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ESCRITOS DE SÃO FRANCISCO:
DEVOÇÃO AO CORPO DO SENHOR
Ardia com o fervor do mais profundo de todo o seu ser
para com o sacramento do Corpo do Senhor, pois ficava absolutamente
estupefato diante de tão amável condescendência
e de tão digna caridade. Achava que era um desprezo
muito grande não assistir pelo menos a uma missa
cada dia, se pudesse. Comungava muitas vezes, e com tamanha
devoção que tornava devotos também
os outros. Como tinha toda reverência para com aquilo
que se deve reverenciar, oferecia o sacrifício de
todos os seus membros e, recebendo o Cordeiro Imolado, imolava
o seu espírito com aquele fogo que sempre ardia no
altar de seu coração. Amava a França
por ser devota do Corpo do Senhor, e nela desejava morrer
por amor dos sagrados mistérios. Certa ocasião
quis mandar os frades pelo mundo com preciosas âmbulas
para guardarem o preço de nossa redenção
no melhor lugar, onde quer que o encontrassem guardado de
maneira menos digna. Queria que se tivesse a maior reverência
para com as mãos sacerdotais, pela autoridade divina
que lhes tinha sido conferida para a confecção
do santo sacramento. Dizia freqüentemente: "Se
me acontecesse de encontrar ao mesmo tempo um santo descido
do céu e um sacerdote pobrezinho, saudaria primeiro
o presbítero, e me apressaria a beijar as suas mãos.
Até diria: 'Espera, São Lourenço, porque
as mãos deste homem seguram a Palavra da vida e têm
um poder mais que humano' ".
Dos Escritos de São Francisco - Tomas de Celano
- Vida II - Capítulo 152, pág. 429.
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