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FREI LEÃO HESSLING (1897 - 1976)
Frei Leão nasceu em Wuppertal, na Renânia, Alemanha,
a 21 de novembro de 1897, filho de Henrique Hessling e de
Elizabeth Hessling. Foi batizado como o nome de Érico.
Dos nove aos quatorze anos fez o curso primário na
cidade de Essen. Bem jovem sentiu o chamado para ser missionário
no Brasil. Em 1912, aos 15 anos, Érico deixou a Alemanha
com mais 23 jovens alemães e poloneses, com destino
ao Brasil. Chegou em Blumenau-SC, onde cursou o ginásio
e o colégio, de 1913 a 1918. Em 1919 ingressou no noviciado
franciscano, quando recebeu o nome de "Frei Leão",
em homenagem ao grande companheiro de São Francisco
de Assis. E na verdade, ele desejava ser como Frei Leão
de Assis, na humildade, na caridade e na sinceridade.
Nos anos de 1920 a 1922 ingressou na Faculdade de Filosofia,
em Curitiba, PR. Em 1923 seguiu para Petrópolis, RJ,
para os estudos de Teologia, e em 10 de agosto de 1925 foi
ordenado sacerdote, aos 27 anos de idade. Celebrou sua primeira
missa na cidade de Amparo, em São Paulo.
Dali, recebeu sua primeira transferência para Guaratinguetá,
SP, onde trabalhou até o final de 1925. No final daquele
ano foi transferido novamente para Santo Amaro da Imperatriz,
SC, onde permaneceu de 1926 a 1928. Viajava pelo litoral catarinense
até o sul do estado, em lombo de burro, visitando as
capelas. Passava dias e dias em solidão total enquanto
viajava. Nestas longas jornadas, rezava e cantava para manter
os sentimentos de otimismo e alegria. Visitava os doentes
de febre amarela, que na época, vitimava milhares de
pessoas. Ele mesmo foi uma das vitimas do paludismo, e passou
a ter febre quase todos os dias.
Por causa de sua doença, em 1929 foi transferido para
Petrópolis, RJ. Ali ele ficaria durante 33 anos, até
1962. Sua missão especial foi o bairro Alto da Serra,
onde tornou-se o pároco da Igreja de Santo Antônio.
Dava aulas de religião nas várias escolas. Construiu
um ambulatório para distribuição de remédios
aos doentes pobres. Aumentou a Escola Paroquial, que tinha
então 380 alunos. Construiu a igreja no bairro do Indaiá,
que hoje é florescente paróquia dos frades capuchinhos.
No bairro do Morin, construiu uma igreja e uma escola para
o povo. No Morro do Turco, construiu também uma capela
e uma escola. O Hospital Santa Tereza não comportava
mais o número de doentes que demandavam abrigo. Por
esse motivo, Frei Leão construiu um pavilhão
junto a este hospital, com 64 leitos.
Em Petrópolis é nome de praça, é
sem dúvida o franciscano mais lembrado desde a fundação
do convento. Frei Leão recebeu o título de cidadão
petropolitano no dia 17 de setembro de 1957, dia do centenário
da elevação de Petrópolis à categoria
de município, com a doação da Medalha
Koeler e a Cruz de Honra, pelos serviços prestados
à cidade.
Em fevereiro de 1962 Frei Leão veio transferido para
São Paulo, para a Paróquia de Santo Antônio
do Pari. Deixou no Alto da Serra de Petrópolis 33 anos
de incessantes atividades em prol da igreja e, sobretudo dos
pobres. No Pari inicialmente tornou-se capelão da Capela
Nossa Senhora Aparecida. Durante vários anos foi capelão
do Colégio Santa Teresinha do Menino Jesus. Não
contente com todos os trabalhos comuns desta paróquia,
pôs-se a serviço da Paróquia de São
João Batista, para onde ia, todos os domingos, ajudar
ao Monsenhor Espiridião Góes. Fazia casamentos
e visitava todos os dias vários doentes. Seus sermões
eram muito bem preparados, por escrito, com sólida
argumentação. Na fraternidade dos frades revelava-se
muito alegre e comunicativo. Era uma alma alegre e humilde.
