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Aspectos da Espiritualidade
e do Apostolado
Dom Frei Caetano Ferrari
1 - Místico e Contemplativo: Homem de oração
e devoto de Nossa Senhora
Frei Galvão distingui-se, primeiramente, por
uma rica "espiritualidade franciscana e mariana".
Um verdadeiro filho de São Francisco: homem
de oração, de vida simples e penitente.
Um devoto apaixonado de Nossa Senhora: no dia em que
professou na Ordem, fez "juramento de defesa
à Imaculada Conceição" como
era costume naquele tempo. Os Frades eram defensores
do privilégio da Conceição Imaculada,
cujo dogma só foi proclamado em 1854. Mas,
4 anos depois da ordenação, aprofundou
aquele compromisso, assinando com o próprio
sangue uma "Cédula irrevogável
de filial entrega a Maria Santíssima, minha
Senhora, digna Mãe e Advogada", pela qual
consagrava-se "como filho e perpétuo escravo"
da Mãe de Deus.
Era uma espiritualidade que nasceu e se alimentava
de uma forte experiência de Deus. E se manifestava
em convicções e atitudes muito claras
e firmes: absoluta confiança na Providência
Divina e submissão total à vontade de
Deus.
A partir dessa base, dá para entender bastante
bem de seu comportamento e ações. Era
de obediência irrestrita. Nomeações
e transferências: logo as assumia e se punha
a cumprir. Decisões de autoridades a seu respeito:
obedecia sem pestanejar. Vejam-se, por exemplo, a
nomeação e transferência para
o Noviciado de Macacu, a ordem do Governador quanto
ao fechamento do Mosteiro e quanto a sua expulsão
da cidade, etc. O que entendia ser vontade de Deus,
como as inspirações da Irmã Helena,
corria para pôr em prática. Por traz
havia sempre a serenidade de quem confia em Deus.
Podem ser vistas como expressões fortes da
mística e contemplação de Frei
Galvão sua luta e empenho, por mais de 40 anos,
em favor da fundação do Recolhimento
da Luz e da formação e direção
espiritual das Irmãs para a vida contemplativa,
e sua fidelidade, por 60 anos, ao juramento de servir
à causa da Conceição Imaculada
e propagar sua devoção.
2 - Pregador e Missionário itinerante:
Apóstolo de São Paulo
Impulsionado pelo amor de Deus, que trazia no coração,
Frei Galvão foi o grande pregador e anunciador
da Palavra de Deus, tendo como centro de sua ação
evangelizadora a cidade de Paulo. Logo que terminou
os estudos, foi eleito em Capítulo Provincial
"Pregador, Confessor e Porteiro" no Convento
São Francisco. A sua pregação
estava sempre aliada com o contato direto com o povo:
a acolhida no Confessionário e Portaria, sua
bondade e compreensão, seus conselhos e orientações,
seu socorro e ajuda aos necessitados, enfermos e sofredores.
Pouco a pouco sua fama atravessou fronteiras.
Sempre a pé, andou a pregar por muitas localidades
fora da cidade: Sorocaba, Porto Feliz, Itu, Taubaté,
Parnaiba, Indaiatuba, Mogi das Cruzes, Paraitinga,
Pindamonhangaba, Guaratinguetá. A serviço
da Província, viajou para mais longe: ao Rio
de Janeiro, mais de uma vez, e chegou até Castro,
Paraná, como Visitador da Ordem. As viagens,
feitas a pé, se transformavam em roteiros missionários
de pregação às diversas localidades.
Em todos os lugares anunciava o Evangelho e a devoção
à Imaculada. Ao passar por Piraí do
Sul, indo para Castro, deixou a estampa de Nossa Senhora
das Brotas, que lá se encontra na Capela das
Brotas, e é venerada até os dias de
hoje. Não seria exagerado dizer que a devoção
à Nossa Senhora da Imaculada Conceição
de Aparecida, a partir de seu Santuário na
pequena cidade do Vale do Paraíba e ao lado
de Guaratinguetá, tivesse sido alimentada pelo
trabalho de difusão desta devoção
por parte de Frei Galvão.
Frei Galvão foi chamado "Apóstolo
de São Paulo". Sua pregação
tocava as pessoas e era acolhida pelo povo de todos
os lugares, que para ouvi-lo se reunia em multidão.
Como Comissário da Ordem Terceira de São
Francisco, eleito por duas vezes, cuidou de formar
os Irmãos na vivência do ideal franciscano
como caminho de santificação e de verdadeiro
apostolado leigo.
3 - Confessor e Conselheiro: Missionário
da paz e da caridade
O maior bem que Frei Galvão trazia no coração
era Deus. Este bem ele distribuía a quem o
procurava. As pessoas da cidade e de longe vinham
a procura de Frei Galvão para se confessar,
para buscar seu conselho e orientação
de vida. Ele se destacou como confessor e conselheiro
do povo. Portador da bênção e
do perdão de Deus, só podia mesmo trazer
a paz: a paz da reconciliação com Deus,
a paz da pessoa com outra pessoa, a paz na família,
a paz na sociedade. Em Itu, deu-se o caso de pacificação
de uma família que se costuma contar. Ele era
um conselheiro sábio, prudente, maduro, mais
do que isso, cheio de Deus. Por isso mesmo era considerado
"Homem virtuosíssimo" e foi chamado
"Homem da paz".
Além de Confessor do povo, dedicou parte importante
de sua vida, primeiro como Confessor e Atendente das
Irmãs Carmelitas, no Recolhimento Santa Teresa,
depois, até o fim da vida, como Confessor e
Diretor espiritual das Irmãs Concepcionistas
do Recolhimento da Luz. Para o Recolhimento da Luz
foi tudo: co-fundador com a Irmã Helena, construtor,
arquiteto, pedreiro, esmoler, sustentador, Confessor,
Capelão e Orientador espiritual.
Embora sendo pacífico e pacificador, era defensor
da justiça. Basta lembrar o caso da condenação
à morte do soldado conhecido pelo nome de "Caetaninho".
Frei Galvão não hesitou em pôr-se
declaradamente em sua defesa, não obstante
o confronto inevitável com o Governador da
Capitania que ordenara a condenação,
uma condenação injusta e arbitrária.
Se era todo amor para Deus, era-o também para
os necessitados. Aprendera em família a dar
esmolas. Conta-se que, em criança, dera uma
toalha de crivo e bordado da Mãe a um pobre
que pedia esmolas. Acostumara a ser generoso, sobretudo
com os pobres e necessitados. Conta-se também
que ao tempo da construção do Mosteiro
da Luz passava toda semana pelos bares das proximidades
e pagava as dívidas dos serventes da obra,
que eram negros escravos.
O povo o amava e o defendia. Assim aconteceu quando
o Governador por vingança decretara o desterro
de Frei Galvão. O povo cercou a casa do Governador
que se viu obrigado a revogar a sentença. Com
razão o povo distinguiu Frei Galvão
com o nome de "Homem da caridade".
Por todos estes títulos, o povo considerava
Frei Galvão um santo, e sendo assim, ainda
em vida, todos o chamavam "Padre Santo".
Fama esta que não se extinguiu depois da morte,
mas perdurou por todo o tempo e o está levando,
finalmente, à Beatificação.
Para a glória da Ssma. Trindade, o louvor da
Imaculada Conceição, a honra de São
Francisco e o bem de todos nós franciscanos
e franciscanas e de todo o povo de Deus. Assim Seja!
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