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       São Paulo, 22/11/2008, 09:56          
 
Dom Cappio agradece pela solidariedade durante o jejum
Dom Luiz Cappio se encontra
com representantes de movimentos sociais em São Paulo
Veja a homilia na íntegra
Veja imagens da missa
Veja imagens da reunião de
Dom Cappio com líderes dos movimentos sociais em São Paulo

















 
 
 
 

 

20/01/2006
Dom Cappio agradece pela solidariedade durante o jejum


Por Moacir Beggo

São Paulo (SP) - A chuva que caiu durante todo o dia, neste domingo (20), não afugentou milhares de pessoas que participaram da "Missa do Irmão Baiano", celebrada por Dom Luiz Flavio Cappio no Santuário de São Judas Tadeu, no bairro do Jabaquara, em São Paulo. Esta foi a 18ª celebração consecutiva feita por Dom Cappio para os migrantes baianos e, como não poderia deixar de ser, foi especial, já que o público também queria ver o bispo que estava disposto a dar a sua vida pelo povo que vive nas margens do Rio São Francisco. Para Dom Cappio, esta celebração foi a "Festa do Encontro" e aproveitou para agradecer, emocionado, o gesto de solidariedade que recebeu do povo, da Igreja, sindicatos, entidades e grupos sociais e populares.

"Queridos irmãos, queridas irmãs. Neste momento tão bonito de congraçamento, de irmandade, de fraternidade, de celebração, quero agradecer a todos vocês. A cada um que manifestou seu gesto de solidariedade nesta luta árdua, sofrida que travamos em defesa da vida, em defesa do nosso povo do sertão. Em defesa no nosso povo ribeirinho do São Francisco e dos demais rios que nos dão a água que bebemos. Em defesa da vida do sertão brasileiro, lá no semi-árido nordestino - baiano, mineiro, sergipano, pernambucano, alagoano, paraibano, capixaba, maranhense, piauiense e cearense -, em defesa da vida de todos aqueles que desejam viver. Mas não apenas que desejam viver, mas que desejam viver com dignidade", frisou o bispo da Barra.

A celebração eucarística se estendeu por cerca de duas horas e meia e chegou a ser questionada pela imprensa presente, já que Dom Cappio deu a palavra ao professor e advogado Plínio de Arruda Sampaio, hoje um ferrenho oposicionista ao governo do presidente Lula. Para Dom Cappio, contudo, jamais fará "politicagem" em qualquer celebração, mas a "política com P maísculo, no sentido da palavra, faz parte da luta pela vida. E esse povo que estava presente na celebração conhece bem o que é essa luta", disse.

"Então, a gente quer agradecer de coração, porque é justamente esta solidariedade que faz com que a luta cresça e tenha visibilidade e se transforme num fato social, num fato político, num fato que provoca mudanças. E o que desejamos é que seja para melhor. Na busca daquele Brasil que nós sonhamos, que todos nós queremos, e cada qual faz a sua parte para que um dia possamos tê-lo. E possamos deixar para os nossos filhos, netos, para aqueles que virão depois de nós", enfatizou.

O que chamou a atenção de Dom Cappio durante todo o processo de jejum foi a "insensibilidade" do governo. "Eles se fecharam totalmente ao diálogo. Por isso iniciamos o jejum diante do silêncio do governo", disse Dom Cappio, criticando especialmente o presidente Lula, que "cuspiu no prato que comeu", já que usou os movimentos populares e sociais para chegar ao governo e agora governa para a elite.

"O projeto é uma imposição do governo federal, decidido entre quatro paredes de um gabinete", emendou. Para Dom Cappio, o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco não vai dar certo, como não deu nos governos anteriores. "Ele tem fins eleitoreiros e, quando o dinheiro acabar, vai parar", criticou.

O bispo da Barra lembrou que ainda não choveu no sertão e os reservatórios de águas estão abaixo da média. "Para tocar essa obra, vai ser necessário muita energia elétrica. E estamos próximos de ter um apagão. De onde vamos tirar energia para levar essa água a mais de dois mil quilômetros?", perguntou, lembrando que todo o povo brasileiro vai pagar pelo custo desse projeto.

"Infelizmente, o governo não olha para o meio ambiente. Não se olha para a natureza. Ela não é como um almoxarifado, que serve a gente 24 horas. Ela tem de ser refeita e cuidada", alertou, emendando: "Nós não vemos essa natureza como fonte de vida, mas como fonte de lucros".

Para Dom Cappio, a luta não é dele somente. É de toda a sociedade. "É preciso que todos se unam, especialmente os jovens, as universidades, a Igreja, os sindicatos, ongs e grupos populares contra esse projeto de morte. Cada um de nós deve se perguntar de que lado está: a favor da minoria ou da maioria dos pobres?"

A "Missa do Irmão Baiano" acontece todos os anos no terceiro domingo de janeiro. A de 2009 será no dia 18 de janeiro, no mesmo Santuário de São Judas Tadeu.