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28/01/2007
Coordenadora estadual elogia o projeto pela eliminação
da hanseníase
Por Moacir Beggo
VERSÃO EM ALEMÃO |
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| No alto da página,
o cartaz que faz parte da campanha com o desenho de
"Francisco e o Leproso", do pintor italiano
Piero Casentini. Na foto abaixo, com o Evangelho, a
coordenadora do Programa Estadual de Controle da Hanseníase,
Mary Lise, e Frei Johannes, coordenador do projeto franciscano. |
São Paulo(SP)
- O Dia Mundial de Combate à Hanseníase
foi marcado, neste domingo, pelo lançamento da segunda
etapa do projeto "Franciscanos
pela Eliminação da Hanseníase",
durante celebração no Convento São
Francisco, em São Paulo, presidida por Frei Johannes
Bahlmann, coordenador do projeto, e que contou com a presença
da Coordenadora Estadual do Programa de Controle da Hanseníase,
Mary Lise C. Marzliak, e de um grupo de voluntários
do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas
pela Hanseníase (Morhan).
Nesta data mundial, todas as fraternidades, paróquias
e conventos da Província Franciscana da Imaculada
Conceição do Brasil, presente em cinco estados
- ES, RJ, SP, PR e SC -, anunciaram durante as celebrações
este projeto pela eliminação da hanseníase.
Desta vez, foram confeccionados 300 mil folhetos explicativos
e milhares de cartazes dando informações de
como se pode fazer o diagnóstico precoce. "É
com grande alegria que nós, da Secretaria da Saúde,
especificamente do Programa de Controle da Hanseníase,
estamos presentes num rito pelas pessoas atingidas pela
hanseníase. É bom sermos testemunhas deste
tempo, onde realizamos, pelo menos no Brasil, ritos pelas
pessoas atingidas pela hanseníase. Gostaria de agradecer
ao convite e parabenizar este trabalho maravilhoso da Ordem
Franciscana", elogiou Mary Lise C. Marzliak, Coordenadora
Estadual do Programa de Controle da Hanseníase, lembrando
que hoje a hanseníase tem cura. "É um
tratamento de seis a doze meses, gratuito, e o mais importante:
ao perceberem uma mancha esbranquiçada ou avermelhada,
que não coça, não dói, não
arde, procure um serviço de saúde mais próximo
e aí, então, essa mancha será examinada,
para que mais cedo possamos começar a tratar e, assim,
alcançar a cura sem qualquer risco de termos incapacidades",
observou.
A coordenadora estadual destacou que em São Paulo
a doença já não é considerada
um problema de saúde pública, assim como nos
estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. "O importante
nesta fase do trabalho, onde nós eliminamos a doença
como um problema de saúde pública, é
a manutenção deste status daqui para a frente.
Ou seja, evitar que ela retorne e volte a se agravar",
esclareceu, enfatizando que para isso "a melhor ferramenta"
é a informação. "Com este projeto,
vocês estão nos ajudando a transmitir os primeiros
sinais e sintomas da doença, assim como locais de
tratamento. São braços de um valor inestimável",
completou.
O amor cura
Um dos momentos marcantes da celebração foi
o depoimento, simples e direto, de Olímpio de Freitas
Sobrinho, que é voluntário do Movimento de
Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase
(Morhan) e que hoje, aos 73 anos, esbanja saúde depois
de enfrentar a doença. "O amor ainda continua
sendo o melhor remédio para todos os males do mundo.
Desde que seja traduzido em trabalho, em ética, em
humildade. A hanseníase também se cura com
amor. Com muito amor", sentenciou, ao ser aplaudido
durante a celebração. Olímpio participa
do núcleo do Morhan Jabaquara.
A reflexão do Sr. Olímpio foi enfatizada por
Sandra Maria Pereira Ferraz, também voluntária
do Morhan, lembrando da discriminação que
cerca as pessoas atingidas pela doença. "Hoje
ainda, passados tantos séculos, vemos tanta gente
sofrendo por causa do preconceito e por causa da discriminação.
