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       São Paulo, 20/11/2008, 13:42          
 
   
 

> CANONIZAÇÃO

Numa manhã bonita de sol, um milhão de pessoas testemunhou no Campo de Marte, em São Paulo, o Papa Bento 16 canonizar de Frei Galvão, o primeiro santo brasileiro e o franciscano desta Província da Imaculada Conceição. Foi também a primeira vez que um Papa deixou o Vaticano para canonizar um santo fora de Roma. Toda a celebração foi feita em português para milhões de brasileiros acompanharem pelos meios de comunicação.

O Cardeal D. Odilo Scherer fez a acolhida no início da celebração – “hoje a Igreja reconhece publicamente a santidade de Frei Galvão” – e o Cardeal José Saraiva dos Santos, prefeito da Congregação da Causa dos Santos leu um histórico da vida do franciscano desta Província da Imaculada Conceição, o paulista que se tornou santo 185 anos depois de sua morte em 1822.

Em seguida, o Papa pronunciou a fórmula de canonização: “Em honra da Santíssima Trindade, para a exaltação da fé católica e o crescimento da vida cristã, pela autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e nossa, depois de ter refletido longamente, invocado o auxílio divino por muitas vezes e ouvido o parecer de muitos de nossos irmãos no Episcopado, declaramos e definimos como Santo o beato Antônio de Sant’ Ana Galvão, e o inscrevemos na Lista dos Santos, e estabelecemos que, em toda a Igreja, ele seja devotamente honrado entre os santos. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Frei Galvão foi inscrito na glória dos Santos como: SANTO ANTÔNIO DE SANT’ANA GALVÃO.

Na seqüência da celebração, Sandra Grossi de Almeida e seu filho Enzo, beneficiado pelo milagre que transformou Frei Galvão em santo, levam ao altar as relíquias de Santo Antônio de Sant'Anna Galvão. Irmã Célia Cadorin, responsável pelo processo de canonização, beijou o Papa.

Na sua homilia, o Papa Bento 16 disse que Frei Galvão era “zeloso, sábio e prudente, uma característica de quem ama de verdade". O Papa também lembrou à multidão no Campo de Marte que “a fama de imensa caridade de Frei Galvão não tinha limites”.
"A conversão dos pecadores era a grande paixão de nosso santo", acrescentou Bento 16 sobre o frade franciscano e foi muito aplaudido quando disse: "Alegra-me que através dos meios de comunicação minhas palavras e expressões do meu afeto possam entrar em cada casa e em cada coração. Tenham certeza: o papa vos ama. E ama porque Jesus Cristo vos ama”.

Frei Galvão nasceu em 1739 de uma família profundamente piedosa e conhecida pela sua grande caridade para com os pobres. Batizado com o nome de Antônio Galvão de França, depois de ter estudado com os Padres da Companhia de Jesus, na Bahia, entrou na Ordem dos Frades Menores em 1760; diz biografia difundida pela Santa Sé.

Foi ordenado Sacerdote em 1762 e passou a completar os estudos teológicos no Convento de São Francisco, em São Paulo, onde viveu durante 60 anos, até à sua morte ocorrida a 23 de Dezembro de 1822.

A vida de Frei Galvão foi marcada pela fidelidade à sua consagração como sacerdote e religioso franciscano, e por uma devoção particular e uma dedicação total à Imaculada Conceição, como «filho e escravo perpétuo».

Além dos cargos que ocupou dentro da sua Ordem e na Ordem Terceira Franciscana, ele é conhecido sobretudo como fundador e guia do Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição, mais conhecido como «Mosteiro da Luz», do qual tiveram origem outros nove mosteiros.

Além de Fundador, Frei Galvão foi também o projetista e construtor do Mosteiro que as Nações Unidas declararam Patrimônio cultural da humanidade.

Enquanto ele ainda vivia, em 1798 o Senado de São Paulo definiu-o «homem da paz e da caridade», porque era conhecido e procurado por todos como conselheiro e confessor, além de o franciscano que aliviava e curava os doentes e os pobres, no silêncio da noite.

Frei Galvão convida-nos a crescer em santidade e na devoção a Nossa Senhora da Conceição e deixa a todos nós brasileiros a grata mensagem de sermos pessoas da paz e da caridade, sobretudo para com os pobres e os marginalizados.

O religioso foi beatificado pelo Papa João Paulo II no dia 25 de outubro de 1998.