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"A civilização
hoje é a civilização do ter. Mas
vocês vão dizer: isso é redundância.
Mas aqui, gostaria de colocar uma questão diferente.
A civilização de ter. Isso provoca uma
desigualdade não só
no espaço do limite onde trabalhamos, mas isso
provoca um desastre
no mundo inteiro"
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"Mas nós sofremos
a tentação do narcisismo imediato, porque
nós esquecemos que a estrela da evangelização
é Maria, apenas."
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INTERNACIONALIZAÇÃO
DAS RELAÇÕES
E aí nós vamos avançar
mais um ponto, tendo ainda presente algumas características
que já sabemos, mas é importante que, através
da lucidez crítica, a gente retome a reflexão sobre
a nossa presença lá de onde nós viemos.
Em primeiro lugar,
uma das características da pós-modernidade é
internacionalização das relações. Nós
estamos dentro de uma dinâmica da teia mundial, de uma rede.
Até o espaço do comércio está numa rede,
dirigida por três grandes grupos, como nós conhecemos,
o norte-americano, o europeu, o asiático.
Se nós
olharmos bem cada estande desta Feira, temos reflexos, a grife e
o modelo bem presente deste três blocos. Característica
também bem presente da pós-modernidade é a
exclusão em vez da inclusão, quando vocês são
portadores de um projeto de inclusão de onde vieram.
É a prática
de vocês, que é de inclusão. Característica
da pós-modernidade é o aumento de distância
entre os que têm e os que não têm.
Isto está
presente na análise de um livro fabuloso, chamado "Homeless",
que são os desafortunados, da coleção publicada
pelas Vozes no Brasil. O autor diz que a exclusão criou um
tipo original e autêntico de cidadania. Cidadão é
aquele que vive a cidade e que não somos nós. Nós
temos medo da cidade. Nós fugimos da cidade, nós fomos
expulsos da cidade pelas máquinas, pelos prédios.
O estacionamento
é mais importante que você. Até na sua paróquia,
se não houver estacionamento, há o fracasso de público.
De modo que a cidade não é feita mais para você.
É feita para o funcional.
Dentro deste aspecto,
o autor tem razão. Os desafortunados são aqueles que
vivem esta distância entre os que têm e os que não
têm. Característica deste momento que estamos vivendo.
Dias atrás,
depois do último conflito urbano no Rio de Janeiro, a repórter
da Bandeirantes chegava diante de Leonardo Boff (ex-frade da Província)
e dizia para ele: "O que você acha desta questão
da violência urbana mais uma vez presente aqui neste lugar?".
Ele dizia: "Você acha isto uma novidade?". Em termos
de Brasil, ele respondia, isto tem 500 anos. A nossa história
é uma história de 500 anos dos que estão dentro
e dos que estão fora. A diferença, neste lugar, é
que os que estão fora se armaram. E essa realidade talvez
não esteja longe dos limites da prática de onde você
veio.
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Hoje, característica
também da pós-modernidade são pequenos e grandes
projetos empresariais. A gente sabe que as estruturas governamentais
se organizaram muito mais rapidamente do que nós, talvez
no momento dos poupadores. Há a exclusão do desemprego,
o uso do conhecimento ainda não é acesso para todos,
a destruição do equilíbrio ecológico,
tudo faz parte deste momento: o empobrecimento rápido do
fluxo migratório, guerras e tensões localizadas, o
mercado determina a história da humanidade dos povos, o governo
local parte para convênios em níveis continentais e
até internacionais.
A civilização
hoje é a civilização do ter. Mas vocês
vão dizer: isso é redundância. Mas aqui, gostaria
de colocar uma questão diferente. A civilização
de ter. Isso provoca uma desigualdade não só no espaço
do limite onde trabalhamos, mas isso provoca um desastre no mundo
inteiro.
Então, no espaço de sua casa religiosa, no espaço
de sua paróquia, tem de tudo. Tem as conseqüências
deste mundo que nós herdamos da modernidade. Isso vem desde
a época da modernização. Tem o narcotráfico,
tem o poder paralelo do crime organizado, tem o fanatismo religioso,
sim. Ainda não temos atitudes radicais terroristas, mas existe
o terror ideológico, um certo desinteresse político,
a corrupção em todos os níveis, um caráter
imediatista e narcisístico, isso até influencia, aliás,
é um questionamento que podemos fazer.
Quem sabe tenha,
aqui, um estudante de sociologia e antropologia que faça
um estudo sobre os boletins de paróquia. Jornais de paróquia.
São interessantes. Muitas vezes a foto do pároco é
a que mais aparece. Não é verdade? Boletim não
é coluna social, mas nós sofremos a tentação
do narcisismo imediato, porque nós esquecemos que a estrela
da evangelização é Maria, apenas.
Então, existe
um choque de adaptação em certas práticas.
O dia do Senhor se transformou apenas num weekend, num happy-hour.
A Semana Santa, em feriadão. Distância deixou de existir.
O real é virtual. As coisas mais caseiras da vida, como comida,
roupa, namoro, família, trabalho, estudo, doença,
cura, estão sob a influência do uniformizadoras.
Antes eu falava do
enfoque diferente da civilização do ter. Gosto muito
da expressão criada por um dos grandes pensadores da pós-modernidade,
um dos fundadores da holítisca, junto com Pierre Weil, e
outros, que é o Jean-Yves Leloup.
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