|
FREI CONSTANTINO KOSER (1918 - 2000)

Nasceu no dia 9 de maio de 1918, em Curitiba-PR, filho do
catarinense Antônio Koser e da paranaense Anna Hillmann.
O pai fora preparado professor pelos Frades do Colégio
Santo Antônio de Blumenau e, solteiro, mudara para Curitiba,
para lecionar na Escola do Bom Jesus. No batismo, recebeu
o nome de Antônio Júlio.
Em janeiro de 1924, começou o primário no Colégio
Bom Jesus e continuou por mais quatro anos. Em 1927 tornou-se
coroinha da histórica Igreja da Ordem. Pouco depois
passou para a equipe de coroinhas do Bom Jesus, onde fez sua
primeira comunhão. Como já quisesse ser seminarista,
desde cedo recebeu aulas de latim em particular. Antes de
completar 11 anos, em 7 de janeiro de 1929, ingressou no Seminário
Seráfico São Luís de Tolosa, em Rio Negro,
iniciando no primeiro ginasial. Continuou todos os estudos
em Rio Negro até o 1934, quando em 20 de dezembro recebeu
o hábito em Rodeio, recebendo, então, o nome
de Constantino, nome de um santo martirizado em Éfeso.
Após a primeira profissão simples, em 21 de
dezembro de 1935, seguiram-se os estudos de Filosofia, em
Curitiba (1935-1937), e de Teologia, em Petrópolis
(1938-1941). Sem a idade canônica mínima, por
ser jovem, teve que aguardar completar os anos tanto para
a sua profissão solene (10.05.1939) como para as ordens
menores (24 e 25.11.1939). Foi ordenado padre na igreja do
Bom Jesus, em Curitiba, no dia 12 de junho de 1941, também
com dispensa da Santa Sé, porque tinha apenas 23 anos.
Ao mesmo tempo, matriculou-se na Universidade Federal, no
curso de filosofia, como ouvinte do mesmo Pe. Penido. Em fins
de 1942, Pe. Penido transferiu a residência definitivamente
para Petrópolis, e Frei Constantino transferiu-se com
ele. Ambos pesquisavam juntos, aprofundando sobretudo a teologia
em torno da Santíssima Trindade.
Teólogo e professor de teologia - Em 25 de
janeiro de 1943, faleceu repentinamente Frei Mariano Wintzen,
professor de Dogmática em Petrópolis. Como as
aulas começariam no dia 3 de fevereiro, o Ministro
provincial, Frei Mateus Hoepers, nomeou Frei Constantino como
substituto de Frei Mariano. Começou uma nova fase em
sua vida. Assumiu não só as aulas de Dogmática,
mas também as de de iniciação à
Sagrada Escritura, de Homilética e de Catequese. Muitos
de seus novos alunos haviam sido seus colegas no seminário.
Ao lado das atividades como professor, assumiu também
um
intenso trabalho pastoral: horários de confissões
na igreja; capelania de freiras; supervisão da catequese
do Colégio Santa Catarina; catequese numa escola pública,
e aos finais de semana era coadjutor da paróquia de
Vila Inhomirim. Desta última atividade mencionada resultou
a publicação do seu primeiro livro: "Inhomirim
- 250 anos de paróquia", em 1946, monografia muito
elogiada pelos historiadores.
Deste período como professor de teologia em Petrópolis,
segue um depoimento sobre Frei Constantino, de um de seus
alunos, Dom Paulo Evaristo Arns. "Já no tempo
em que vivíamos em Curitiba, quando Frei Constantino
passava por lá, manifestávamos nossas dúvidas
sobre filosofia e conceitos novos, que eram abundantes na
matéria, nos revelaram a capacidade desse futuro professor,
pois acabou explicando-nos conceitos que nem o nosso velho
manual, nem os professores eram capazes de nos elucidar com
tanta precisão e rapidez.
Em 1943, já em Petrópolis, tivemos Frei Constantino
como professor de teologia sistemática. Com seus vinte
e cinco anos, era ao mesmo tempo colega, por nos dar plena
liberdade de expor-lhes as nossas dificuldades e também
nossas inocentes brincadeiras. Admirávamos a sua preparação
intelectual e seu estudo constante, igualmente as aulas mimeografas
em português quando os demais professores transmitiam
tudo em latim.
