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       São Paulo, 20/11/2008, 15:32          
 
   
Veja a Galeria Igrejinha do Rosário,
a matriz de Vila Velha
 
  Frei Gilmar lembra que a Matriz de Vila Velha não é o Convento da Penha, muito menos o Santuário do Divino Espírito Santo. A matriz é a pequena igrejinha de Nossa Senhora do Rosário, uma obra arquitetônica iniciada em 1535 e que contou com a participação direta de Vasco Fernandes Coutinho, o primeiro donatário da capitania do Espírito Santo. Em maio deste ano, ela completará 472 anos de existência.
Dados históricos registram esta bela igrejinha como sede da Paróquia no século 18, quando a prática religiosa se limitava à páscoa anual, rezas, ladainhas, procissões e catequese. Com a vinda de D. Pedro 2º, em 1860, foi determinado que arranjassem um padre para as celebrações.
No final do século 19, a Igreja se separou do Estado, criando-se o Bispado do Espírito Santo. Em 1940 foi construído o Dispensário São Judas Tadeu, hoje sede social, ao lado da Igreja. Em 1942, a Paróquia foi entregue aos franciscanos da Ordem dos Frades Menores.
Com a inauguração do Santuário do Divino Espírito Santo em 1968, as celebrações na Igreja do Rosário diminuíram e se limitaram aos finais de semana. Somente a partir de 1974, com a implantação dos círculos bíblicos e do dízimo, a comunidade começou a se organizar e a valorizar este templo dos mais antigos da história do Brasil.
A Prefeitura de Vila Velha está restaurando a pracinha em frente à Igreja do Rosário, a mais antiga do Estado do Espírito Santo. Ela foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1950.
   

Por Moacir Beggo

Desde o Capítulo Provincial de 2003, quando a Província Franciscana da Imaculada Conceição começou a organizar os trabalhos sociais através do Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras), a Fraternidade do Divino Espírito Santo, de Vila Velha (ES), estruturou-se rapidamente conforme as normas pedidas por este serviço. Essa adequação, contudo, foi possível graças ao dinamismo de Frei Gilmar José da Silva, que acaba de ser confirmado como guardião desta fraternidade até 2009.
Com o apoio de toda a fraternidade, especialmente de Frei Miguel da Cruz, que também trabalha no Sefras, Frei Gilmar lembra que este trabalho só é possível graças à cooperação e a solidariedade das pessoas desta Paróquia, uma das mais participativas da Província da Imaculada e do próprio estado do Espírito Santo. “Veja o exemplo dos voluntários. Temos 90 pessoas cadastradas e ativas no Sefras daqui”, observa Frei Gilmar.

Esta participação também se reflete na vida pastoral e litúrgica do Santuário do Divino Espírito Santo. Para se ter uma idéia, a igreja, que tem capacidade para duas mil pessoas (1.800 sentadas), chega a lotar em duas missas aos domingos: às 7 da manhã e às 7 da noite. Segundo Frei Gilmar, esta organização e participação no Santuário do Divino Espírito Santo também se refletem nas 12 comunidades que os franciscanos atendem: Nossa Senhora do Rosário, Cristo Rei, Sagrada Família, São Sebastião, Santo Antônio, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Santa Luzia, São Marcos, Jesus Ressuscitado, Cristo Redentor, Jesus Libertador e São Benedito.

Para dar continuidade ao trabalho paroquial de Frei Ladí Antoniazzi, no dia 17 de fevereiro assumiu a Paróquia e Santuário do Divino Espírito Santo Frei Nolvi Dalla Costa. Fazem parte desta fraternidade Frei Vunibaldo Vogel e Frei José Martins Coelho.

Franciscanos - Como surgiu o Sefras do Santuário Divino Espírito Santo?
Frei Gilmar -
Todos os frades que passaram pelo Santuário do Divino Espírito Santo, de Vila Velha, sempre realizaram trabalhos sociais, como exemplo a ‘Farmacinha de Frei Aurélio’, um dos mais antigos. Com a implementação do Serviço Franciscano de Solidariedade - o Sefras -, pela Província da Imaculada, todos os trabalhos sociais realizados por esta fraternidade foram reorganizados conforme as exigências deste novo organismo da Província, que foi criado para se adequar às exigências da Lei de Assistência Social. Fazíamos, sim, muitos trabalhos, mas não de maneira ordenada e não de acordo com aquilo que deveríamos fazer para corresponder aos anseios de uma entidade como a Província.

