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       São Paulo, 22/11/2008, 08:56          
 
 








 
 

 

Frei Paulo Back, OFM*

O Brasil tem mais de 500 anos de história de evangelização. ...e não tínhamos a graça de dizer: o maior país católico do mundo tem um de seus filhos canonizado. Em 1882 morreu um grande brasileiro, um paulista, um cidadão de Guaratinguetá, Frei Antônio de Sant’Ana Galvão.

Quando era um jovem sacerdote, acompanhando outros frades em viagens missionárias, alguém questionou o Padre Mestre: “De que moço bonito o senhor anda acompanhado”. Ao que o frade retrucou: “Não só bonito, mas também muito virtuoso”.

Foi necessário esperar mais de 185 anos para que o Brasil pudesse dizer: Aquele moço, bonito, muito virtuoso, é agora o primeiro santo nascido em terras brasileiras.

A grande e tão esperada notícia chegou: dia 23 de fevereiro de 2007 o Papa Bento 16 anunciou oficialmente que irá canonizá-lo no dia 11 de maio, na solene celebração no Campo de Marte em São Paulo: SANTO ANTÔNIO DE SANT’ANA GALVÃO.

É uma grande graça, será uma grande bênção para todo nosso país. Nossa pátria está precisando de testemunho de vida santa e exemplar como o de Frei Galvão.

Todos, temos consciência de que uma das maiores preocupações pastorais é a questão da desagregação familiar: Frei Galvão vem de uma família religiosamente muito sólida e exemplar; que ele interceda por todas as famílias brasileiras!

A falta de vocações sempre foi preocupante num país de tantos católicos e poucos sacerdotes. Frei Galvão com apenas 13 anos teve a coragem de partir de Guaratinguetá para ir estudar no seminário mais famoso da época, muito distante, o Seminário de Belém da Cachoeira, dos jesuítas, bem no interior da Bahia. Que Deus dê à nossa pátria a grande graça de mais santos pastores para sua Igreja.
No auge da crise religiosa no Brasil, quando o Marquês de Pombal expulsa os jesuítas do país, Frei Galvão segue firme sua vocação, abraçando o ideal de São Francisco de Assis, recebendo o hábito franciscano no convento São Boaventura de Macacu (Porto das Caixas, Município de Itaboraí, no Rio de Janeiro). Com 23 anos de idade é ordenado sacerdote no famoso Convento Santo Antônio do Largo da Carioca, no Rio de Janeiro.

De 1772 a 1822, vive seu sacerdócio e se destaca como grande missionário itinerante, consagrando sua vida por 60 anos, sobretudo pela cidade de São Paulo e o pelo Estado de São Paulo.

Ele é de fato um modelo para todos os brasileiros. Quando tantos irmãos nossos , seguidores de Jesus, não-católicos, têm uma postura tão agressiva e incompreensível pela figura tão querida da Mãe de Jesus, Frei Galvão é para todos nós exemplo de uma pessoa devotíssima a Maria, a Imaculada, e que se declarou “filho e perpétuo escravo da Santíssima Mãe e Senhora”, assinando um documento com seu próprio sangue.

Para todos os sacerdotes, ele é modelo de uma preparação esmerada na própria formação para o exercício do ministério sacerdotal, pregador, grande confessor e orientador dos fiéis e incansável missionário peregrino: que ele desperte em todo Brasil um novo ardor missionário!

Foi um verdadeiro pai e orientador para as religiosas contemplativas, Irmãs Concepcionistas; zeloso diretor espiritual dos leigos franciscanos da Ordem Terceira de São Francisco.

Continuação