Três aspectos, me parece interessante realçar
em Frei Constantino: primeiro, o interesse e a amizade dele
por todos os alunos, sem exceção. Sua segunda
grande qualidade era leitura constante dos grandes autores
franciscanos, como Duns Scotus, São Boaventura e os
demais mestres do pensamento franciscano. Sua terceira qualidade,
que mais nos impressionava: estava informado de todas as questões
que envolviam política, economia e tantos outros ramos
interessantes para história do país e do mundo.
Como alguns diziam, Frei Constantino era uma enciclopédia
ambulante sobre qualquer matéria. Agradeço sempre
de novo a Deus por ter-me dado um professor de tamanha competência
e de tanta amizade".
Atividades e senso eclesial - Em janeiro de 1948,
a pedido do Ministro provincial, Frei Constantino representou
a Província no Primeiro Congresso dos Reitores dos
Seminários Diocesanos e Religiosos do Brasil, realizado
no Rio de Janeiro. Deste congresso, ele deixou um relatório
muito positivo, de sete páginas datilografadas. Durante
o congresso, por proposta de Frei Constantino, encampada imediatamente
pelo Cardeal Câmara, os Reitores assinaram um pedido
ao Santo Padre de definição dogmática
da Assunção de Maria em corpo e alma ao céu.
No congresso surgiu também a proposta de criação
de uma Associação de professores de teologia
e filosofia. Criou-se uma comissão para a elaboração
do primeiro esboço de estatutos e receber propostas
de todos os Seminários Maiores. Frei Constantino integrou
esta comissão e foi delegado por ela para enviar a
proposta a todos os centros de estudos. Frei Constantino passou
à história da teologia no Brasil, como a alma
do primeiro Congresso Brasileiro de Teologia, realizado em
São Paulo, em janeiro de 1950.
O especialista em Mariologia - Em 1949, o Bispo de
Petrópolis nomeou Frei Constantino responsável
pela Catequese diocesana e Assistente eclesiástico
da Juventude Estudantil Católica (JEC), ligada à
Ação Católica. Por isso, passou a dar
aulas regulares nos colégios Santa Catarina, Santa
Isabel e Sion. Lecionava também Mariologia. Naqueles
anos estava quentíssimo o tema da Assunção
de Maria. Frei Constantino mergulhou nele de corpo inteiro.
De tal forma que passou a ser chamado a dar conferências
e participar dos debates teológicos sobre o assunto.
Em 1948, participou como conferencista do Congresso Mariológico
internacional em Buenos Aires, que tinha como tema único
a assunção de Maria. A conferência de
Frei Constantino e o sucessivo debate marcaram de tal forma
os teólogos congressistas, que passou a ser presença
obrigatória e conferencista das plenárias de
vários congressos realizados em 1949 e 1950, inclusive
em Roma.
O doutor em teologia - No início de 1950, Frei
Constantino matriculou-se na Faculdade de Teologia da Universidade
de Freiburgo, Alemanha, com vistas à tese doutoral.
Um aluno especial, porque era convidado a dar conferências
em outras universidades e centros de estudo. O próprio
decano da Faculdade de Freiburgo o convidou para realizar
um "Kolleg", de 12 preleções sobre
a doutrina trinitária de Duns Scotus. Defendeu a tese
doutoral no dia 22 de maio de 1953. Título: "De
Notis teologicis. Historia, notio, usus". Recebeu "summa
cum laude". Voltou ao Brasil em fins de junho de 1953,
a Petrópolis, ao Convento do Sagrado. No dia 3 de agosto
retomou sua cátedra de teologia e quase todos os trabalhos
pastorais que tinha antes de ir à Europa.
Foi criação de Frei Constantino o CIT - Curso
de Iniciação Teológica - , iniciado em
fevereiro de 1955 e destinado às religiosas. O primeiro
criado no Brasil. Só Deus sabe o que significou para
o mundo religioso feminino e para o trabalho pastoral das
religiosas essa abertura teológica e a convivência
de irmãs de diferentes congregações anualmente
durante um mês. Dirigiu pessoalmente este curso durante
dez anos. Mérito de Frei Constantino é também
a criação das Semanas Teológicas. Realizavam-se
a cada ano, e foi a alma de todas até 1963, e em todas
apresentou tese. Quem consultar a Revista Eclesiástica
Brasileira verá os temas e os textos dessas semanas.
Era forte sua preocupação de levar a teologia
para todos, aproveitando todas as oportunidades.
Frei Constantino redigia diretamente na pequena máquina
de escrever seus artigos, conferências e fichas de aula.
