Este texto de Dom Eugênio Rixen apresenta o segundo volume
do livro da Pastoral de DST/Aids, com o título “Igreja
e Aids: Presença e Resposta”. Dom Eugênio
é presidente da Pastoral. Confira: “No
mundo onde existe a Aids todos somos vulneráveis. Por
isso, esta infecção não pode deixar ninguém
indiferente. A Aids nos obriga, todos e todas a revermos e
aprofundarmos nossos conceitos a respeito da sexualidade,
das drogas, da culpabilidade, da morte, da vulnerabilidade
do ser humano, do relacionamento entre as pessoas. E o que
têm as Igrejas cristãs, de original, para falar
sobre o assunto? Qual é a sua mensagem de esperança
para tantas pessoas infectadas pelo HIV/Aids? Quais são
as orientações concretas para evitar que o vírus
continue a fazer novas vítimas? Sabemos que o problema
é complexo, aliás tudo o que é humano
tem uma grande complexidade. Os vários autores que
escreveram os artigos que seguem tentaram contribuir com esta
grande luta contra a Aids. Vários deles são
confrontados, diariamente, com este problema. Por isso, suas
reflexões não são puramente teóricas,
todavia, partem de suas experiências concretas, através
do contato com portadores do HlV-Aids e do trabalho preventivo.
Para os agentes de Pastoral, a atitude mais correia diante
da Aids é deixar de lado os preconceitos, reconhecer
sua própria fragilidade e ser misericordioso. O grande
mandamento de Jesus é o amor a Deus e ao próximo.
E este amor se concretiza no acolhimento àqueles que
têm fome e sede, que são doentes ou estão
na prisão. Jesus nos convida a não concordarmos
nem julgarmos, mas, a amarmos e a sermos misericordiosos.
Nós nos encontramos diante de uma terrível realidade,
de 42 milhões de infectados no mundo e, cerca de 14
mi l pessoas, novas, que contraem o vírus a cada dia,
sendo que 95% delas são de países subdesenvolvidos.
Cada vez mais, as mulheres são atingidas pelo vírus.
Na sua opção evangélica pelos pobres,
os cristãos são chamados à solidariedade
para com os excluídos e a lutarem contra tudo o que
desumaniza a pessoa. Jesus é o nosso modelo. Seu relacionamento
com o cego Bartimeu nos aponta caminhos para integrarmos os
excluídos dentro da comunidade e a parábola
do Bom Samaritano nos pede para superarmos preconceitos e
atitudes que marginalizam. As pessoas que acompanham portadores
do HIV-Aids precisam de um bom preparo técnico, psicológico
e religioso. A boa vontade, só, não basta. A
maneira pela qual nos relacionamos com o próprio sofrimento
ajuda a cada um e cada uma a se encontrar com o sofrimento
do outro. Ajudar o outro requer competência, respeito,
autenticidade e responsabilidade. O agente de Pastoral precisa
saber escutar e facilitar a expressão do outro. Muitas
vezes, o silêncio é a única atitude que
realmente ajuda. A equipe da Pastoral da Aids quer concretizar
o desejo dos Bispos que, na sua última Assembléia,
votaram as novas Diretrizes da Ação Evangelizadora:
"Serviço e Prevenção ao HIV e Assistência
aos soropositivos: A Igreja assume este serviço e,
sem preconceitos, acolhe, acompanha e defende os direitos
daqueles e daquelas que foram infectadas pela Aids. Realiza,
também, um trabalho de prevenção, pela
conscientização dos valores evangélicos,
sendo presença misericordiosa e promovendo a vida como
bem maior". Os textos deste livro não querem dar
respostas definitivas. São reflexões de cristãos
-católicos e evangélicos - que estão
a caminho. As reflexões aqui apresentadas querem provocar
discussões com um único interesse: "que
todos tenham vida". A prática comum, junto aos
soropositivos, abre caminhos novos para o ecumenismo”.
Dom Eugênio Rixen - Bispo de Goiás - Presidente
da Pastoral de DST - Aids - CNBB
Mais informações:
www.pastoralaids.org.br
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