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       São Paulo, 13/02/2012, 03:48          
 
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A explicação da obra de Frei Dito

Elementos do Crucifixo:

• O formato é do crucifixo de S. Damião (crucifixo bizantino com influência ciríaca); no entanto, o crucifixo de S. Francisco é fruto da interposição da cruz de Jesus (S. Damião), e a de Francisco (Tau), esta feita em dourado, enquanto aquela guarda as cores preta e vermelha das laterais.

• Na parte superior do crucifixo, vê-se a realidade celeste. Do semicírculo (mistério do Pai) saem as mãos dos Pai que envia novamente seu Espírito (pomba) com o fogo (dons) e o vento (ar) pairar sobre a água da qual emerge a terra. Os quatro elementos estão novamente harmonizados e pacificados, redimidos. A pomba e os ramos verdes (esperança e paz) e os três peixes (plenitude da vida transformando o caos), são símbolos da boa-nova de Francisco - parte inferior do crucifixo.

• As três pombas (nos braços e sob os pés), representam a plena paz e não-violência vividas e pregadas por São Francisco: mensagem salvífica estendida a toda a criação, a todos e a tudo que existe no universo, representados pelo irmão sol, a irmã lua e as irmãs estrelas (nas extremidades das mãos).

• O seguimento do evangelho por S. Francisco (boa-nova a todo o universo) está representado à esquerda do santo: Clara, primeira mulher franciscana e plantinha dileta, com as mãos indica as chagas. Leão, ovelhinha de Deus, irmão, fiel discípulo e enfermeiro de S. Francisco, o aponta como exemplo a ser seguido, como ele próprio o fez com fidelidade até o fim de sua vida. Por fim, o menino frade (cuja lembrança foi perpetuada em Fioretti 17), que com muito amor e admiração por S. Francisco, cresceu em sua imitação (em idade, graça e sabedoria), passando à eternidade em fama de santidade (na ponta dos pés: entusiasmo no seguimento de S. Francisco).

• A mensagem franciscana continua (ou deveria continuar) sendo vivida por seus seguidores(as) de hoje e de sempre (lado direito), chamados à identificação e serviço aos leprosos de nosso tempo e de tempos vindouros. Chamados a anunciar que toda a criação tem futuro, que é chamada a viver com harmonia e paz (lobo e ovelha; pombos e falcão); que será também redimida, eternizada.

• Assim, na parte superior, de um lado das mãos do Pai, está Jesus Cristo, que, com sua cruz (+) redime o gênero humano. Do outro lado está Francisco, imagem do Cristo, com sua mensagem de paz. Com sua cruz (T), lembra o destino de todo o universo (sol, terra, lua...) à eternidade. A paz universal (entre toda a criação e entre homens e mulheres de todas as raças, línguas e religiões) representada pelo lobo e o cordeiro. A rosa de Assis (branca e vermelha, sem espinhos) representa o amor radical e incondicional de Francisco, amor que participa da redenção operada por Jesus.

• Francisco, na verdade, paira em forma de cruz, tocando com sua presença toda a criação, de seu nascimento à eternidade, tocando também a história humana, com homens e mulheres que caminham neste mundo até o retorno à casa do Pai.

• Todo o crucifixo é emoldurado por conchinhas douradas, símbolos da eternidade gloriosa da qual o menor entre os menores participa no céu.

• Em S. Francisco se vê o homem verdadeiramente novo, o homem do paraíso, crístico, que, ao fim da vida, traz no corpo os sagrados estigmas, sinais na carne de sua pessoa divinizada, símbolos do extremo amor a tudo que existe. Não levado à cruz, mas profunda e inteiramente identificado com ela. Crucifixão mística (por opção). Francisco restaura, amplia e aperfeiçoa a Igreja. Em Francisco, o evangelho se abre a todo o universo. Todas as dimensões da existência humana, destinadas à pacificação e à redenção, encontram-se figuradas no peito aberto de Francisco.

• O Cristo manifestou-se novamente, visitou nossa realidade humana e universal na pessoa do pobrezinho de Assis.

Frei Benedito G. Gonçalves