Infalível era o metralhar da máquina entre seis
e seis e meia da tarde, hora da meditação da
Fraternidade. Depois de passar por uma crise na vida de oração,
devido a dificuldade com os métodos de meditação,
descobriu que ao fazer as meditações por escrito,
sentado à máquina, teve ótimo resultado
para a espiritualidade e a reflexão teológica.
Por 30 anos manteve este costume e chegou a acumular 15.090
páginas formato oficial, espaço simples. No
Capítulo provincial de 1956, Frei Constantino foi eleito
Definidor e reeleito no Capítulo de 1959.
Definidor, Vigário e Ministro geral da Ordem -
Embora ausente do Capítulo geral de 1963, Frei
Constantino foi eleito Definidor geral pela América
Latina. Viajou para Roma em 12 de junho e, no dia seguinte,
assumiu seu cargo de Definidor geral. Além das viagens
pela América Latina, ligadas ao cargo, e outras incumbências
recebidas do Ministro geral, Frei Agostinho Sépinski,
seguiu com o máximo interesse as teses e documentos
que estavam sendo elaborados nas últimas sessões
do Concílio Vaticano II, inclusive participou como
assessor do Ministro geral que tinha o status de "Padre
Conciliar".
Em 2 de outubro de 1965, o então Ministro geral Frei
Agostinho Sépinski foi nomeado pela Santa Sé
como Delegado Apostólico para a Palestina, Jerusalém,
Jordânia e Chipre, na qualidade de arcebispo. Nesta
época, não havia na Ordem a figura do Vigário
geral. Anteriormente, Frei Agostinho já havia convocado
o Capítulo geral para 1967, de forma que, mesmo nomeado
bispo ainda presidiria a eleição do seu sucessor.
No dia 03 de novembro, o Definitório geral elegeu Frei
Constantino Vigário-geral da Ordem, quando tinha, então,
48 anos de idade. Foi nomeado pelo Papa Paulo VI "Padre
Conciliar" para IV e última sessão do Concílio
Vaticano II, encerrado no dia 8 de dezembro de 1965. A partir
de então, Frei Constantino desencadeou todo o processo
de preparação do Capítulo Geral de 1967,
criando as diferentes comissões, nomeando os seus membros
e iniciando as visitas às conferências e províncias,
quase sempre com a temática do ajornamento]. O Capítulo
geral tinha dois objetivos específicos: a eleição
do Ministro geral e adaptação da Ordem ao Concílio
Vaticano II.
Uma orientação constante aos provinciais: "Atualização
não significa aceitação cega de tudo
o que é moderno ou atual, mas se realiza nestas etapas:
compreensão, reflexão crítica, discernimento,
eliminação do que não vale, aceitação
do que vale, inserção do novo na vida e em seguida
formação dos modos de pensar, de falar e de
agir que sejam expressão forte dos elementos que valem".
Em 19 de março de 1966, o Definitório geral
nomeou a Comissão internacional para a reforma total
das Constituições Gerais. Em junho, enviou a
todos os Ministros o primeiro esquema das futuras Constituições.
No dia 06 de maio de 1967, junto à Porciúncula,
Frei Constantino abriu o 177º Capítulo Geral da
Ordem. No dia 13 de maio de 1966, na vigília de Pentecostes,
Frei Constantino foi eleito no primeiro escrutínio
Ministro Geral da Ordem. No de 9 de junho 1973, durante o
Capítulo Geral, foi reeleito Ministro Geral. Nesse
Capítulo foram aprovadas, em sua redação
final, as novas Constituições que, todos admitiam,
era um documento verdadeiramente adaptado aos tempos do pós-concílio
e à base do qual a Ordem poderia redigir seus programas
de vida fraterna e de evangelização.
No dia 2 de junho de 1979, no Capítulo Geral de Assis,
foi eleito Ministro Geral da Ordem, Frei John Vaughn, Ministro
da Província de Santa Bárbara da Califórnia.
Frei Constantino partiu de Roma rumo ao Brasil no dia 16 de
julho de 1979, depois de 16 anos de serviços prestados
à Ordem, dos quais, 12 anos como Ministro Geral. Foi
chamado a guiar a Ordem num excepcional período de
transição, de evolução e de mudanças
tão rápidas e extraordinárias nunca vistas
antes. Soube guiar-nos com prudência, com firmeza e
caridade por uma estrada difícil e nova tanto para
ele quanto para nós.
