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Provincia Fraternidades Carisma Sefras SAV Missões Multimidia
       São Paulo, 22/11/2008, 09:10          
 
   
 
Roteiros para o futuro - Orientações práticas

48. Durante a experiência vivida neste Capítulo, falamos sobre a importância da prática e do mútuo discernimento como meios para desenvolver nossa futura caminhada na vocação como uma fraternidade em missão. Seguindo essas pistas, queremos olhar para 2009 e oferecer, para os próximos três anos, alguns meios, sugestões e indicações para podermos encarnar as intuições e as percepções que nós mesmos identificamos durante o Capítulo geral extraordinário.
49. Na medida do possível e respeitando a diversidade, que é uma característica de nossa Ordem, queremos iniciar projetos que unifiquem e integrem nossa vocação, fraternidade e missão num único tecido formado por fios de testemunho pessoal, comunitário e institucional. Partindo da perspectiva da integração, essas diretrizes e orientações não estão separadas umas das outras, mas devem crescer em harmonia entre si. Nessa perspectiva, pedimos que cada Entidade considere os seguintes princípios, pondo-os em prática dentro das possibilidades:
• O elemento mais significativo que apareceu no Capítulo é a metodologia de Emaús. Consideramos esse processo de diálogo e de discernimento como a primeira de nossas prioridades. Esse processo deve tocar tanto nossa vida humana como nossa vida de fé, ambas partilhadas entre irmãos que seguem as pegadas do Senhor Jesus Cristo. A metodologia de Emaús tem o objetivo de ajudar-nos a superar o individualismo e o isolamento que, com freqüência, caracterizam nossa vida e nosso trabalho. Ao mesmo tempo, e de forma ainda mais importante, é concebida para poder voltar a situar-nos espiritualmente no contexto da experiência de Deus na vida, na oração e no trabalho. A metodologia pode ser aplicada aos diversos âmbitos de nossa vida: na formação permanente e inicial, na vida fraterna em todos os níveis da Ordem, no trabalho e nos ministérios que partilhamos com os leigos. Seu processo e sua lógica foram explicados no documento O Senhor nos fala na caminhada. Pedimos que cada Entidade reflita sobre a “metodologia de Emaús” como uma pedra angular para nosso crescimento de Frades menores e pô-la em prática.
• Temos acentuado a importância do método de partilhar a fé. Cada Entidade já tem seus programas e atividades: será, pois, necessário analisar a forma de usar as sugestões que apresentamos e adaptá-las às possibilidades e às situações de cada um. O reconhecimento de nossas diversidades foi um marco distintivo deste Capítulo e a capacidade de aculturar nossa identidade de Frades menores implica que as indicações práticas oferecidas deverão assumir diferentes formas e graus de aplicação nas várias Entidades da Ordem. Não queremos acrescentar mais um peso aos programas já existentes nas Províncias; desejamos, antes, dar sugestões para nosso crescimento. Entre as muitas linhas de desenvolvimento aqui propostas, pedimos que cada Entidade descubra quais são as mais úteis para seu próprio crescimento, de forma a pô-las em prática.
• A fim de continuar nossa caminhada de preparação para o Centenário de fundação, em 2009, pedimos que cada Entidade e Conferência avalie atentamente o próprio crescimento nas áreas enumeradas, se as julgarem possíveis em sua situação. Essas áreas, por sua vez, ajudar-nos-ão a iniciar processos de autoconsciência e a avaliar os progressos feitos na celebração do VIII Centenário.

Do bom ao melhor na fé e no relacionamento fraterno
50.
Descobrir a forma de celebrar e estimular laços de confiança entre nós é essencial para nosso crescimento humano como Frades menores. Isso pode ser feito com a criação de espaços comuns de diálogo, partilhando nossas histórias, celebrações e festas. Isso comportará também uma contínua avaliação das formas pelas quais nos comunicamos, por exemplo, nos seguintes âmbitos:
• De que falamos? Há assuntos que evitamos?
• Como falamos de nossos irmãos, em sua presença ou ausência?
• Falamos de maneira superficial, ou nos sentimos bem ao partilharmos mais profundamente nossa vocação?
• Praticamente, como celebramos o dom do irmão? O dom de nossa fé? O dom de nossa vocação?
51.
Precisamos partilhar juntos a alegria e as dificuldades de sermos Irmãos e refletir sobre nossa vocação pessoal, desenvolvendo, em nível local, provincial e de Conferência, a “metodologia de Emaús” e outros meios que permitam aprofundar juntos nosso seguimento de Cristo e nossa fé em Deus. Essa metodologia ajudar-nos-á, nos encontros locais, provinciais e de Conferência, a tornar-nos escolas de fraternidade, de oração e de conversão, em diálogo com a Palavra de Deus, na celebração da Eucaristia, no relacionamento humano e em nossa vida. Ministros e Guardiães desempenham um papel importante nesse processo. Esse método de relacionamento deveria começar a fazer parte de nossa identidade de Frades menores. Poderemos pôr à prova tudo isso, por exemplo:
• nos tempos de formação permanente e inicial;
• no ingresso de um novo Irmão na Fraternidade;
• nos Capítulos locais celebrados regularmente;
• por ocasião dos aniversários;
• quando nos reunimos com os leigos nos lugares de nosso ministério;
• durante as peregrinações aos lugares de interesse vocacional;
• quando celebramos os Capítulos provinciais;
• nos tempos de avaliação de nossos ministérios e nas situações em que é preciso dar uma resposta diante da cultura que muda e da sociedade que nos cerca;
• em nível de Conferências e entre as diversas Conferências da Ordem;
• nas assembléias particulares, como neste Capítulo, que prepara o de 2009;
• nos processos de reconciliação e de saneamento da Fraternidade.