Franciscanos - O Sefras do Santuário tem quantos projetos hoje?
Frei Gilmar -
Dentre os oito programas criados pelo Sefras Provincial – como Crianças e Adolescentes, Idosos, Famílias, População em situação de rua, Intervenção na Área de Saúde, Formação e Educação para o Trabalho e Renda, Plantão Social de Acolhimento e Articulação e Fortalecimento do Sefras -, nós estamos presentes em sete deles, onde só não temos especificamente um projeto voltado para pessoas em situação de rua ou moradores de rua. Temos trabalhos voltados para adolescentes, através de oficina de teatro, cursos de informática e de línguas; trabalhos ligados à questão da geração de renda e atenção aos desempregados, como o Banco de Empregos, qualificação em serviços domésticos, cursos que capacitam os desempregados com trabalhos prestados em nossas oficinas e curso de qualificação para a construção civil. Esse curso, para se ter uma idéia, surgiu porque muitos cadastrados no banco de empregos não tinham qualificação e éramos procurados por empregadores que queriam pessoas qualificadas para a construção civil. Como um dos voluntários era engenheiro e se prontificou a dar o curso, resolvemos o problema. E as coisas, com a graça de Deus, têm acontecido assim. Os idosos do Grupo Franciscano da Terceira Idade fazem ginástica três vezes por semana, podem participar de cursos de argila, informática básica e cursos de artesanato. Na área de prevenção e atendimento à saúde, temos 10 voluntários: massoterapeuta (2), psicanalista (2), fisioterapeuta (2), 1 psicologa, 1 osteopata, 1, sociopsicomotricista e 1 psicoterapeuta. No ano passado, cerca de 5 mil pessoas foram beneficiadas com a entrega de 1.671 cestas básicas. Esse trabalho, contudo, é feito com o cadastramento e visita das famílias. Dentro do programa de fortalecimento do Sefras, promovemos a ‘Semana da Paz’, através de passeatas, carreatas e celebrações.

Franciscanos - Como é a ‘Farmacinha Frei Aurélio’ que o Sr. citou?
Frei Gilmar -
Entre esses trabalhos de prevenção e atendimento à saúde está a ‘Farmacinha de Frei Aurélio’, que é uma farmácia de remédios fitoterápicos. Ela se difere das demais farmácias da Pastoral da Saúde porque está ligada ao Sefras, aos nossos trabalhos sociais nesta comunidade franciscana. E nós temos, assim, um carinho muito grande por esta ‘farmacinha’ devido à quantidade de pessoas que são atendidas e que vêm receber, gratuitamente, os remédios. Muitos voltam depois para fazer doações e relatar as curas alcançadas pelos remédios. Muitos deles com fórmulas que foram criadas pelo Frei Aurélio, onde a Dª Umbelina é a única que sabe a fórmula e tem isto guardado a sete chaves. Aliás, Dona Umbelina é a nossa voluntária mais antiga, com 24 anos de serviços prestados à Pastoral da Saúde e, de maneira mais direta, à ‘Farmacinha Frei Aurélio’.

Franciscanos – Pelo que se pode observar, o trabalho voluntário é muito forte no Sefras daqui?
Frei Gilmar –
Nós temos a graça de hoje o Sefras do Divino Espírito Santo contar com 89 voluntários ativos e cadastrados. Temos a graça de poder contar com profissionais qualificados e que, com generosidade, oferecem seus serviços e seu tempo. Temos pessoas ligadas a projetos de geração de renda, onde dão cursos de qualificação; temos voluntárias na ‘Farmacinha Frei Aurélio’, tanto na recepção como no manuseio dos remédios; na Casa Franciscana temos voluntários na recepção, na informática, na parte dos cursos de artes e oficinas em geral – muitos deles para a Terceira Idade – e temos também 13 advogados que dão assistência jurídica, só para citar alguns.