O que causa tudo isso - porque temos tratamento - é
a desinformação. As pessoas não estão
informadas sobre doença. De todas as doenças
transmissíveis que temos, a hanseníase é
uma das que menos se transmite, porque além de ela
ter tratamento e cura, 90% da pessoas são naturalmente
resistentes a ela. Então, a gente não tem
que ter medo. Tem que estender a mão às pessoas
e ajudá-las a chegarem ao tratamento. Porque isso
é o mais importante para quem foi atingido pela hanseníase",
destacou Sandra, que é enfermeira.
Para ela, o projeto franciscano merece todos os aplausos.
"Acho que a Igreja, quando ela une as pessoas atingidas
pela hanseníase, entidades e profissionais que lutam
por isso, ela dá uma contribuição que
não tem tamanho. A luta é estarmos unidos
no mesmo objetivo", emendou. Para ela, a eliminação
no Brasil seria um grande avanço para a eliminação
no mundo, já que somos o segundo país em números
totais de casos.
O Movimento tem entre suas propostas, apresentadas ao governo
Lula, a criação de um grupo de trabalho interministerial
dentro da Secretaria Especial de Direitos Humanos; a melhoria
da qualidade de vida dos moradores dos antigos hospitais-colônia;
e a criação de uma lei para os exilados da
época da polícia sanitária contra a
"lepra", como a doença era chamada até
a década de 70 do século passado. Ou seja,
aqueles que foram retirados do convívio social e
de suas famílias e isolados em colônias de
"leprosos".
O projeto dos franciscanos
Frei Johannes pediu o apoio dos presentes para o projeto.
"Gostaria que apoiassem este projeto com a sua solidariedade,
com a sua oração e também com a divulgação.
Sejam portadores deste projeto, levando-o às periferias
e a lugares onde a gente sabe que a doença existe",
frisou. "Nós realmente queremos que esta doença
seja eliminada no Brasil, para que daqui a uns anos possamos
dizer que o Brasil está livre deste estigma. Podemos
dar uma resposta digna e franciscana", completou.
Solange Monteiro Amador, assistente social, lembrou que
além do projeto trabalhar a questão da informação,
ele quer dar o apoio psico-sócio-econômico.
Ou seja, que o paciente faça o tratamento, tenha
apoio para vencer o preconceito e que ele consiga ou tenha
condições de chegar até um posto de
saúde. "A gente não pensa só em
nível de São Paulo, mas em muitas regiões
do país os hospitais ficam distantes das residências
e é de difícil acesso", informou.
Já Irmã Inês, que é franciscana,
situou a doença no tempo de São Francisco
de Assis. Lembrou do amor que o santo tinha pelos doentes
da hanseníase que viviam fora dos muros das cidades.
"Na época, não havia cura para esta doença.
Para não contaminar as pessoas, eles viviam à
margem da cidade, excluídas. Quando precisavam entrar
na cidade, usavam uma sinetinha, para avisar que estavam
se aproximando. E as pessoas sãs, entre aspas, fugiam
deles para não serem contaminadas. Ou porque fugiam
do cheiro e tinham repugnância. São Francisco,
filho de um comerciante, não era diferente. Ele tinha
repugnância para com esses irmãos que eram
excluídos. Certo dia, Francisco, tocado pela graça
de Deus, tinha no coração esta pergunta: 'Senhor,
que queres que eu faça?'. E ele decidiu a vencer
a si mesmo e ir ao encontro do leproso. Ir ao encontro daquele
que era rejeitado pela sociedade, até mesmo pela
Igreja. Francisco tomou a decisão, foi até
este chagado, beijo-o e deixou-se beijar por ele. Abraçou
e se deixou abraçar por ele. A partir desta experiência,
Francisco deixou entrar na vida dele a própria graça
de Deus. A partir daí, ele se colocou a serviço
do Evangelho, cuidando dos leprosos, de maneira muito particular",
concluiu.
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