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A explicação da obra de Frei Dito
Elementos do Crucifixo:
O formato é do crucifixo de S. Damião (crucifixo
bizantino com influência ciríaca); no entanto, o crucifixo
de S. Francisco é fruto da interposição da cruz de Jesus
(S. Damião), e a de Francisco (Tau), esta feita em dourado,
enquanto aquela guarda as cores preta e vermelha das laterais.
Na parte superior do crucifixo, vê-se a realidade
celeste. Do semicírculo (mistério do Pai) saem as mãos dos
Pai que envia novamente seu Espírito (pomba) com o fogo
(dons) e o vento (ar) pairar sobre a água da qual emerge
a terra. Os quatro elementos estão novamente harmonizados
e pacificados, redimidos. A pomba e os ramos verdes (esperança
e paz) e os três peixes (plenitude da vida transformando
o caos), são símbolos da boa-nova de Francisco - parte inferior
do crucifixo.
As três pombas (nos braços e sob os pés), representam
a plena paz e não-violência vividas e pregadas por São Francisco:
mensagem salvífica estendida a toda a criação, a todos e
a tudo que existe no universo, representados pelo irmão
sol, a irmã lua e as irmãs estrelas (nas extremidades das
mãos).
O seguimento do evangelho por S. Francisco (boa-nova
a todo o universo) está representado à esquerda do santo:
Clara, primeira mulher franciscana e plantinha dileta, com
as mãos indica as chagas. Leão, ovelhinha de Deus, irmão,
fiel discípulo e enfermeiro de S. Francisco, o aponta como
exemplo a ser seguido, como ele próprio o fez com fidelidade
até o fim de sua vida. Por fim, o menino frade (cuja lembrança
foi perpetuada em Fioretti 17), que com muito amor e admiração
por S. Francisco, cresceu em sua imitação (em idade, graça
e sabedoria), passando à eternidade em fama de santidade
(na ponta dos pés: entusiasmo no seguimento de S. Francisco).
A mensagem franciscana continua (ou deveria continuar)
sendo vivida por seus seguidores(as) de hoje e de sempre
(lado direito), chamados à identificação e serviço aos leprosos
de nosso tempo e de tempos vindouros. Chamados a anunciar
que toda a criação tem futuro, que é chamada a viver com
harmonia e paz (lobo e ovelha; pombos e falcão); que será
também redimida, eternizada.
Assim, na parte superior, de um lado das mãos do
Pai, está Jesus Cristo, que, com sua cruz (+) redime o gênero
humano. Do outro lado está Francisco, imagem do Cristo,
com sua mensagem de paz. Com sua cruz (T), lembra o destino
de todo o universo (sol, terra, lua...) à eternidade. A
paz universal (entre toda a criação e entre homens e mulheres
de todas as raças, línguas e religiões) representada pelo
lobo e o cordeiro. A rosa de Assis (branca e vermelha, sem
espinhos) representa o amor radical e incondicional de Francisco,
amor que participa da redenção operada por Jesus.
Francisco, na verdade, paira em forma de cruz,
tocando com sua presença toda a criação, de seu nascimento
à eternidade, tocando também a história humana, com homens
e mulheres que caminham neste mundo até o retorno à casa
do Pai.
Todo o crucifixo é emoldurado por conchinhas douradas,
símbolos da eternidade gloriosa da qual o menor entre os
menores participa no céu.
Em S. Francisco se vê o homem verdadeiramente novo,
o homem do paraíso, crístico, que, ao fim da vida, traz
no corpo os sagrados estigmas, sinais na carne de sua pessoa
divinizada, símbolos do extremo amor a tudo que existe.
Não levado à cruz, mas profunda e inteiramente identificado
com ela. Crucifixão mística (por opção). Francisco restaura,
amplia e aperfeiçoa a Igreja. Em Francisco, o evangelho
se abre a todo o universo. Todas as dimensões da existência
humana, destinadas à pacificação e à redenção, encontram-se
figuradas no peito aberto de Francisco.
O Cristo manifestou-se novamente, visitou nossa
realidade humana e universal na pessoa do pobrezinho de
Assis.
Frei Benedito G. Gonçalves
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