Em janeiro de 1970 foi visitar um doente no município
de Guarulhos. Uma chuva torrencial desabou sobre São
paulo, trazendo para as ruas águas contaminadas. Ao
atravessar, a pé, estas águas, contraiu enfermidade,
que o fez ficar doente durante os últimos anos de sua
vida. Amputaram-lhe três dedos do pé, e numa
das três cirurgias que sofreu, substituíram-lhe
as veias da perna por tubos de nylon. As dores foram tornando-se
insuportáveis, durante anos, dia e noite. Mas tudo
oferecia em benefício da Igreja, dos pobres, seus amigos.
Durante seis anos ficou tolhido numa cadeira de rodas, e assim
mesmo Frei Leão não se considerava um inútil.
"Eu quero trabalhar. Eu gosto de trabalhar. Dêem-me
trabalho. Eu nunca deixei de trabalhar". Era o que repetia.
Deste modo, o quarto de Frei Leão no Convento Santo
Antônio do Pari foi aberto para visitas. Muitas pessoas
tiveram oportunidade de se aconselhar com ele. Atendia as
confissões e orientava os casais que o procuravam.
Nas horas vagas fazia rosários com suas próprias
mãos, munido de alicate e arame. Fez mais de 2000 terços,
que enviou para várias regiões. Os pobres do
Mato Grosso, de Goiás e do Maranhão eram objeto
de suas atenções. Para estes, conseguia dezenas
de caixotes de remédios e grandes volumes de roupas,
que ele conseguia despachar de avião para as vítimas
das enchentes e de outras localidades.
Frei Leão vivia pensando em Cristo, a quem visitava,
na capela, bem perto de seu quarto de sofrimentos. Amava Maria
Santíssima, cujo terço rezava todos dias. Todos
os confrades lhe queriam bem. No mês de julho de 1976
surgiram complicações no aparelho digestivo,
o que o levou mais uma vez ao hospital, onde permaneceu 30
dias com colite ulcerativa. Retornou para casa mas a moléstia
progredia implacável. Foi definhando sempre mais. Pedia
insistentemente que não o levassem mais para o hospital.
Queria morrer em casa. Este pedido era feito em tom de súplica.
Faleceu num domingo, dia 31 de outubro de 1976, depois de
ter recebido os santos óleos pelo seu guardião
Frei Florentino Barrionuevo, e cercado pelo carinho das Irmãs
do Hospital Santa Catarina e do capelão do hospital.
D. Inácio.
DEPOIMENTO DE FREI PAULO AVELINO DE ASSIS
Vencedor de Concurso - Certa vez, em Petrópolis
foi feito no meio do povo um concurso: - "Qual o personagem
mais popular de Petrópolis...?" O povo escolheu
Frei Leão. - Diversas vezes, na comunidade de Santo
Antônio do Pari insistíamos com Frei Leão
que nos contasse como foi a eleição deste plebiscito
popular. E Frei Leão, sorrindo, contava o episódio.
Zeloso e Caridoso - Depois da ordenação,
o neo-sacerdote ficava ainda mais um ano na Teologia em Petrópolis.
Outros frades e eu tivemos assim a oportunidade de, aos domingos,
celebrar no Alto da Serra. E ali verificamos o notável
zelo, acima do comum, do pároco Frei Leão. Muito
ativo na catequese, inflamado nos sermões e animador
nas reuniões.
Num dia de semana, vieram trazer um colchão, travesseiro
e três cobertores, para Frei Leão dar a alguma
família necessitada. - Frei Leão combinou com
um senhor para ajudar a levar estes apetrechos a uma família
pobre do morro. Como aquele senhor não apareceu, e
o dia já estava declinando, uma tarde muito fria prenunciando
noite gelada, Frei Leão considerou ser obrigação
dele levar o colchão para aquela família necessitada.
