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       São Paulo, 23/05/2012, 15:52          
 
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JESUS CRISTO: RESPOSTA À SEDE ATUAL DE DEUS

Tema: ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS!
Lema: VINDE E VEDE! (Jo 1,39)

Vivemos numa época em que as pessoas expressam, sem nenhum receio, sua sede de Deus. O pluralismo religioso interage com outras características próprias de nosso tempo, como o individualismo, o mercantilismo, o consumismo, o hedonismo. Surgem (ou ressurgem) as mais diversas expressões religiosas, com marca esotérica, gnóstica ou fundamentalista. A religião está no mercado. Há religiões para o agrado de todos. Cada pessoa pode escolher a religião que quer. Pode até criar, com a fusão de elementos de uma e de outra expressão religiosa, a própria religião. Pode transitar entre uma e outra religião.

Embora a religião esteja na mídia e no mercado, as pessoas não conseguem alcançar sua felicidade. O mundo permanece dominado pela violência, pela exclusão, pela miséria e pela fome, pela angústia e pela ausência de sentido. Embora a sede de Deus e o retorno ao sagrado caracterizem nossa época, as igrejas cristãs tradicionais e, em nosso caso, a Igreja Católica, não conseguem fascinar as grandes multidões ansiosas pelo encontro com Deus. O peso que se dá aos elementos doutrinais, canônicos e institucionais, não é, freqüentemente, acompanhado pela apresentação da boa-notícia do amor de Deus-Pai, da salvação em Jesus Cristo e da presença estimulante do Espírito Santo. Em muitos de nossos discursos, de nossas celebrações, de nossas pastorais, há carência de mística. Somente pelo encontro místico, afetivo e existencial com Deus, as pessoas saciarão sua sede de absoluto e satisfarão sua fome de amor. Temos em nossa Igreja todas as condições para isso. Contamos com a presença permanente do Senhor em nosso meio.

A Eucaristia: fonte e ápice das presenças do Senhor em nosso meio
O Cristo ressuscitado, vivo e vitorioso, está presente em nosso meio de muitos e diversos modos. A Sagrada Escritura atesta essa multiforme presença, que responde à instigante pergunta: Por que crer em alguém que viveu há tanto tempo atrás? A resposta se encontra no segredo do nosso coração e de nossas comunidades. O cristianismo vive da certeza de que o seu Senhor permanece para sempre junto de seus seguidores. Trata-se de uma presença que dá força, energia e coragem para suportar todas as adversidades. Ao final de sua vida, Jesus prometeu aos apóstolos que permaneceria com eles: "eu estarei convosco sempre, até o fim do mundo" (Mt 28,20). Mas, onde encontrar essa presença? Não se trata de uma presença física, que se possa comprovar com os sentidos corporais da visão, da audição e do tato, que se possa demonstrar cientificamente com as provas da evidência. Trata-se de uma presença que se pode sentir e verificar com os sentidos da fé, do coração. Trata-se de fazer a experiência do encontro com ele. Só através desta experiência, a humanidade saciará sua sede e fome de Deus.
A mais real das presenças do Senhor em meio a nós é sua presença na Eucaristia, onde ele quis dar-se e entregar-se na forma de sacramento: "Tomai, comei, isto é o meu corpo (...) Bebei todos, porque este é o meu sangue da aliança" (Mt 26,26.28). No pão repartido e no sangue partilhado, reconhecemos Jesus que se deu e se entregou por nós na cruz. Na partilha do pão, entre nós e com os necessitados, vivemos em união com ele.

Pela entrega de seu corpo e pelo derramamento de seu sangue na cruz, evento histórico que celebramos na Eucaristia, o encontro com Cristo em sua presença sacramental na Eucaristia se torna ápice e fonte de toda a vida cristã (SC 10) e de todas as outras presenças do Senhor em nosso meio.

Com efeito, a Eucaristia é fonte e ápice da presença do Senhor em sua Igreja, na assembléia reunida. Ele disse: "Onde há dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu, no meio deles" (Mt 18,20). Jesus se faz presente no meio de nós, quando nos reunimos para a celebração eucarística, para a oração, para a vida de comunhão fraterna, para a correção fraterna, para a partilha das alegrias e sofrimentos, quando nos reunimos em seu nome. Nos grupos de reflexão, nas comunidades de base, nos encontros de oração, nas celebrações eucarísticas, aí está ele!

