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SÃO FRANCISCO HOJE
Paulo Evaristo, Cardeal Arns
Ser franciscano não é apenas conteúdo.
É espírito, maneira de ver as coisas, de vivê-las,
de assumi-las e de equacionar os grandes conflitos de vida
e de morte. Isto Francisco fez em sua época e o faria
hoje, aqui e agora. Por isso ele é grande e universal.
Fascinará qualquer pessoa em qualquer época,
pelo seu jeito de ser: pobre, serviçal, gratuito,
fraterno e por conseguinte Menor. Francisco não teve
nenhuma pretensão, a não ser dar-se. Quis
estar junto do outro. Ser Menor, pequeno, para entender
a grandeza do outro, não o atropelando em sua dignidade.
Viveria certamente hoje na América Latina uma busca
contínua de comunhão com Deus, através
de tudo e de todos os seres criados. Tornaria o Evangelho
vivo e encarnado, comprometido com o oprimido e o marginalizado
de nosso tempo.
Daria sem dúvida sua adesão total às
linhas de ação assumidas pela Igreja. Imcumbir-se-ia
da tarefa de reconstituição original da Igreja
cristã. Cultivaria profundo respeito para com a pessoa
humana, construindo a fraternidade no amor, unindo os homens
entre si, como irmãos, numa mesma igualdade de bens.
Correria ao encontro do "leproso" da América
Latina, na pessoa do analfabeto, desempregado, marginalizado,
oprimido, posseiro ou menor abandonado. Lutaria pela união
das Igrejas, reunindo as forças, particularmente
as da juventude, para a renovação da única
Esposa de Jesus Cristo. Buscaria sem cessar a face deste
mesmo Cristo.
Viveria como um homem simples, fraco, o menor de todos,
e sempre atento, superando as próprias limitações.
Apareceria certamente como verdadeiro revolucionário,
homem de profunda fé, coragem, humildade, amor e
compreensão, em relação à conquista
de verdadeiros valores. Francisco seria capaz de ser muito,
sem ter nada!
Enfrentaria os problemas de conflito sempre sob o imperativo
da bondade. Seguindo o caminho do pastor, que toma nos ombros
a ovelha fraca e a alimenta. Isto, porque nele existe a
percepção profunda de que em cada homem há
um brilho de Deus, que nenhum pecado pode apagar. Nada é
absolutamente perdido, nem o pior dos pecadores.
Nunca se ouviu dizer que Francisco condenasse a sociedade
de seu tempo, mas também nunca se soube que ele deixasse
de melhorar o que estava errado. Para construir uma sociedade
fraterna reformou sua própria vida, soube confiar
mais em Deus que em si e nos outros. "Meu Deus e meu
Tudo!" - foi de inspiraçãoi bíblica
e exprimiu o mais profundo de todos os seus anseios.
Dele podemos ouvir: "O mundo está em suas mãos.
Ou você se salvará com ele ou ele se perderá
com você". Portanto, reler nossa realidade com
os olhos de Francisco é perceber que a ação
transformadora de Deus passa pelo coração
dos homens.
Sua mensagem continua vigorosa e irresistível!
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