E lá foi o caridoso Frei Leão com o colchão,
travesseiro às costas e os três cobertores sob
o braço esquerdo. Morro acima. - Da janela de uma casa,
duas senhoras cochichavam. Dia seguinte, aqueles cochichos
se espalharam. "Frei Leão levou colchão
para imoralidades dele, lá no morro." Zelo apostólico
em São Paulo Zelo apostólico em São Paulo
Depois de três décadas no Alto da Serra em Petrópolis,
Frei Leão foi transferido para a capital de São
Paulo, para a Paróquia Santo Antônio do Pari.
Frei Leão, sempre sensível, sentiu amargura
violenta. Mas ofereceu a amargura para Cristo, em favor das
vocações. Soube transformar o limão azedo
em limonada. hoje, quantos frades da Província receberam
a vocação franciscana, - quem sabe por causa
dos sacrifícios de Frei Leão! Coadjutor da paróquia
de Santo Antônio, lá ia Frei Leão todos
os dias visitar doentes, levando a comunhão, a unção
dos enfermos e palavras reanimadoras. Era uma caridade que
ninguém conseguiu medir. Se Cristo recompensa até
um simples copo de água, quantos "copos"
de espiritualidade Frei Leão distribuiu...?
Enfermo - mártir do Apostolado - Um dia Frei
Leão foi visitar um enfermo. Pisou na rua numa água
contaminada. Em conseqüência, ficou vários
anos enfermos. Não podia mais visitar os enfermos.
Mas, pela Comunhão dos Santos, dogma de fé do
"Creio em Deus Pai", todos os dias oferecia suas
dores e limitações em favor dos enfermos. E
Deus recebia estes oferecimentos. Sempre existe um caminho
para quem tem vontade de andar Mesmo na sua aparente "jaula",
este "Leão" sabia ser útil. O quarto
de Frei Leão era próximo da Capela do Convento.
Vimos muitas vezes Frei Luiz Lima, irmão que colaborava
no Comissariado da Terra Santa, dar assistência medicinal
a Frei Leão. A caridade de Frei Luiz impressionava.
E graças à técnica e caridade de Frei
Luiz, foram minoradas as dores em Frei Leão. Deus,
que registra tudo, registrou a caridade de Frei Luiz. E lá
no céu, Frei Luiz está recebendo prêmio
pela caridade diária realizada naquele recinto.
Frei Leão gostava de anedotas - Todos os dias,
antes de eu ir para o meu trabalho, eu visitava Frei Leão.
E ali eu contava alguma anedota. Frei Leão gostava
de ouvir. Mesmo no meio de suas limitações,
Frei Leão dava gostosas gargalhadas. Mas, ele não
só ouvia. Também contava. Às vezes eram
anedotas que a gente já conhecia. Mas, a gente esperava
o término, para dar com ele uma estrondosa gargalhada.
É a risoterapia. O lenitivo das dores através
do sorriso.
"Acredite: - eu rezo por seu Apostolado"
- Frei Leão de vez em quando repetia: - "Acredite:
- eu rezo por seu apostolado." Conforme Êxodo 17,
- quem decidiu a vitória do Povo de Deus na luta contra
os Amalecitas não foi a valentia dos guerreiros, mas
a oração de Moisés na montanha. O bom
êxito no apostolado se deveu a quem...? - A Frei Leão,
- o Moisés da Província e da Igreja, a decidir
a vitória e o bom resultado de tantos confrades da
Província.
Vocações conquistadas - Hoje, centenas
de frades têm sua vocação desenvolvida
e firmada. - Quem conseguiu a graça da vocação?
Quem sabe Frei Leão e outros confrades, através
de suas orações, sacrifícios, virtudes.
No céu, onde todos queremos estar, saberemos agradecer
a quem nos conseguiu a vocação e as bênçãos
para nossas atividades. Frei Leão foi Leão-Cordeiro,
semelhante a Frei Leão companheiro de Francisco. Que
eles rezem no céu por todos nós. Amém.
Assim seja.
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