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Cartaz do ILEP apresentado na Reunião Anual de Hanseníase |
Por Aguinaldo Ap. Campos, especial para este site
Brasília (DF) -Um dos grupos de estudo que se apresentou durante a última “Reunião Anual de Hanseníase/2008” falou sobre os pontos fortes e as fragilidades da descentralização das ações de vigilância em Hanseníase.
Segundo o representante da Secretaria Municipal de Saúde de Teresina/PI, Francisco Formiga, a atenção à Hanseníase está descentralizada em todas as unidades com atenção às ESF (Equipes de Saúde da Família). Ele comentou que em todas a unidades estão implantadas ações de controle, entretanto, nem todas fazem atendimento ao hanseniano. Apontou como fragilidade o fluxo de informações entre UBS (Unidades Básicas de Saúde) e Vigilância Epidemiológica, a baixa proporção de contatos examinados e o fato de os profissionais não estarem preparados para o diagnóstico.
A representante de Governador Valadares/MG, Dra. Katiuscia Cardoso Rodrigues, lembrou que sua região está mensurada no “Cluster 3” (novo sistema de amostragem de detecção por regiões), como município hiperendêmico. Disse que a rede ainda não está adequadamente conformada para o atendimento. O problema está nas UBS, ainda convencionais. Alertou para o fato de que “o médico, na zona urbana, não fica nem uma hora na unidade. É um problema muito sério”. Mencionou que na zona rural e outras, que têm agentes comunitários, há ações de controle da Hanseníase. A estratégia para descentralização “foi um pouco de tudo”, agora, fazem educação permanente, campanhas, registro de notificações, envio mensal de boletins de acompanhamento, fluxo de informações e relacionamento com Centros de Referência, etc. Dra. Katiuscia relatou que, na zona rural, uma unidade móvel faz atendimento pois lá está o “ponto nevrálgico”. “Não dá para fazer Centros de Referência porque a cidade não tem profissionais médicos”, denunciou, chamando a atenção para a falta de profissionais especializados.
Em seu pronunciamento, o representante da “Federação de Associações de Luta Contra a Hanseníase/ILEP”, Manfred Robert Gobel, fez um apanhado da atuação das diversas ONG’s que atuam no país: AIFO, DAHW, DAMIÉN, NLR, FONTILES, ALM, AFRF, ALES, LRA. Disse que o Ministério da Saúde trouxe o ILEP para o Brasil e que, em 1985, a instituição aqui chegou para acompanhar a implantação do tratamento com poliquimioterapia (PQT) em território nacional. Atualmente apóiam 6 projetos: treinamento clínico, prevenção e tratamento, prevenção de incapacidades, supervisão e educação & saúde.
Estratégias de educação permanente e formação de profissionais de saúde
Falando sobre a integração das ações de controle da Hanseníase, a Coordenadora de Minas Gerais, Dra. Maria Ap. de Faria Grossi, disse que “não basta treinar. Há algo mais que é preciso. Quando se tem um índice de 1,12 casos para cada 10.000 habitantes, com 2.218 casos novos, como é o nosso caso, ainda é a taxa de detecção que persiste. Por isso, é preciso algo mais que treinamento. Os encontros para padronização de conceitos e condutas com 80 monitores aconteceram para essa facilitação. Outra coisa: é preciso acompanhar as equipes já treinadas; é o que chamamos de supervisão.”. Ela também mencionou os cursos de graduação e pós que têm sido incentivados nessa linha.
Já a professora Ana Estela Haddad, Diretora do Departamento de Gestão da Educação na Saúde, observou que um avanço importante com a portaria nº 1996 é o fato de que os gestores passarão a contar com o financiamento federal, e regular, para a “Educação em Saúde Permanente”. Disse que é preciso garantir que os gestores repassem a verba para esse fim. Um avanço mencionado foi a constituição das Escolas Técnicas do SUS para formar profissionais, em nível médio, para a saúde, o RET-SUS (conjunto de 36 escolas técnicas integradas, trocando informações e experiências. Apenas 1 é federal, 2 municipais e 33 estaduais).
Entrando em uma nova fase de elaboração de fichas de avaliação de incapacidades para aprimorar o atendimento, o estado de Rondônia, representado pela Coordenadora, Carmelita Ribeiro de Oliveira, mostrou sua experiência na capacitação em prevenção de incapacidades físicas. “A qualidade dos treinamentos em prevenção é que vão determinar a qualidade do serviço. Não nos preocupamos somente com a prevenção mas também com a reabilitação, inclusive, a psicossocial”, explicou. Nesse sentido, ela relatou a experiência dos pacientes em alta mas fora do mercado de trabalho. A secretaria estabeleceu uma parceria com o SESI/SENAI para qualificar essas pessoas. O desafio, segundo a coordenadora, é manter a qualidade do serviço, uma vez que a rotatividade dos profissionais treinados é muito grande.
O professor Carlos Alberto Faria Rodrigues, FESP/Passos/MG, falou do treinamento das equipes dos PSF’s, feito à distância, em “projeto-piloto” que consiste de duas etapas: treinamento “on-line”, em que o participante recebe um disco e participa da sala, das provas, dos fóruns; depois desse mês, há o treinamento presencial, inicialmente, para médicos e enfermeiros dos PSF’s. Mencionou que o desafio é a sensibilização dos médicos e gestores municipais, principalmente. “O maior desafio está na participação dos médicos que dizem não ter tempo. É preciso cobrar, então, dos gestores a presença e interesse dos médicos”, concluiu.
Ficou patente, ao final dos debates, a importância da descentralização das ações de vigilância e assistência para o bom atendimento aos hansenianos, bem como, a formação técnica dos profissionais de saúde. E ficou o alerta, pontuado na fala de praticamente todos os especialistas: é preciso que os gestores criem meios para a manutenção dos profissionais treinados nos locais de origem, sem falar na necessidade de sensibilização e participação dos mesmos nos cursos de formação técnica disponibilizados pelo Ministério da Saúde. |