Untitled Document
Provincia Fraternidades Carisma Sefras SAV Missões Multimidia
       São Paulo, 13/02/2012, 08:14          
 

            Projeto é convidado pelo
Ministério da Saúde para
participar de Painel
Da esquerda para a direita: Marli Araújo, Aguinaldo Campos, Artur Sousa, Maria Conceição Magalhães, Eliana Santos,Marizete Puppin e Zilda Borges

Por Aguinaldo Ap. Campos, especial para este site

Brasília (DF) -
No dia 03 de julho de 2008, durante a “Reunião Anual de Hanseníase/2008”, promovida pelo Ministério da Saúde, aconteceu a apresentação do Painel “Comunicação, Educação em Saúde e Mobilização Social: experiências estaduais e de órgãos não governamentais”. Nesta sessão, o Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase, da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, foi apresentado. O objetivo do Ministério da Saúde era mostrar aos participantes da “Reunião Anual de Hanseníase” as atividades exitosas realizadas com o intuito de controlar a doença.

A Pastoral da Criança, por exemplo, por meio de seu Coordenador Nacional, Padre Ademar Rover, disse que colabora com a eliminação da Hanseníase de maneira concentrada e mobilizada nos municípios com muitos casos da doença, aqueles considerados prioritários. Segundo ele, a meta é capacitar todos os líderes dos setores (Dioceses) que contam com pelo menos um município prioritário. Mas ressaltou que “o esforço para identificar os casos de Hanseníase deve começar na família e na comunidade.”. Ele também apresentou 6 estados prioritários: Maranhão, Mato Grosso, Pará, Piauí, Rondônia e Tocantins. Padre Ademar falou ainda dos resultados obtidos pela Pastoral no ano de 2007 surpreendendo os presentes com a boa penetração nas 1649 comunidades em que atua. Nessas localidades foram encontradas 702 pessoas com a confirmação da doença.

A ONG GAMAH (Grupo de Apoio às Mulheres Atingidas pela Hanseníase) foi representada por Marli Araújo que explicou o surgimento da organização na rotina dos encontros nas salas de espera de atendimento do Hospital Universitário de Brasília (HUB), visando à troca de experiências dos atingidos pela Hanseníase. “São histórias marcadas pela depressão e privações”, continuou, mostrando que a falta de perspectivas serviu para mobilizar as pacientes mais antigas a partilharem seus esforços com as mais novas formando um grupo de ajuda mútua. Esse espaço de convivência privilegia conversas sobre a doença, as diferenças de tratamento e o pós-cura, as dificuldades em lidar com as reações e o acolhimento da demanda pós-alta no Serviço de Saúde, bem como, a humanização no atendimento ao hanseniano. “A maioria das seqüelas aparecem depois da cura. É difícil para os atingidos entenderem, ainda mais para a mulher porque mexe com a vaidade: há o aumento do peso, alterações no corpo pela corticoterapia.”. O grupo trabalha com oficinas artesanais cujo resultado reverte para os participantes.

O Presidente do MORHAN (Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase), Artur Custódio Moreira de Sousa, falou da participação enquanto movimento social em diversas ações: Comitê de Mobilização da Rubéola, Plenárias de Conselhos, CNS, Direitos Humanos, Teatro/SGP e o Encontro Nacional de Jovens (Siron Franco, Frente Parlamentar)/SVS. Também mencionou os prêmios recebidos pelo MORHAN: em dezembro/2007: Direitos Humanos; em junho/2008: OMS e junho/2008: TOP 10 de Responsabilidade Social.  Enfatizou que o movimento está centrado na articulação para a reabilitação, além da ampliação de esforços para que os doentes recebam a indenização vitalícia aprovada pelo Decreto Lei 6.168. O diretor do Hospital Santa Isabel, em Betim/Mg, Dr. Getúlio, reforçou que “a movimentação no sentido de conseguir as pensões tem partido do movimento social mas se trata de uma ação governamental. Então, os coordenadores estaduais aqui presentes deveriam ajudar nessa reivindicação.”. Artur lembrou também a importância que o caminhão do MORHAN tem desempenhado ao visitar locais em que os profissionais de saúde não chegam, levando a oportunidade de diagnóstico e tratamento às pessoas em áreas de difícil acesso. “Também por isso é preciso discutir a questão da reabilitação”, insistiu.

Em seguida, Zilda Borges falou sobre a Associação Internacional para Integração, Dignidade e Avanço Econômico/IDEA. Disse que se trata de um trabalho de orientação e acompanhamento psicológico para as pessoas atingidas pela Hanseníase e Tuberculose. “Os grupos trabalham basicamente a identificação de problemas em sistema de “mutirão de soluções””, explicou. Há ainda a preocupação com a formação permanente de futuros profissionais, com a população da comunidade e com as próprias pessoas afetadas pela Hanseníase.

