Ele criou o termo, assim como existe a
psicose, assim como a neurose, ele criou um termo chamado normose.
O que é a normose?. São as anomalias da normalidade.
A civilização do ter. Não estou falando do
acúmulo pecuniário, monetário. Mas de ter que
ser aquilo que os outros querem que você seja. Essas são
as anomalias da normalidade. Tem que ser aquilo que a mídia
quer que você seja; tem que ser aquilo que o mercado quer
que você seja; tem que ser aquilo que uma mentalidade consumista
quer que você seja; ou quilo que a novela quer que você
diga, pense, fale e sobereie. Isso é normose. Então,
toda questão nossa é perguntarmos se no mundo de nossa
convivência nos sofrermos dessa doença, se somos norrmóticos
ou antinormóticos.
Exemplos: existe a normose alimentar.
Talvez, no mundo administrativo de onde vocês vieram, tem
escolas, colégios, faculdades. Olhem as cantinas das escolas,
até as das paróquias e vejam quanta porcaria as crianças
comem. Aqueles saquinhos, dentro daquele vácuo, produtos
químicos, aromatizados artificialmente, polenta, queijo,
bacon, etc. Pura química. Alguém questiona. Ninguém
questiona.
Nós também, adultos, abrimos
e crop, crop, crop. É impossível comer só seis
saquinhos. Ninguém controla o controle de qualidade de comida.
Aquilo que empurramos goela abaixo assumimos como uma coisa absolutamente
natural.
Bem isso são normoses alimentares,
conseqüências de um projeto alimentar vendido para nós.
Vocês sabem que quem passa anos comendo química, muda
o metabolismo humano e nós descobrimos um filho assassino
que mata a família toda. Um filho mata a avó por causa
de 20 reais porque ele queria comprar maconha, cocaína.
FRASES
" E aí chegamos
a um ponto que nesse trabalho que você está
fazendo ou você luta contra as normoses ou você
não tem nada a acrescentar para a humanidade.
Porque você fica na patologia da normalidade."
"O espaço que você
trabalha, único, original, é um espaço
do reino ou é apenas uma fragmentação
de uma vida, que reproduz modelos"
Muda o metabolismo humano porque nós
nos empanturramos de química. E não questionamos a
normose alimentar. Existem as normoses estéticas. Quem está
satisfeito com o próprio corpo. Jovens, adolescentes, homens
ou mulheres. Adolescentes com 18 anos colocando silicone, nem preciso
dizer onde, vocês sabem. Pessoas que vão aos templos
dos estereótipos. Aumentam-se as clínicas estéticas,
os spas. Cuida-se muito da corporeidade. São as normoses
estéticas.
Existem também as normoses midiáticas.
Xuxas, Elianas, Maras criaram um mundo onde o mercado descobriu
que o filão infanto-juvenil é bem estimulante. E geraram
um processo de robotização, geraram um processo de
erotização precoce e nós aplaudimos o recorde
de botas, sapatos, sandálias, cds vendidos aos milhões.
Existem também as normoses religiosas,
por que não? Talvez você seja cobrado por não
ser um padre de estúdio, que celebra ao ler tudo certinho
pelo telepronter. Talvez você não seja um rebolante,
cantante, dançante que não vendeu milhões de
cds, que fez maravilhas, encheu estádios, arquibancadas.
Mas o mundo é melhor, a experiência de Deus é
melhor. Existem normoses religiosas, sim.
Existem normoses políticas. Tudo
já prontinho, arranjado. Modelos prontos onde nos limitam
ousar, onde se impede de governar, onde se impede de decidir. E
aí chegamos a um ponto que nesse trabalho que você
está fazendo ou você luta contra as normoses ou você
não tem nada a acrescentar para a humanidade. Porque você
fica na patologia da normalidade.
Então, qual o diferencial que sua paróquia ou seu
lugar religioso mostra para a vida? Qual a diferença, qual
a identidade única e exclusiva não contagiada e contaminada
pelo comum considerado normal? Você tem coragem de ir na contra-mão
do consenso?
Certamente que sim, senão não estaria aqui neste seminário
pensando, refletindo e buscando. Porque hoje o que vale é
a mão invisível do mercado. Tão grande e mais
poderoso, às vezes, até do que seu trabalho.
O que você constrói anos
e anos de trabalho, a Televisão - mãe da normose -
destrói em cinco minutos. E como é que fica o aspecto
religioso? Será que existe também o fenômeno
característico da pós-modernidade que atinge o fenômeno
religioso e aqui já entra o espaço que é mais
específico nosso. A normose religiosa implica também
trocar de experiência religiosa.
Existem religiões para atender
tantas necessidades subjetivas que apareceram. A religião
que se professa nem sempre é aquela na qual que você
nasceu. Na qual a pessoa nasceu, mas é aquela que às
vezes por um processo midiático obriga-se a escolher. Ou
muita gente escolhe para não ficar fora.
O Conblin fala: antigamente status era
sair dos cantos do país, norte, sul, nordeste, sudeste, ir
para algum lugar, talvez morar na periferia, participar de uma atividade
eclesial. Isso era status. Eu ousei, eu sai, eu dei um passo. O
Conblin diz que hoje é sair do espaço periférico,
ir para a periferia e tornar-se evangélico. E por que não?
Isso faz parte dos fenômenos que estamos vivendo.
O convertido nem sempre é aquele
que mudou segundo a concepção grega. Mudou a sua consciência,
o seu espírito, a sua atuação e a sua vida.
O convertido talvez não seja aquele que mudou até
de lugar social em favor dos desfavorecidos. Pode ser um consumidor
religioso. Tem até feira para ele. Nós estamos dentro
de uma.
O risco vem antes do fato. O comércio
tem as portas fechadas simplesmente porque alguém anunciou
que vai haver retaliação. De modo que a luta de vocês,
a presença de vocês é uma tarefa árdua.
Definir o que vale e o que não vale. Mais do que apenas administrar
bens, vocês são administradores de valores. Se a pós-modernidade
trouxe uma crise para nós, ela trouxe a crise de valores.
É, sim, tarefa árdua definir
o que vale e o que não vale. Ou nós vamos fundo na
opção que fizemos ou nós entramos na mentalidade
consumista de escolher apenas aquilo que traz satisfação
imediata. Haja vista que hoje cresce uma teologia chamada de Teologia
da Prosperidade, que trabalha muito bem essa questão da satisfação
imediata.
O espaço que você trabalha,
único, original, é um espaço do reino ou é
apenas uma fragmentação de uma vida, que reproduz
modelos. E o nosso povo vivendo uma carência espiritual. E
aqui nós entramos no seguinte ponto: a explosão da
espiritualidade