Do bom ao melhor no cuidado de nossa vocação
52.
A fim de partilhar as alegrias e as lutas de nossa vocação, precisamos desenvolver novos instrumentos de promoção vocacional, de discernimento e de animação, que deveriam ajudar-nos a:
• colaborar com os outros membros da Família franciscana, para desenvolver programas vocacionais;
• envolver Frades que dêem testemunho de sua vida em fraternidade e de suas experiências de evangelização;
• promover um maior compromisso com as famílias e os jovens;
• unir de forma mais eficiente a vida dos Frades na Ordem com a vida das famílias que nos apóiam;
• destacar o discernimento sobre a vida em fraternidade como elemento-chave de nossa opção vocacional.
53. A fim de crescer em nossa vocação, para dar um melhor testemunho à nossa vida de irmãos e para chegar a experimentar, de forma mais profunda, a alegria de nossa vocação, temos necessidade de elaborar programas de formação permanente e inicial que:
• promovam e reforcem os Capítulos locais no diálogo, na escuta e no fomento ao conhecimento e a prática de nossa vocação em todas as suas dimensões, local, intercultural e internacional;
• favoreçam novas formas de partilha fraterna;
• promovam regulares avaliações de nosso agir e modelos de comportamento para o cuidado de nosso crescimento vocacional, de partilha de fé, de oração, de celebração eucarística, do sacramento da reconciliação e de nossa vida de fraternidade em missão;
• indiquem metodologias que nos ajudem a fazer discernimento de nossa vida no momento atual de nossa vocação;
• criem e elaborem experiências educativas permanentes que possibilitem o crescimento de nossa vocação;
• inventem novas formas de encontro para exprimir e celebrar a alegria de nossa vocação;
• ajudem a pôr em comum nossa caminhada vocacional e nosso trabalho comum;
• desenvolvam iniciativas que estimulem a reflexão pessoal e fraterna: períodos sabáticos, retiros e programas partilhados de formação permanente;
• promovam, entre os Frades, encontros anuais por áreas de interesse;
• testemunhem, em todas as nossas atividades, uma vida fraterna que mostre a igualdade entre os irmãos leigos e os sacerdotes;
• prevejam metodologias de acompanhamento e encontros capazes de sustentar os Frades professos solenes nos primeiros dez anos de sua caminhada vocacional.
54. É necessário elaborar experiências e atividades de formação permanente para estimular os que ocupam postos de animação, em nível local ou provincial. Essas propostas testemunham nosso crescimento no acompanhamento dos Irmãos, seja na caminhada da vida, seja no cumprimento de suas tarefas, que comportam o cuidado de nossa vocação:
• em nível provincial, interprovincial e de Conferência, deve-se promover iniciativas aptas a formar formadores na dimensão humana e, sobretudo, franciscana de nossa vocação;
• em nível provincial, interprovincial e de Conferência devem ser propostas atividades aptas a apoiar o ministério dos Guardiães e dos Ministros provinciais.
55. Neste momento de nossa história, em que muitos de nossos Frades estão em idade avançada, temos necessidade de desenvolver programas pedagógicos que os ajudem em seu envelhecimento, estimulem sua presença em Fraternidade, os acompanhem na doença e os reforcem na perseverança.
56. Sentimos a necessidade de revitalizar o patrimônio intelectual da Ordem através de diversos meios:
• a promoção de vários Centros de Estudo da Ordem, aceitando o desafio de elaborar programas que ajudem os Frades nas áreas da formação permanente intelectual e técnica;
• a promoção dos estudos das Ciências humanas, da Filosofia, da Teologia e da Espiritualidade, de forma a reforçar a contribuição franciscana na evangelização e missão;
• a opção de integrar a Filosofia, a Teologia e a Espiritualidade franciscanas, com todas as suas implicações, em nossa missão, em todos os níveis da formação e nos diversos programas de estudo dos Frades.