A Eucaristia é fonte e ápice da presença do Senhor na Palavra anunciada e vivida. Ele disse: "Céu e terra passarão, minhas palavras não passarão" (Mt 24,35). Ele nos garante que sua palavra permanece para sempre e será cumprida. Ele é "a Palavra (que) se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,14). A Palavra que se fez ser humano, voltou para o seio do Pai; mas permanece entre nós, toda vez que a lemos e ouvimos, sobretudo quando a pomos em prática.

Para que a Igreja fosse um povo sempre convocado para viver uma só fé, esperança e amor, para celebrar a Eucaristia e para anunciar sua Palavra, Jesus garantiu sua presença nos pastores, pessoas que lideram a caminhada dos fiéis. A Eucaristia é fonte e ápice da presença do Senhor nas lideranças de sua Igreja. Ao enviar os apóstolos em missão, ele disse: "Quem vos recebe e escuta, a mim recebe e escuta; quem me recebe, recebe aquele que me enviou" (Mt 10,40; Lc 10,16). E, numa fórmula de admoestação: "Quem vos despreza, despreza a mim; quem me despreza, despreza aquele que me enviou" (Lc 10,16). Nossos pastores são sucessores dos apóstolos; neles é representado hoje, para nós, o Cristo Mestre e Profeta.

A Eucaristia é fonte e ápice da presença do Senhor na pessoa de cada próximo. A Eucaristia nos conduz a perceber e amar sua presença também nos irmãos e irmãs, sobretudo no rosto dos mais necessitados. Pois ele também disse: "O que fizestes a estes meus irmãos menores, a mim o fizestes". E, repreendendo: "O que não fizestes a um destes mais pequenos, não o fizestes a mim" (Mt 25, 40.45). Jesus, que será nosso juiz no final dos tempos, se faz nosso próximo, presente nos necessitados, se faz irmão dos pobres, faz dos pobres nossos juízes, com ele e como ele, no julgamento final.
A Eucaristia é fonte e ápice da presença do Senhor na cruz nossa de cada dia. Ele disse: "Quem quiser seguir-me, negue-se a si mesmo, carregue a sua cruz e me siga" (Mt 16,24). Ou, em tom de advertência: "Quem não tomar a sua cruz para seguir-me, não é digno de mim" (Mt 10,38). Seguir a Jesus no sofrimento, na entrega da vida, nas lutas da evangelização, na promoção e defesa da vida, suportando doenças e provações, é um meio de contar com sua presença consoladora e encorajadora.

O anúncio cristão no novo milênio
Em cada celebração eucarística, fonte e ápice do encontro com Cristo em suas diversas presenças, nós repetimos por diversas vezes: "Ele está no meio de nós!" É esta afirmação de fé, proveniente de uma experiência ao mesmo tempo pessoal e social, mística e política, afetiva e ética, que nós queremos professar diante do mundo. Aos sedentos e famintos de Deus, queremos dizer: "Ele está no meio de nós!" Às pessoas que buscam a Deus, em meio às obscuridades da vida, às incertezas da existência, às apalpadelas, entre tantas propostas religiosas, algumas enganosas, outras interesseiras, outras inexpressivas e medíocres, nós dizemos: "Ele está no meio de nós!"

Para isso, é preciso que voltemos ao centro de nossa fé, isto é, à experiência do encontro com o Cristo Ressuscitado, vivo e vitorioso em suas muitas presenças no meio de sua Igreja. É preciso que nós mesmos voltemos ao centro de nossa espiritualidade cristã: a presença de Cristo na Eucaristia. Com essa experiência e com essa fé, podemos então proclamar o anúncio cristão de todos os tempos, que queremos renovar neste início do novo milênio: "Ele está no meio de nós!"

Então, como o próprio Senhor Jesus respondeu aos discípulos que perguntavam por sua morada, nós responderemos àqueles que perguntam pela razão de nossa fé, pelo sentido de nossa espiritualidade: "Vinde e vede!" (Jo 1,39). A quem, explícita ou implicitamente, perguntar onde é que nós fixamos nossa morada, onde armamos a tenda de nossa existência, responderemos: "Vinde e vede!"