Canonização de Frei
Galvão
Frei Galvão? - Como este novo santo, quando canonizado, vai ser chamado oficialmente, particularmente nos textos litúrgicos? Em sua beatificação insistiu-se no nome Frei Galvão. A Liturgia, porém, não costuma usar o título do santo, a não ser no caso dos Apóstolos, apóstolo São Paulo, apóstolo São Pedro, apóstolo Santo André etc. Uma ou outra vez, fala-se em abade tal, ou o mártir tal, presbítero tal, mas estes títulos expressam mais uma categoria do santo. Não se usa no caso de religiosos e de religiosas, missionários, pastores e assim por diante.
No Brasil falou-se em Madre Paulina, mas quando foi canonizada, começou a ser chamada simplesmente Santa Paulina e não Santa Madre Paulina ou Madre Santa Paulina.
Como será com Frei Galvão? Seu nome é Antônio de Santana Galvão. É muito longo. A expressão “São Frei Galvão” não parece muito feliz. Poderia ser simplesmente, Santo Antônio. Mas, Santo Antônio é o de Pádua ou de Lisboa, ou simplesmente o nosso Santo Antônio. Existem outros Santo Antônio. Por exemplo, Santo Antônio Maria Claret, Santo Antônio Maria Zaccaria. O nosso Santo Antão também é Antônio. Penso que o nome mais adequado para o novo santo nas orações seria Santo Antônio Galvão. O de Santana ficaria para os livros e notas biográficas.
A mensagem de Santo Antônio Galvão: - No Calendário litúrgico da Ordem Franciscana ele consta como Bem-aventurado Antônio de Santana Galvão, presbítero, da Ordem I. Ele é apresentado à Igreja e aos fiéis em geral como religioso franciscano e como presbítero, em linguagem popular, padre franciscano. Distinguiu-se em sua vida como franciscano. É claro, então, que ele testemunha os diversos aspectos do carisma franciscano na Igreja, carisma inspirado em São Francisco de Assis: a oração, a obediência, a pobreza e a fraternidade.
A oração do dia ou oração coleta elaborada por ocasião de sua beatificação reza: “Deus, Pai misericordioso, que fizestes o Bem-aventurado Antônio de Santana Galvão um instrumento de caridade e de paz no meio dos irmãos e irmãs, concedei-nos, por sua intercessão, favorecer sempre a verdadeira concórdia”. Frei Galvão é visto, pois, como instrumento de caridade e de paz no meio dos irmãos e irmãs.
Pelo fato de ter-se desdobrado na construção do Mosteiro da Luz, em São Paulo, ajudando pessoalmente na construção trabalhando com os outros operários, foi declarado pela Arquidiocese de São Paulo patrono da construção civil. Isso certamente tem sua razão de ser.
Se, porém, analisarmos a vida e a atividade caritativa de Frei Galvão, vemos nele outros aspectos muito ricos. Frei Galvão foi um grande promotor e defensor da vida nascitura. Frei Galvão era procurado para interceder junto a Deus em favor de casais que não conseguiam ter filhos, sendo freqüentemente atendidos. Além disso, era com freqüência, chamado para rezar em casos de partos difíceis. Pelas suas preces esses casos tinham uma solução feliz.
Nesta linha de pensamento podemos compreender as chamadas “pílulas de fecundidade de Frei Galvão”, com mensagem de Nossa Senhora da Conceição. A mensagem da tirazinha de papel dobrada soava assim: “Post partum, Virgo, inviolata permansisti. Dei Genetrix, intercede pro nobis”, que significa: “Após o parto, ó Virgem, permaneceste inviolada. Mãe de Deus, intercede por nós”.
O fato de se engolir a tira de papel dobrado com a prece a Nossa Senhora, reconhecida como Mãe de Deus, a Imaculada, bem entendido, não precisa causar estranheza. O profeta Ezequiel (cf. Ez 2,9-3,5), bem como o Livro do Apocalipse (cf. Ap 10,8-11) fala em devorar o livro. Comer o livro ou devorar o livro significa assimilar a mensagem. Quem é chamado e enviado a profetizar, antes, deve acolher e assimilar a mensagem para poder testemunhá-la. Comer e beber significa tornar seu, assimilar. Jesus mesmo manda comer sua carne e beber o seu sangue (cf. Jo 6,53.-56). Na Eucaristia, os discípulos de Cristo são convidados a comer a Ceia do Senhor, a comer o Corpo do Senhor e beber o Sangue do Senhor. Na Sagrada Liturgia comer e beber constitui um rito sagrado, uma ação simbólica profética, uma forma de oração, de comunhão com Deus, nas virtudes da fé, da esperança e da caridade.
Assim podemos entender a chamada “pílula de Frei Galvão”. Engolir, comer a “pílula” significa, então, assimilar a mensagem contida na tira de papel dobrado, significa proclamar Maria como Mãe de Deus, Imaculada e sempre Virgem, significa colocar a confiança na intercessão da Virgem Imaculada, Mãe de Deus, Maria. O que importa é que o uso das “pílulas” constitua uma expressão de fé e de esperança e não uma forma de magia, como se a “pílula” tivesse por si mesma um poder miraculoso.
O amor e o respeito à vida, sobretudo à vida que está para nascer constitui, com certeza, uma importante mensagem para a sociedade de hoje. Frei Galvão deu testemunho do “Evangelho da vida”. |