Do bom ao melhor na interdependência, internacionalidade e interculturalidade
57.
Em nível de Conferências e de Ordem, precisamos acentuar programas partilhados que sirvam para estimular nosso sentido de pertença a uma Fraternidade interdependente, intercultural e internacional. Esta solidariedade universal na vocação, na fraternidade e na missão deveria incluir:
• atividades de partilha da fé e mútuo apoio em nossa vocação, em nível interprovincial e de Conferência;
• a cooperação por parte dos Moderadores da Formação permanente das Conferências na elaboração de programas de formação;
• o desenvolvimento contínuo de programas para a formação inicial em nível interprovincial;
• o apoio de programas que integram os valores da missão e da evangelização de forma experiencial, como os da Terra Santa, de Assis e de outros lugares de evangelização. Programas que incluem a partilha de nossas necessidades recíprocas, de nossos recursos, de pessoal e de iniciativas missionárias. Entre outros, podem ser mencionados os seguintes exemplos: programas para o aprendizado das línguas oferecidos a outros Irmãos da Ordem e a promoção da partilha de recursos humanos e materiais, colaborando nos projetos da Ordem;
• desenvolver as estratégias de cooperação e de intercâmbio entre as nossas Entidades, considerando-as oportunidade para crescer na união entre nossa vocação, a fraternidade e a missão.

Do bom ao melhor em nossa vocação, como uma Fraternidade em missão
58.
Precisamos empenhar-nos num exame crítico e numa contínua avaliação de nossas atividades ministeriais, de forma a criar novos espaços e experiências que dêem testemunhos concretos à realidade de nossa vocação e missão na Igreja. Isso exigirá, inevitavelmente, a avaliação de nossos ministérios atuais, de maneira a determinar como refletimos nossa vocação profética de religiosos e nossa identidade específica de Frades menores. A questão urgente da necessidade de partilhar os recursos e da reestruturação à qual é preciso dedicar-se em algumas áreas da Ordem nos força a desenvolver modalidades de acompanhamento que respondam às rápidas mudanças e às dificuldades ligadas à própria reestruturação. Eis, a seguir, alguns elementos que nos podem servir de guia nesse processo:
• programas específicos de avaliação, discernimento, reestruturação e ajuda em nível provincial, interprovincial, de Conferências e de Ordem;
• avaliação dos lugares de nossos ministérios e de nossas Fraternidades, sobretudo mediante a análise da possibilidade de tempos de oração e de partilha da fé, nossas dimensões específicas;
• o esforço e a prática para criar Fraternidades nas quais haja um número suficiente de Irmãos, necessário para viver uma vida fraterna;
• a possível publicação, em nível de Ordem, de um plano formativo que identifique as dimensões religiosas e franciscanas de nossa formação para o sacerdócio ministerial e suas implicações para a nossa missão;
• o esforço de elaborar, em nível de Ordem, orientações para o nosso serviço aos bispos e à Igreja local, a fim de preservar e reforçar o específico da dimensão vocacional franciscana a serviço da Igreja e do mundo;
• uma elaboração teológica competente sobre as implicações eclesiológicas de nossa identidade franciscana como Fraternidade em missão a serviço da Igreja e do mundo;
• a criação de novos lugares e obras de evangelização, que comportem a colaboração com os leigos, nosso serviço de Frades menores para aqueles com os quais trabalhamos e nosso chamado a permanecer com os pobres;
• a promoção, na formação permanente e inicial, de programas que consideram o trabalho manual como uma graça, como sinal e instrumento de nossa vocação;
• a partilha, entre nós, de eficientes estratégias de evangelização para as regiões de secularização e para o diálogo inter-religioso.
59. Em todos os nossos programas de formação, permanente e inicial, temos necessidade de aprofundar um sentido mais profundo da evangelização e de reforçar o valor e a prática da colaboração entre as Entidades. Alguns instrumentos para reforçar o sentido da missão poderiam ser: a promoção de experiências missionárias na formação inicial; a orientação para a experiência e para a educação para os diversos métodos de diálogo inter-religioso; o desenvolvimento, em nível interprovincial, de iniciativas comuns na preparação para a profissão solene, a focalização de nosso interesse sobre a missão em nossos encontros interprovinciais, particularmente naqueles que se ocupam de formação permanente.
60. É preciso destacar a igualdade entre todos os Frades que partilham a mesma vocação de serem Frades menores, respeitando sempre os diversos dons e valores que provêem do chamado ao ministério de alguns Irmãos. Isso implicará:
• o desenvolvimento de iniciativas provinciais e interprovinciais que promovam nossa vocação, superando as estruturas que se concentram principalmente sobre o ministério sacerdotal e voltando-se para outros lugares e serviços, que reforcem a prioridade do sinal da fraternidade e a igualdade entre leigos e clérigos em missão. A vida dos pobres e dos marginalizados são lugares privilegiados para dar esse testemunho;
• a promoção de novas formas de missão que dêem maior testemunho ao nosso ser fraternidade de iguais, mediante o desenvolvimento de iniciativas e missões que estimulem o testemunho de nossos irmãos leigos;
• a valorização na prática e a unificação dos esforços, para que na formação permanente e inicial para a missão apareça a igualdade entre Frades leigos e clérigos.