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A perfeição pode ser deste mundo
"Francisco de Assis foi, de fato, uma réplica
humana de Jesus. As humanas razões dessa grandeza
são tamanhas, que, dificilmente, e vãmente,
se procurará na história da humanidade outro
homem igual.
A todos, aos maiores, os que assombram como gênios,
heróis, mesmo santos, distingue uma qualidade, que
obriga e impõe à admiração:
neste confluem todas. Com efeito, a sensibilidade que faz
o poeta ou o santo; a inteligência, que faz o gênio
que impressiona ou converte, persuadindo; a vontade, que
domina e faz o político e o diretor de consciências,
todas essas faculdades excessivas que dão grandeza
aos homens, ainda quando singulares, ou insignemente desenvolvidas,
se encontram, complexamente, e no seu limite humano de desenvolvimento,
atingidas por Francisco de Assis... Daí a sua grandeza.
Incomparável. Único. O homem que mais se aproximou
da divindade... À sociedade medieval prega a reforma,
repondo no coração, na memória, na
ação dos homens, o Evangelho.
Cristo ressuscitou segunda vez, desta vez para o mundo,
diríamos, se a frase pudesse ser ortodoxa. Mas tivemos
dele a réplica perfeita. O céu aproximou-se
da terra. A pobreza era a pena de todos? A pobreza foi alçada
a ideal. Para que bens pessoais? Para os ter de guardar
à mão armada? As desavenças entre os
homens, a guerra entre os povos vêm da posse. Sem
a propriedade não haveria nem a miséria nem
a guerra.
São Francisco é a maior lição
que o homem já deu à humanidade: a perfeição
é possível neste mundo. Um homem aproxima-se
de Deus. Jesus tem, viva, a sua verônica".
De Afrânio Peixoto, em "A perfeição
pode ser deste mundo: São Francisco de Assis".
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