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Por Moacir Beggo
O recém-nomeado Cardeal de São Paulo, D. Odilo Scherer, aceitou o convite do pároco Frei Gilberto Piscitelli para celebrar a dedicação da Igreja Santo Antônio do Pari, em São Paulo, e que marcou a conclusão das obras internas da igreja, um ano e meio depois de ter toda a ala direita destruída no incêndio.
A celebração durou duas horas e, como havia dito, Dom Odilo Scherer, foi intensa e tocante. “Nós vamos fazer é uma cerimônia muito significativa, certamente muito tocante. Ela fala por si mesmo e nos fala justamente desta presença de Deus – referia ao tempo do advento - que quer estar no meio de seu povo”, disse aos fiéis que lotaram a igreja no bairro do Pari. O Pontifical Romano pede que as igrejas sejam dedicadas antes que as atividades litúrgicas sejam celebradas pela comunidade. Contudo, mesmo as igrejas onde já se celebram os sacramentos podem ser dedicadas.
Depois dos ritos iniciais da missa, houve a bênção e aspersão da água abençoada em todos os presentes na igreja. Em seguida, fizeram-se as leituras bíblicas e a homilia de Dom Scherer, que destacou o tempo do advento (2º domingo).
“Nós estamos celebrando o tempo do advento. Deus habita esta cidade.
A gente se alegra porque as nossas igrejas são sinais desta presença de Deus, esta habitação de Deus junto com o seu povo. É importante que as igrejas sejam bonitas, bem mantidas, sejam alegres e sejam convidativas para a oração. Por isso mesmo, a dedicação”, explicou o novo Cardeal de São Paulo.
Na seqüência, o rito de dedicação ganhou intensidade, quando o povo cantou a Ladainha de Todos os Santos. Dom Odilo colocou um avental e derramou óleo sobre o altar, espalhando-o em seguida, ungindo também as quatro cruzes que ficam sobre as colunas nas paredes do templo, exatamente o lado direito que havia sido destruído pelo fogo.
De volta ao altar, Dom Odilo queimou o incenso sobre o altar. Em seguida, o altar foi enxugado e revestido por uma toalha branca e, por último, seguiu-se a iluminação da igreja. Frei Gilberto acendeu as velas do altar e da coroa do advento. Logo após, seguiu-se o ofertório e a Comunhão.
Segundo Frei Gilberto Piscitelli, que agradeceu com muito entusiasmo seus benfeitores e fiéis que ajudaram a tornar possível esta restauração, falta somente colocar a Via Sacra na parte interna. “Não houve tempo de colocá-la, mas já está toda recuperada”, disse. Agora, segundo o pároco, os esforços se voltam para a reconstrução da torre direita, que foi totalmente destruída, e a parte externa, principalmente o velário, que será feito fora da igreja, já que o incêndio foi provocado depois da festa de Santo Antônio de 2006, quando aumenta muito o número de velas acesas no velário.
Frei Gilberto também agradeceu especialmente Aldevino da Silva, o descobridor e restaurador das pinturas do altar-mor, assim como Francisco Colono, que descobrir a camada de mármore petrificado que estava escondida na parte do presbitério.
Do lado direito, Frei Gilberto criou a Capela do Sacrário, com uma bela imagem de São Francisco de Assis. “Eu também não imaginava que a igreja ia chegar onde chegou. Até na beleza e na descoberta dos mármores. E já estava disposto a martelar toda esta parte do altar. Só não fizemos em consideração ao jubileu de Frei Agostinho Piccolo. No local, tinha uma pintura verde e embora o verde seja agradável, a pintura era horrível. E o Sr. Francisco Colono raspou um pouco e descobriu que havia um mármore chamado bahia ou mármore petrificado”, disse Frei Gilberto.
Segundo o pároco, em nenhum dia, a igreja ficou sem missa. “Sempre foi limpa e sempre esteve digna ao nosso povo. Mesmo com o trator dentro da igreja”, brincou.
Outra novidade foi a restauração do órgão de cinco mil registros. “Igual a este, só o da Catedral de São Paulo”, explicou, lembrando que o órgão não está totalmente restaurado. Frei Agostinho cantou em italiano “Doce é Sentir”, com os acordes do novo órgão.
Para Frei Gilberto, o agradecimento a todos os fiéis “que acreditaram em nosso trabalho e assumiram o Carnê de Fiel Benfeitor. A campanha continua, temos muito que fazer. Mas é a vocês que se deve esta inauguração. Nós vamos continuar lutando para a reforma da torre e a parte externa da igreja. Mas o mais importante que não podemos esquecer é a restauração em nossos corações, onde deve prevalecer o amor, a bondade e a solidariedade”, completou, lembrando que mesmo sendo hoje uma paróquia que tem poucos moradores, já que o bairro se tornou essencialmente comercial, a união de todas as pastorais tornou possível esta restauração. |