|
JESUS CRISTO: RESPOSTA À
SEDE ATUAL DE DEUS
Tema: ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS!
Lema: VINDE E VEDE! (Jo 1,39)
Vivemos numa época em que as pessoas expressam,
sem nenhum receio, sua sede de Deus. O pluralismo religioso
interage com outras características próprias
de nosso tempo, como o individualismo, o mercantilismo,
o consumismo, o hedonismo. Surgem (ou ressurgem) as mais
diversas expressões religiosas, com marca esotérica,
gnóstica ou fundamentalista. A religião está
no mercado. Há religiões para o agrado de
todos. Cada pessoa pode escolher a religião que quer.
Pode até criar, com a fusão de elementos de
uma e de outra expressão religiosa, a própria
religião. Pode transitar entre uma e outra religião.
Embora a religião esteja na mídia e no mercado,
as pessoas não conseguem alcançar sua felicidade.
O mundo permanece dominado pela violência, pela exclusão,
pela miséria e pela fome, pela angústia e
pela ausência de sentido. Embora a sede de Deus e
o retorno ao sagrado caracterizem nossa época, as
igrejas cristãs tradicionais e, em nosso caso, a
Igreja Católica, não conseguem fascinar as
grandes multidões ansiosas pelo encontro com Deus.
O peso que se dá aos elementos doutrinais, canônicos
e institucionais, não é, freqüentemente,
acompanhado pela apresentação da boa-notícia
do amor de Deus-Pai, da salvação em Jesus
Cristo e da presença estimulante do Espírito
Santo. Em muitos de nossos discursos, de nossas celebrações,
de nossas pastorais, há carência de mística.
Somente pelo encontro místico, afetivo e existencial
com Deus, as pessoas saciarão sua sede de absoluto
e satisfarão sua fome de amor. Temos em nossa Igreja
todas as condições para isso. Contamos com
a presença permanente do Senhor em nosso meio.
A Eucaristia: fonte e ápice das presenças
do Senhor em nosso meio
O Cristo ressuscitado, vivo e vitorioso, está
presente em nosso meio de muitos e diversos modos. A Sagrada
Escritura atesta essa multiforme presença, que responde
à instigante pergunta: Por que crer em alguém
que viveu há tanto tempo atrás? A resposta
se encontra no segredo do nosso coração e
de nossas comunidades. O cristianismo vive da certeza de
que o seu Senhor permanece para sempre junto de seus seguidores.
Trata-se de uma presença que dá força,
energia e coragem para suportar todas as adversidades. Ao
final de sua vida, Jesus prometeu aos apóstolos que
permaneceria com eles: "eu estarei convosco sempre,
até o fim do mundo" (Mt 28,20). Mas, onde encontrar
essa presença? Não se trata de uma presença
física, que se possa comprovar com os sentidos corporais
da visão, da audição e do tato, que
se possa demonstrar cientificamente com as provas da evidência.
Trata-se de uma presença que se pode sentir e verificar
com os sentidos da fé, do coração.
Trata-se de fazer a experiência do encontro com ele.
Só através desta experiência, a humanidade
saciará sua sede e fome de Deus.
A mais real das presenças do Senhor em meio a nós
é sua presença na Eucaristia, onde ele quis
dar-se e entregar-se na forma de sacramento: "Tomai,
comei, isto é o meu corpo (...) Bebei todos, porque
este é o meu sangue da aliança" (Mt 26,26.28).
No pão repartido e no sangue partilhado, reconhecemos
Jesus que se deu e se entregou por nós na cruz. Na
partilha do pão, entre nós e com os necessitados,
vivemos em união com ele.
Pela entrega de seu corpo e pelo derramamento de seu sangue
na cruz, evento histórico que celebramos na Eucaristia,
o encontro com Cristo em sua presença sacramental
na Eucaristia se torna ápice e fonte de toda a vida
cristã (SC 10) e de todas as outras presenças
do Senhor em nosso meio.
Com efeito, a Eucaristia é fonte e ápice da
presença do Senhor em sua Igreja, na assembléia
reunida. Ele disse: "Onde há dois ou três
reunidos em meu nome, aí estou eu, no meio deles"
(Mt 18,20). Jesus se faz presente no meio de nós,
quando nos reunimos para a celebração eucarística,
para a oração, para a vida de comunhão
fraterna, para a correção fraterna, para a
partilha das alegrias e sofrimentos, quando nos reunimos
em seu nome. Nos grupos de reflexão, nas comunidades
de base, nos encontros de oração, nas celebrações
eucarísticas, aí está ele!
