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| Ceia de Natal no Largo São Francisco |
Ceia de Natal
do Convento São Francisco reúne três mil pessoas
Por Moacir Beggo
São Paulo (SP) - Três mil pessoas carentes da região
central de São Paulo estiveram nesta segunda-feira, véspera
de Natal, no Largo São Francisco para receber um "kit
de Natal" e uma refeição doada pelo Convento
São Francisco, uma tradição que se repete há
18 anos.
Nem mesmo o sol forte do meio-dia fez com que as pessoas desistissem
de enfrentar uma fila que dava a volta na Faculdade de Direito e
descia pela rua Riachuelo. A fila começou a se formar às
5 horas da manhã. Além de marmitex e refrigerante,
as pessoas - grande parte moradores de rua do Centro da cidade -,
ganharam um panetone, frutas (banana e manga) e biscoitos.
Para agradar principalmente as crianças, são entregues
ainda salgadinhos e chocolate. "Fui especialmente ao Mercado
Municipal para comprar manga, uma fruta da estação
e que todos gostam", contou Frei Anacleto Gapski, guardião
do Convento São Francisco. Ele participou da primeira ceia
realizada no Convento. "Naquela época, fizemos toda
a refeição na própria cozinha do convento.
Eram 380 moradores de rua. Agora foram 3 mil", lembrou Frei
Anacleto. Neste ano, Frei Anacleto contou com um grande grupo de
voluntários para fazer a distribuição, que
começou às 11 horas e terminou por volta das 15 horas.
Segundo o guardião, a Ceia de Natal dos Pobres é realizada
com a ajuda de fiéis e empresas. "Por isso, quero muito
agradecer às pessoas e as empresas que nos ajudaram a manter
este pedido de São Francisco de Assis, que não queria
ver ninguém passando fome no dia em que o Menino Deus veio
morar conosco", disse Frei Anacleto.
VEJA
TAMBÉM A NOTíCIA NO G1
Confira o texto histórico que narra como São Francisco
preparou o Natal
"Sua maior intenção, seu desejo principal
e plano supremo era observar o Evangelho em tudo e por tudo, imitando
com perfeição, atenção, esforço,
dedicação e fervor os "passos de Nosso Senhor
Jesus Cristo no seguimento de sua doutrina". Estava sempre
meditando em suas palavras e recordava seus atos com muita inteligência.
Gostava tanto de lembrar a humildade de sua encarnação
e o amor de sua paixão, que nem queria pensar em outras coisas.
Precisamos recordar com todo respeito e admiração
o que fez no dia de Natal, no povoado de Greccio, três anos
antes de sua gloriosa morte. Havia nesse lugar um homem chamado
João, de boa fama e vida ainda melhor, a quem São
Francisco tinha especial amizade porque, sendo muito nobre e honrado
em sua terra, desprezava a nobreza humana para seguir a nobreza
de espírito. Uns quinze dias antes do Natal, São Francisco
mandou chamá-lo, como costumava, e disse: "Se você
quiser que nós celebremos o Natal de Greccio, é bom
começar a preparar diligentemente e desde já o que
vou dizer. Quero lembrar o menino que nasceu em Belém, os
apertos que passou, como foi posto num presépio, e ver com
os próprios olhos como ficou em cima da palha, entre o boi
e o burro". Ouvindo isso, o homem bom e fiel correu imediatamente
e preparou o que o santo tinha dito, no lugar indicado.
Aproximou-se o dia da alegria e chegou o tempo da exultação.
De muitos lugares foram chamados os irmãos: homens e mulheres
do lugar, de acordo com suas posses, prepararam cheios de alegria
tochas e archotes para iluminar a noite que tinha iluminado todos
os dias e anos com sua brilhante estrela. Por fim, chegou o santo
e, vendo tudo preparado, ficou satisfeito. Fizeram um presépio,
trouxeram palha, um boi e um burro. Greccio tornou-se uma nova Belém,
honrando a simplicidade, louvando a pobreza e recomendando a humildade.
A noite ficou iluminada como o dia e estava deliciosa para os
homens e para os animais. O povo foi chegando e se alegrou com o
mistério renovado em sua alegria toda nova. O bosque ressoava
com as vozes que ecoavam nos morros. Os frades cantavam, dando os
devidos louvores ao Senhor e a noite inteira se rejubilava. O santo
parou diante do presépio e suspirou, cheio de piedade e de
alegria. A missa foi celebrada ali mesmo no presépio, e o
sacerdote que a celebrou sentiu uma piedade que jamais experimentara
até então. O santo vestiu dalmática, porque
era diácono, e cantou com voz sonora o santo Evangelho. De
fato, era "uma voz forte, doce, clara e sonora", convidando
a todos às alegrias eternas. Depois pregou ao povo presente,
dizendo coisas maravilhosas sobre o nascimento do Rei pobre e sobre
a pequena cidade de Belém. Muitas vezes,-quando queria chamar
o Cristo* de Jesus, chamava-o também com muito amor de "menino
de Belém", e pronunciava a palavra "Belém"
como o balido de uma ovelha, enchendo a boca com a voz e mais ainda
com a doce afeição. Também estalava a língua
quando falava "menino de Belém" ou "Jesus",
saboreando a doçura dessas palavras.
Multiplicaram-se nesse lugar os favores do Todo-Poderoso, e
um homem de virtude teve uma visão admirável. Pareceu-lhe
ver deitado no presépio um bebê dormindo, que acordou
quando o santo chegou perto. E essa visão veio muito a propósito,
porque o menino Jesus estava de fato dormindo no esquecimento de
muitos corações, nos quais, por sua graça e
por intermédio de São Francisco, ele ressuscitou e
deixou a marca de sua lembrança. Quando terminou a vigília
solene, todos voltaram contentes para casa.
Guardaram a palha usada no presépio para que o Senhor
curasse os animais, da mesma maneira que tinha multiplicado sua
santa misericórdia. De fato, muitos animais que padeciam
das mais diversas doenças naquela região comeram daquela
palha e tiveram um resultado feliz. Da mesma sorte, homens e mulheres
conseguiram a cura das mais variadas doenças.
O lugar do presépio foi consagrado a um templo do Senhor
e no próprio lugar da manjedoura construíram um altar
em honra de nosso pai Francisco e dedicaram uma igreja, para que,
onde os animais já tinham comido o feno, passassem os homens
a se alimentar, para salvação do corpo e da alma,
com a carne do cordeiro imaculado e não contaminado, Jesus
Cristo Nosso Senhor, que se ofereceu por nós com todo o seu
inefável amor e vive com o Pai e o Espírito Santo
eternamente glorioso por todos os séculos dos séculos.
Amém. Aleluia, Aleluia.
Tomás de Celano Primeiro Livro (Fontes Franciscanas)
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