Franciscanos – Por que os projetos deste Sefras são mais voltados para a qualificação humana?
Frei Gilmar –
Olhando a realidade de Vila Velha, fez-se necessário sempre suprir a necessidade da falta de qualificação daqueles que nos procuram. Por isso, além do Banco de Empregos, temos uma série de cursos visando este aprendizado antes do encaminhamento para as empresas. E faz-se necessário também dizer que os trabalhos sociais normatizados pelas leis sociais e orientados pelo Sefras Provincial nos pede que os trabalhos não sejam totalmente assistencialistas.

Franciscanos – O projeto “Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase” também teve boa divulgação aqui?
Frei Gilmar –
Dentre todos os trabalhos ligados ao Sefras, é muito forte o nosso trabalho pela eliminação da hanseníase. O Provincial e o Sefras solicitaram que as fraternidades pudessem fazer trabalhos ligados à prevenção e à conscientização a respeito da hanseníase. Em novembro de 2005, fizemos um grande encontro onde a Secretaria de Saúde do Município de Vila Velha, com profissionais ligados a ela, vieram e deram formação para nossas lideranças da Pastoral da Criança, da Pessoa Idosa e a Pastoral da Saúde. Também naquele ano tivemos uma palestra de conscientização e formação da hanseníase para a Pastoral da Juventude e, no ano seguinte, mais precisamente em fevereiro, fizemos uma grande campanha com lideranças das pastorais, especialmente da Juventude, em um dos bairros de nossa paróquia, onde temos vários casos de hanseníase registrados. E num dia marcado – que se chamou ‘Dia da Mancha’ – médicos e profissionais da saúde lá estiveram examinando as pessoas. Então, foi um trabalho muito proveitoso. Daí em diante, continuamos fazendo formação, auxiliando e dando apoio técnico e também ajudando com recursos materiais a secretaria da Saúde em um dos bairros onde a situação é endêmica, que é a Terra Vermelha, na Barra do Jucu. Estivemos lá dois sábados dando formação para as lideranças. A partir disso, temos um convênio assinado com a Prefeitura e estamos também recebendo um curso de qualificação oferecido pela NLR, que tem parceria com o Estado. Este curso é para profissionais e entidades que trabalham pela eliminação da hanseníase.

Franciscanos – Como é a vida de guardião neste Santuário do Divino Espírito Santo?
Frei Gilmar –
A vida do guardião é muito intensa porque são vários serviços que estão sob a sua competência. Primeiramente, todos os serviços sociais estão ligados diretamente à figura do guardião, que também deve atender aos necessitados. Então, qualquer pedinte que chegue hoje na nossa fraternidade, será orientado a vir no dia em que o guardião está fazendo atendimento. E esta fraternidade está inserida dentro de uma das maiores paróquias da nossa Província em movimento. A figura do guardião é uma figura que tenta congregar e unificar a vida provincial à vida pastoral diocesana. E precisamos, então, cuidar para que a vida pastoral não venha diminuir aquilo que deve ser uma busca nossa como fraternidade. E na medida do possível, nós correspondemos procurando viver tudo aquilo que é nosso: a fraternidade, os momentos de encontro, formação, capítulo, retiro e encontro regional.

Franciscanos – Me surpreendi com a intensidade, vibração, participação desta paróquia nas atividades pastorais, especialmente nas litúrgicas. É sempre assim?
Frei Gilmar –
É a maior paróquia em movimento – não digo em número de comunidades –da Arquidiocese. Sobre a vida pastoral, todas as comunidades que atendemos são bem participativas, tanto em número quanto em qualidade. Na Arquidiocese também temos muitas outras paróquias em que a freqüência e a qualidade são boas, mas não como a do Santuário.

Franciscanos – Qual a capacidade que tem a igreja do Santuário?
Frei Gilmar –
Duas mil pessoas chegam a lotar a igreja, mas sentadas temos bancos para 1.800 pessoas.

Franciscanos – Quantas são as comunidades?
Frei Gilmar –
A partir deste mês de fevereiro de 2007 estamos com 13 comunidades, incluindo a do Santuário. Até janeiro de 2007, estávamos com 18. Mas uma nova paróquia surgiu a partir de nossas comunidades.

Franciscanos – O Regional do Espírito Santo, com duas fraternidades, é o menor da Província e facilita os encontros?
Frei Gilmar –
Nós procuramos estar juntos todos os momentos fraternos, especialmente nos grandes acontecimentos franciscanos. Todo aniversário de um confrade, nós também comemoramos juntos, aqui ou no Convento da Penha.