Apresentação do Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase atrai a atenção de especialistas

Convidado a participar da mesa que compunha o Painel, o Coordenador Educacional do Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase, Aguinaldo Ap. Campos, falou um pouco sobre a origem dos franciscanos enquanto Congregação Religiosa, pertencente à Igreja Católica Apostólica Romana, sua estruturação em Províncias e o raio de alcance delas. Explicou a organização da Províncias Franciscanas e das Dioceses para exemplificar o alcance do Projeto. Em seguida, passou à apresentação do mesmo: sua origem, inspiração no carisma franciscano, a partir do encontro que São Francisco teve com um leproso, na Idade Média, e que marcou definitivamente sua conversão. Em seguida, explicitou os objetivos gerais e específicos que se baseiam na informação para prevenção por meio de exames de suspeição da doença. Também foram apresentadas as metodologias de aplicação do Projeto, uma vez que ele se desenvolve provincial e extraprovincialmente, ou seja, tem uma aplicação nas obras sociais desenvolvidas pela Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, por meio do SEFRAS (Serviço Franciscano de Solidariedade), e nas paróquias das Dioceses por meio das mais diversas pastorais, grupos de oração e serviços. Assim, o Projeto se desenvolve utilizando os voluntários já existentes, bem como, a rede instalada na Província e Dioceses, como instalações, rádios, TV’s, sites, jornais, escolas, Universidades, etc. Momentos concretos de ações desenvolvidas em alguns estados foram mostrados como ilustração da forma como o Projeto tem se estruturado em alguns estados como Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, São Paulo, Acre e Maranhão.

Diversos foram os participantes da “Reunião Anual de Hanseníase” que se mostraram muito interessados em desenvolver parcerias com o Projeto em seus estados. A Coordenadora de Minas Gerais, Dra. Maria Ap. de Faria Grossi, disse estar muito satisfeita pela articulação do Projeto em Minas Gerais e que espera o início das atividades com ansiedade. “Eu, como franciscana que sou, não poderia deixar de parabenizar os franciscanos por essa iniciativa maravilhosa. Nós precisamos envolver toda a família franciscana nesse trabalho”, destacou. Ela também chamou a atenção para o acerto da região escolhida para os trabalhos em Minas, a Macrorregião Leste, que compreende as Dioceses de Almenara, Araçuaí, Teófilo Otoni e Governador Valadares. Lembrou que na época em que sugeriu a região, ainda não havia os dados levantados pelos “Clusters” (novo sistema de amostragem de detecção por regiões) mas que o trabalho desenvolvido já apontava, com segurança, na indicação da região como prioritária, o que foi comprovado agora pelo “Cluster” nº 3, que especificou justamente essa região como hiperendêmica. “Estamos apostando muito nessa parceria!”, concluiu. 

No debate que se seguiu após a apresentação, o Professor Carlos Alberto, da FESP/Passos/MG, quis saber se existe alguma ligação que possa levar o Projeto para além das instituições franciscanas, como por exemplo, os carmelitas, etc. Foi-lhe respondido que o trabalho tem uma inspiração franciscana mas que o raio de ação pretende absorver a ajuda de todos os que tenham a boa vontade de participar do controle da Hanseníase. Exemplo disso é o interesse em São Paulo de outras congregações que procuram a Coordenação do Projeto a fim de estabelecer parceria para ajudar no desenvolvimento de ações para o combate à doença. Na mesma linha de raciocínio, foi perguntado pela participante Maria Aparecida se o Projeto prevê a ampliação para todas as Igrejas Cristãs, independente da filiação à Igreja de Roma. Embora já houvesse sido respondido, de certa forma, observou-se que a mística de São Francisco ultrapassou os muros da cidade de Assis a partir do momento que a preocupação e razão de ser desse trabalho é ajudar no controle da Hanseníase. Foi lembrado que o trabalho nasceu numa entidade, a Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, que possui o Certificado de Assistência Social, de acordo com a Política Nacional de Assistência Social, embasada na Constituição de 1988, com respaldo no SUS, portanto, de portas abertas para a ampliação do projeto que visa o auxilio a todas as pessoas, independentemente de credo religioso, cor, raça, gênero, etc., reiterando a disposição de trabalho conjunto, com quem esteja disposto, para alcançar esse fim. A integrante do MORHAN-SP, Leda, mencionou a ajuda do Projeto com a cessão de material de campanha para as atividades do movimento e agradeceu pela interlocução sempre aberta.

Ao encerrar o painel, a Coordenadora Nacional do Programa de Controle da Hanseníase, Dra. Maria leide, parabenizou a todos os participantes/palestrantes da mesa, dizendo que a intenção do Ministério da Saúde era demonstrar o efeito mais que positivo das parcerias com o terceiro setor, numa tentativa de preencher as lacunas que o serviço de saúde não consegue resolver, buscando, com essas parcerias, saídas criativas para que bons resultados sejam alcançados no controle da Hanseníase.
| VOLTAR |