O velho e conhecido tema que está
presente hoje nas reflexões: crise da modernidade ou pós-modernidade.
Será que nós estamos na crise da modernidade como
alguns dizem ou já estamos na pós-modernidade? O que
seria isso? Pessoalmente, acredito que já saímos da
modernidade e estamos hoje na pós-modernidade. Porque tudo
faz parte deste longo processo de mudanças, de conflitos,
de intercâmbios.
A modernidade nos trouxe a modernização, a industrialização,
a tecnologia, a cientificidade, a produção, o mercado,
o consumismo. Os segmentos bem definidos, a especialização.
A modernidade nos trouxe os blocos de
interesses, os blocos de poder, os blocos de mercado bem definido,
a tal ponto que estamos dentro de uma Feira religiosa-católica
(2ª Expo-Católica). Hoje, estamos aqui porque nós
somos filhos e filhas da própria proposta mercantilista da
modernidade, que também atinge o espaço religioso
e onde cada um tem a sua fatia. Isto caracterizou a modernidade
e nós todos sabemos muito bem, pois estamos saindo deste
processo.
FRASES
" Existe um livro de Marcos
Noronha, um bispo de Belo Horizonte, falecido há
quatro anos, chamado "Marcos Noronha e a Igreja",
onde através de uma imagem alegórica esse
poeta mineiro de Itapira,
como ele é, coloca
essa questão, dizendo para nós que quando
a Igreja vai à praça os outros já
estão lá."
"Quando deixamos de falar,
o mercado fala. Então, a pós-modernidade
trouxe a possibilidade de somar todas as experiências,
inclusive
a mística"
Agora, quando falamos de pós-modernidade,
qual é a sua característica? É que ela é
uma soma : tudo pode ser acoplado. Ela já começa a
trabalhar toda essa explosão da funcionalidade com uma certa
mística, com uma certa espiritualidade. E pasmem: quem descobriu
isto primeiro foram as empresas e não nós. Porque
na nossa experiência de eclesiologia, sempre chegamos depois.
Existe um livro de Marcos Noronha, um
bispo de Belo Horizonte, falecido há quatro anos, chamado
"Marcos Noronha e a Igreja", onde através de uma
imagem alegórica esse poeta mineiro de Itapira, como ele
é, coloca essa questão, dizendo para nós que
quando a Igreja vai à praça os outros já estão
lá.
Então, nós temos também, dentro deste nosso
processo aqui, da especificidade deste seminário, lembrar
que a preocupação deste seminário é
fazer com que a gente chegue junto. Porque as empresas criaram através
da neurolinguística, da qualidade total, o resgate de valores
que eram nossos, cristãos.
Quando deixamos de falar, o mercado fala.
Então, a pós-modernidade trouxe a possibilidade de
somar todas as experiências, inclusive a mística. Tudo
pode ser acoplado. Tudo pode ser uma Ong. Tudo pode viver o seu
lugar, onde pode brilhar a prática. Um seminário como
este é a iluminação da prática.
Portanto, nós estamos aqui numa
proposta pós-moderna. Modernidade e pós-modernidade
trilham de um modo muito especial no nosso jeito, jeito brasileiro.
Por que estou dizendo isto? Porque vocês não vêm
de um espaço étnico exclusivo. Vocês vêm
de uma realidade paroquial, comunitária, de uma vivência
religiosa dentro de uma congregação, ordem, instituto,
fundação, onde estão as suas casas e, neste
espaço, diocesano, brasileiro, cultural, paroquial, geográfico,
nós temos um mix de etnias e culturas.