúde, bem como de Bispos interessados em sua implantação nas Dioceses. “O Governador do Acre e o Senador Tião Viana nos convidaram para ir ao Acre apresentar o Projeto para eles. É mais uma frente de trabalho que se anuncia, agora, no extremo norte do país. Precisamos ajudar os irmãos hansenianos de lá também.”, concluiu.

A Assistente Social do Projeto, Solange Amador, falou sobre a Hanseníase propriamente dita, explicando os sinais e sintomas da doença, além de reforçar os objetivos e as atividades que podem ser desenvolvidas para o andamento do Projeto.

O pronunciamento de Solange despertou a curiosidade dos participantes que queriam mais detalhes sobre a doença, o modo de transmissão, o estigma que a acompanha, entre outras coisas. Maior interesse despertou a afirmação de que “a Hanseníase pode se confundir com outras doenças, por isso, é preciso fazer o exame de suspeição para se ter um diagnóstico correto.”, alertou. Fato mais curioso, que não escapou à atenção da equipe, foi a percepção da reação dos ouvintes: muitos olhavam os braços e pernas à procura de manchas ou sinais, intrigados pela explicação da doença. Histórias também começaram a ser relatadas, verdadeiros testemunhos que dão conta do muito que ainda há por fazer no combate à Hanseníase.

Algumas pessoas da platéia fizeram questão de pontuar que a Província da Imaculada Conceição do Brasil é a única a pensar em um trabalho tendo essa temática como foco e que isso merece registro e menções elogiosas. Mencionaram que é preciso realmente resgatar essa idéia pois vai de encontro às fontes do franciscanismo em um momento de resgate histórico do carisma diante de uma realidade em que a doença se agrava em nosso país.

A atenção aos moradores de rua
Interessante também, não menos curioso, foi o desejo de saber sobre o atendimento prestado aos moradores de rua pelos albergues do SEFRAS. “Ouve-se dizer que vocês não fazem o atendimento integral, apenas deixam o usuário dormir e, no dia seguinte, mandam-no embora”, relatou um participante do encontro.
Solange explicou que o SEFRAS atua de acordo com os preceitos da “Política Nacional de Assistência Social”, que define o atendimento às pessoas em situação de rua como serviço de “Proteção Social Especial de Alta Complexidade”, proporcionando moradia, alimentação, higienização para essas pessoas que se encontram sem referência ou mesmo que estejam em situação de ameaça, necessitando de apoio para uma reestruturação social. A Assistente Social pôde demonstrar o funcionamento dos preceitos dessa Política em relação às atividades desenvolvidas nos albergues do SEFRAS que “vão além do proposto pelas definições da Política do PNAS.”, arrematou. Os participantes que haviam levantado esse questionamento ficaram impressionados com as explicações e sugeriram que o SEFRAS divulgue essas ações uma vez que também fazem parte do resgate do carisma franciscano.
Esse acontecimento, ao final do encontro, trouxe à tona um dado também curioso: a imagem do SEFRAS para quem está de fora dos projetos. Quando o Projeto da Hanseníase é levado a encontros como esse, é o SEFRAS que está sendo apresentado e representado, além das informações do Projeto, tanto que as pessoas logo querem saber também de outros trabalhos realizados pelo Serviço Franciscano de Solidariedade. Daí a importância de cada serviço divulgar as ações e a forma como os atendimentos são feitos proporcionando visibilidade e credibilidade ao SEFRAS.

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