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       São Paulo, 13/02/2012, 04:43          
 














28/01/2007

Coordenadora estadual elogia o projeto pela eliminação da hanseníase


Por Moacir Beggo

VERSÃO EM ALEMÃO
No alto da página, o cartaz que faz parte da campanha com o desenho de "Francisco e o Leproso", do pintor italiano Piero Casentini. Na foto abaixo, com o Evangelho, a coordenadora do Programa Estadual de Controle da Hanseníase, Mary Lise, e Frei Johannes, coordenador do projeto franciscano.

São Paulo(SP) - O Dia Mundial de Combate à Hanseníase foi marcado, neste domingo, pelo lançamento da segunda etapa do projeto "Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase", durante celebração no Convento São Francisco, em São Paulo, presidida por Frei Johannes Bahlmann, coordenador do projeto, e que contou com a presença da Coordenadora Estadual do Programa de Controle da Hanseníase, Mary Lise C. Marzliak, e de um grupo de voluntários do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan).

Nesta data mundial, todas as fraternidades, paróquias e conventos da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, presente em cinco estados - ES, RJ, SP, PR e SC -, anunciaram durante as celebrações este projeto pela eliminação da hanseníase. Desta vez, foram confeccionados 300 mil folhetos explicativos e milhares de cartazes dando informações de como se pode fazer o diagnóstico precoce. "É com grande alegria que nós, da Secretaria da Saúde, especificamente do Programa de Controle da Hanseníase, estamos presentes num rito pelas pessoas atingidas pela hanseníase. É bom sermos testemunhas deste tempo, onde realizamos, pelo menos no Brasil, ritos pelas pessoas atingidas pela hanseníase. Gostaria de agradecer ao convite e parabenizar este trabalho maravilhoso da Ordem Franciscana", elogiou Mary Lise C. Marzliak, Coordenadora Estadual do Programa de Controle da Hanseníase, lembrando que hoje a hanseníase tem cura. "É um tratamento de seis a doze meses, gratuito, e o mais importante: ao perceberem uma mancha esbranquiçada ou avermelhada, que não coça, não dói, não arde, procure um serviço de saúde mais próximo e aí, então, essa mancha será examinada, para que mais cedo possamos começar a tratar e, assim, alcançar a cura sem qualquer risco de termos incapacidades", observou.

A coordenadora estadual destacou que em São Paulo a doença já não é considerada um problema de saúde pública, assim como nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. "O importante nesta fase do trabalho, onde nós eliminamos a doença como um problema de saúde pública, é a manutenção deste status daqui para a frente. Ou seja, evitar que ela retorne e volte a se agravar", esclareceu, enfatizando que para isso "a melhor ferramenta" é a informação. "Com este projeto, vocês estão nos ajudando a transmitir os primeiros sinais e sintomas da doença, assim como locais de tratamento. São braços de um valor inestimável", completou.

O amor cura
Um dos momentos marcantes da celebração foi o depoimento, simples e direto, de Olímpio de Freitas Sobrinho, que é voluntário do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) e que hoje, aos 73 anos, esbanja saúde depois de enfrentar a doença. "O amor ainda continua sendo o melhor remédio para todos os males do mundo. Desde que seja traduzido em trabalho, em ética, em humildade. A hanseníase também se cura com amor. Com muito amor", sentenciou, ao ser aplaudido durante a celebração. Olímpio participa do núcleo do Morhan Jabaquara.

A reflexão do Sr. Olímpio foi enfatizada por Sandra Maria Pereira Ferraz, também voluntária do Morhan, lembrando da discriminação que cerca as pessoas atingidas pela doença. "Hoje ainda, passados tantos séculos, vemos tanta gente sofrendo por causa do preconceito e por causa da discriminação. O que causa tudo isso - porque temos tratamento - é a desinformação. As pessoas não estão informadas sobre doença. De todas as doenças transmissíveis que temos, a hanseníase é uma das que menos se transmite, porque além de ela ter tratamento e cura, 90% da pessoas são naturalmente resistentes a ela. Então, a gente não tem que ter medo. Tem que estender a mão às pessoas e ajudá-las a chegarem ao tratamento. Porque isso é o mais importante para quem foi atingido pela hanseníase", destacou Sandra, que é enfermeira.

Para ela, o projeto franciscano merece todos os aplausos. "Acho que a Igreja, quando ela une as pessoas atingidas pela hanseníase, entidades e profissionais que lutam por isso, ela dá uma contribuição que não tem tamanho. A luta é estarmos unidos no mesmo objetivo", emendou. Para ela, a eliminação no Brasil seria um grande avanço para a eliminação no mundo, já que somos o segundo país em números totais de casos.

O Movimento tem entre suas propostas, apresentadas ao governo Lula, a criação de um grupo de trabalho interministerial dentro da Secretaria Especial de Direitos Humanos; a melhoria da qualidade de vida dos moradores dos antigos hospitais-colônia; e a criação de uma lei para os exilados da época da polícia sanitária contra a "lepra", como a doença era chamada até a década de 70 do século passado. Ou seja, aqueles que foram retirados do convívio social e de suas famílias e isolados em colônias de "leprosos".


O projeto dos franciscanos

Frei Johannes pediu o apoio dos presentes para o projeto. "Gostaria que apoiassem este projeto com a sua solidariedade, com a sua oração e também com a divulgação. Sejam portadores deste projeto, levando-o às periferias e a lugares onde a gente sabe que a doença existe", frisou. "Nós realmente queremos que esta doença seja eliminada no Brasil, para que daqui a uns anos possamos dizer que o Brasil está livre deste estigma. Podemos dar uma resposta digna e franciscana", completou.

Solange Monteiro Amador, assistente social, lembrou que além do projeto trabalhar a questão da informação, ele quer dar o apoio psico-sócio-econômico. Ou seja, que o paciente faça o tratamento, tenha apoio para vencer o preconceito e que ele consiga ou tenha condições de chegar até um posto de saúde. "A gente não pensa só em nível de São Paulo, mas em muitas regiões do país os hospitais ficam distantes das residências e é de difícil acesso", informou.

Já Irmã Inês, que é franciscana, situou a doença no tempo de São Francisco de Assis. Lembrou do amor que o santo tinha pelos doentes da hanseníase que viviam fora dos muros das cidades. "Na época, não havia cura para esta doença. Para não contaminar as pessoas, eles viviam à margem da cidade, excluídas. Quando precisavam entrar na cidade, usavam uma sinetinha, para avisar que estavam se aproximando. E as pessoas sãs, entre aspas, fugiam deles para não serem contaminadas. Ou porque fugiam do cheiro e tinham repugnância. São Francisco, filho de um comerciante, não era diferente. Ele tinha repugnância para com esses irmãos que eram excluídos. Certo dia, Francisco, tocado pela graça de Deus, tinha no coração esta pergunta: 'Senhor, que queres que eu faça?'. E ele decidiu a vencer a si mesmo e ir ao encontro do leproso. Ir ao encontro daquele que era rejeitado pela sociedade, até mesmo pela Igreja. Francisco tomou a decisão, foi até este chagado, beijo-o e deixou-se beijar por ele. Abraçou e se deixou abraçar por ele. A partir desta experiência, Francisco deixou entrar na vida dele a própria graça de Deus. A partir daí, ele se colocou a serviço do Evangelho, cuidando dos leprosos, de maneira muito particular", concluiu.

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