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       São Paulo, 13/02/2012, 07:48          
 
 

Carta do Ministro Geral pelo 20º aniversário
do "Espírito de Assis"

Queridos irmãos e irmãs, O Senhor te dê a Paz!

Vinte anos atrás, o servo de Deus João Paulo II tomou a iniciativa de convocar, em Assis, os representantes das várias confissões cristãs e de diversas religiões para implorar ao único Deus de todos o dom da paz, para reafirmar juntos o comum desejo de viver em harmonia, e para compreender, diante do Senhor, como sermos construtores da paz no pensamento, no coração e na ação. Aquele 27 de outubro de 1986 “significou uma vibrante mensagem em favor da paz, e se revelou como um evento destinado a deixar um sinal na história” (Bento XVI, Mensagem por ocasião do 20º aniversário do Encontro Inter-religioso de oração pela paz em Assis, 2 de setembro de 2006).

De modo particular, João Paulo II, sempre que se produziam atos terroristas, guerras, desespero, injustiças, dúvidas e incompreensões, que colocaram seriamente em risco o destino da humanidade, propôs aos que têm fé e aos homens de boa vontade, que peregrinassem a Assis, e os convidava em muitas circunstâncias, a se inspirar, para a construção de um mundo mais justo e solidário, no “espírito de Assis”.

Por que Assis? Na última peregrinação, no dia 24 de janeiro de 2004, e não somente na última, o mesmo João Paulo II respondia: “Nos encontramos em Assis onde tudo fala de um singular profeta da paz, chamado Francisco”. E o testemunho que Francisco “deu em seu tempo - confirma Bento XVI em sua mensagem citada - é um natural ponto de referência para todos os que hoje cultivam o ideal da paz, o respeito à natureza, o diálogo entre as pessoas, entre as religiões e as culturas”. Ponto de referência e de estímulo para todos aqueles que de fato se interessam pelo futuro da família humana e da “causa” do homem, e de maneira particular, para nós, franciscanos, que fomos gerados pelo “espírito de Assis”, e somos seguidores do Poverello, que encarnou “de maneira exemplar as bem-aventuranças proclamadas por Jesus no Evangelho: ‘Felizes os que trabalham pela paz, porque serão chamados de filhos de Deus’.

Mensagem do Papa Bento 16 por ocasião do 20º aniversário do Encontro Inter-religioso pela Paz em Assis

Ao venerado irmão
Dom Domenico Sorrentino
Bispo de Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino

Celebra-se este ano o vigésimo aniversário do Encontro Inter-religioso de Oração pela Paz, convocado por meu venerado predecessor João Paulo 2º, em 27 de outubro de 1986, na cidade de Assis. Ele não só convidou para aquele encontro os cristãos das diferentes confissões, mas também os expoentes das diferentes religiões. A iniciativa teve um amplo eco na opinião pública: foi uma mensagem vibrante a favor da paz e se converteu em um acontecimento que deixou uma marca na história de nosso tempo. Compreende-se, portanto, que a lembrança do que então sucedeu continue suscitando iniciativas de reflexão e de compromisso. Algumas foram organizadas precisamente em Assis, por ocasião do vigésimo aniversário daquele acontecimento. Penso na celebração, organizada em colaboração com essa diocese, pela Comunidade de Santo Egídio, seguindo os passos de análogos encontros realizados anualmente pela mesma.

Nos dias do aniversário se celebrará também um Congresso organizado pelo Instituto Teológico de Assis, no qual se encontrarão as Igrejas particulares dessa região em torno da Eucaristia celebrada pelos bispos da Úmbria na Basílica de São Francisco. Por último, o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso organizará um encontro de diálogo, de oração e de formação na paz para jovens católicos e de outras religiões.

Estas iniciativas, cada uma com seu caráter específico, sublinham o valor da intuição que João Paulo 2º teve e mostram sua atualidade à luz dos acontecimentos ocorridos nestes vinte anos e da situação que a humanidade atravessa nestes momentos. O acontecimento mais significativo neste espaço de tempo foi, sem dúvida, a queda, no Leste da Europa, dos regimes de inspiração comunista. Com esta, terminou a "guerra fria", que havia gerado aterradores arsenais de armas e de exércitos preparados para uma guerra total.

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