A Eucaristia é fonte e ápice da presença
do Senhor na Palavra anunciada e vivida. Ele disse: "Céu
e terra passarão, minhas palavras não passarão"
(Mt 24,35). Ele nos garante que sua palavra permanece para
sempre e será cumprida. Ele é "a Palavra
(que) se fez carne e habitou entre nós" (Jo
1,14). A Palavra que se fez ser humano, voltou para o seio
do Pai; mas permanece entre nós, toda vez que a lemos
e ouvimos, sobretudo quando a pomos em prática.
Para que a Igreja fosse um povo sempre convocado para viver
uma só fé, esperança e amor, para celebrar
a Eucaristia e para anunciar sua Palavra, Jesus garantiu
sua presença nos pastores, pessoas que lideram a
caminhada dos fiéis. A Eucaristia é fonte
e ápice da presença do Senhor nas lideranças
de sua Igreja. Ao enviar os apóstolos em missão,
ele disse: "Quem vos recebe e escuta, a mim recebe
e escuta; quem me recebe, recebe aquele que me enviou"
(Mt 10,40; Lc 10,16). E, numa fórmula de admoestação:
"Quem vos despreza, despreza a mim; quem me despreza,
despreza aquele que me enviou" (Lc 10,16). Nossos pastores
são sucessores dos apóstolos; neles é
representado hoje, para nós, o Cristo Mestre e Profeta.
A Eucaristia é fonte e ápice da presença
do Senhor na pessoa de cada próximo. A Eucaristia
nos conduz a perceber e amar sua presença também
nos irmãos e irmãs, sobretudo no rosto dos
mais necessitados. Pois ele também disse: "O
que fizestes a estes meus irmãos menores, a mim o
fizestes". E, repreendendo: "O que não
fizestes a um destes mais pequenos, não o fizestes
a mim" (Mt 25, 40.45). Jesus, que será nosso
juiz no final dos tempos, se faz nosso próximo, presente
nos necessitados, se faz irmão dos pobres, faz dos
pobres nossos juízes, com ele e como ele, no julgamento
final.
A Eucaristia é fonte e ápice da presença
do Senhor na cruz nossa de cada dia. Ele disse: "Quem
quiser seguir-me, negue-se a si mesmo, carregue a sua cruz
e me siga" (Mt 16,24). Ou, em tom de advertência:
"Quem não tomar a sua cruz para seguir-me, não
é digno de mim" (Mt 10,38). Seguir a Jesus no
sofrimento, na entrega da vida, nas lutas da evangelização,
na promoção e defesa da vida, suportando doenças
e provações, é um meio de contar com
sua presença consoladora e encorajadora.
O anúncio cristão no novo milênio
Em cada celebração eucarística,
fonte e ápice do encontro com Cristo em suas diversas
presenças, nós repetimos por diversas vezes:
"Ele está no meio de nós!" É
esta afirmação de fé, proveniente de
uma experiência ao mesmo tempo pessoal e social, mística
e política, afetiva e ética, que nós
queremos professar diante do mundo. Aos sedentos e famintos
de Deus, queremos dizer: "Ele está no meio de
nós!" Às pessoas que buscam a Deus, em
meio às obscuridades da vida, às incertezas
da existência, às apalpadelas, entre tantas
propostas religiosas, algumas enganosas, outras interesseiras,
outras inexpressivas e medíocres, nós dizemos:
"Ele está no meio de nós!"
Para isso, é preciso que voltemos ao centro de nossa
fé, isto é, à experiência do
encontro com o Cristo Ressuscitado, vivo e vitorioso em
suas muitas presenças no meio de sua Igreja. É
preciso que nós mesmos voltemos ao centro de nossa
espiritualidade cristã: a presença de Cristo
na Eucaristia. Com essa experiência e com essa fé,
podemos então proclamar o anúncio cristão
de todos os tempos, que queremos renovar neste início
do novo milênio: "Ele está no meio de
nós!"
Então, como o próprio Senhor Jesus respondeu
aos discípulos que perguntavam por sua morada, nós
responderemos àqueles que perguntam pela razão
de nossa fé, pelo sentido de nossa espiritualidade:
"Vinde e vede!" (Jo 1,39). A quem, explícita
ou implicitamente, perguntar onde é que nós
fixamos nossa morada, onde armamos a tenda de nossa existência,
responderemos: "Vinde e vede!"
|