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Por Wilma Carla do Amaral

Talvez a palavra seja magia, pois nada pode explicar o encantamento das pessoas soropositivas ou que já desenvolveram a Aids diante das atividades corporais.

São ganhos gradativos. Às vezes, inicialmente, imperceptíveis. Entretanto, algo surge logo no primeiro contato: o sorriso. E, nada melhor que o sorriso para abrir as portas da vida. Ele é a ponte para a eficácia de todo trabalho. Com o passar dos meses há o aumento da resistência física, a progressiva flexibilidade corporal.

Entretanto, há algo além... muito além... Há o interesse por uma boa alimentação, a curiosidade por novos exercícios, o desejo de se integrar ao mercado de trabalho (isto porque muitos perderam seu emprego), há maior adesão ao medicamento, o poder rever seus relacionamentos familiares.

Mas... também existe o empenho por uma melhor qualidade de vida e isto envolve a consciência corporal, a redução do estress e uma auto-estima positiva.

Diante de uma larga variedade de exercícios que envolvem: respiração, práticas físicas no combate à lipodistrofia, alongamento, auto-massagem, massagem em dupla e relaxamento. Há também vários jogos dramáticos, cooperativos, de atenção, concentração, descontração, socialização e sensibilização. Tudo isso acompanhado de muita música, do new age ao forró.

É imprescindível, mencionar que há também uma regra básica: RESPEITO. E nesse momento, aqueles corpos percebem-se verdadeiramente humanos, como se pudessem entrar em comunhão com sua essência.

Descobrem-se capazes de acreditar em sua capacidade, descobrir limites e, algumas vezes... ir além... esforçar-se, empenhar-se, permitir-se, envolver-se.

São corpos capazes de enxergar no espelho algo além do seu contorno, enxergar o real desejo de tomar as rédeas da sua vida e dela ser seu protagonista. Corpos capazes de abraçar intensamente, de sorrir o seu mais belo sorriso, acariciar a pele que necessita de contato, voar em sua plenitude humana e permitir-se amar.

Amar ao próximo porque nele vê a si próprio. Saborear intensamente cada instante da vida consciente de ter recebido um presente.
Certamente, aqueles que permitem reencantar-se, encontram o real sentido da vida.


Wilma Carla do Amaral
Psicóloga do Centro Franciscano na luta contra Aids-CEFRAN , coordenadora de grupos ( mães, adesão, atenção especial e dinâmica corporal ), psicoterapeuta corporal, professora pós-graduada em: Arte-Comunicação e Educação.