Ministério itinerante e últimos anos em
Petrópolis - Retornando a Petrópolis não
quis voltar a ser professor de teologia. Foi acolhido calorosamente
pelos confrades, que segundo suas palavras, "empenharam-se
em me oferecer uma morada boa dentro da pobreza de espaço
do convento, Pobreza que sinto e aprecio". O quarto ocupado
por Frei Constantino, para trabalhar e para dormir (a antiga
enfermaria), não era apartamento. Até o fim
de sua vida o ex-Ministro Geral serviu-se do banheiro comum,
no corredor, distante 30 metros de seu quarto.
A partir de então, Frei Constantino entregou-se inteiramente
à dimensão de pregador itinerante: muitos retiros,
cursos, série de conferências, palestras e congressos
no Brasil e no exterior. Assim, de 1979 a 1985 exerceu de
fato um ministério itinerante.
Durante uma viagem a Colômbia, no dia 25 de outubro
de 1984, sofreu uma grave crise cardíaca, que o obrigou
a implantar marca-passo. Permaneceu em observação
e tratamento em Bogotá até o dia 4 de dezembro,
quando retornou ao Brasil. A partir daí, sofria de
um quase permanente estado de vertigens e sonolência
e fortes dores de cabeça. Com esses problemas teve
que conviver até o fim da vida. Aos poucos, começou
a cortar todos os compromissos que havia assumido anteriormente.
No ida 20 de dezembro de 1984, celebrou com seus colegas de
turma, os 50 anos de vida religiosa, no Convento Santo Antônio
do Rio de Janeiro. Em Petrópolis, embora permanecesse
falante e interessado por tudo, sua memória não
retinha mais o que lia. Continuou fiel ao coro, ao refeitório,
à sala de recreio, ao noticiário da televisão.
A partir de 1985 passou a celebrar na capelinha interna, ao
lado de seu quarto. Durante este período, visitou-o,
duas vezes, o Ministro geral, Frei John Vaughn, o Ministro
Hermann Schalück e o Ministro Giacono Bini.
Em outubro de 1992, passou por uma nova crise, em conseqüência
do esgotamento do marca-passo. Implantou um novo, em cirurgia
na Beneficência Portuguesa, em São Paulo. Nova
crise cardíaca em novembro de 1996, e nova cirurgia
no Rio de Janeiro. O marca-passo deixara de funcionar.
Em 30 de novembro de 1990, com seus treze colegas de turma
ainda vivos, celebrou os 50 anos de ordenação
sacerdotal, em Petrópolis. E no dia 08 de dezembro
de 1994, a missa dos 60 anos de vida religiosa, também
em Petrópolis. Em 9 de maio de 1998, celebrou seus
80 anos de vida, não teve condições de
presidir a missa nem de concelebrá-la. Assistiu-a,
sentado, mas muito feliz. Presidiu a celebração
o Ministro provincial Frei Caetano Ferrari.
Internado no dia 9 de dezembro de 2000 , no Hospital Santa
Tereza, em Petrópolis, em conseqüência de
um surto de erisipela e por uma diverticulite, passou ainda
dez dias, vindo a falecer no dia 19 de dezembro. Durante este
período foi acompanhado permanentemente pelos confrades
e pelo guardião Frei Ludovico Garmus.
Testemunhos do significado de sua vida - Para os
confrades de Petrópolis "Até o fim
de seus dias, uma referência de vida franciscana, de
cultura religiosa e humana; mais do que estimado, enquanto
ponto de referência, os Frades lhe tinham veneração,
pelo que representava e, acima de tudo, pelo que era. Fazia
questão de estar sempre no meio de nós. Era
um auxílio e uma luz, sobretudo para iluminar o caminho
dos mais novos. Servia de exemplo com sua notável assiduidade
nos momentos fraternos. A porta de seu quarto esta sempre
aberta e quem entrasse encontrava nele um confrade cheio de
prontidão, disponibilidade e acolhimento, um sábio
que intuía o de que estávamos precisando".
Redator da Vida Franciscana, Frei Clarêncio Neotti
- Foi um grande homem. E o fruto de sua grandeza foi a
fidelidade, o trabalho, o empenho sem limites, a consciência
do dever, a pronta solicitude e o contínuo aperfeiçoamento
dos compromissos, não importa quais fossem. Se foi
um homem apaixonado pela palavra, o foi também no exemplo
de frade menor". [...] Não há como não
admirar seu exemplo quando, terminados os dois mandatos de
Ministro geral, retornou a Petrópolis a viver em quarto
simples, sem água, sem banho no interior, sem secretário,
sem privilégio nenhum a não ser o da simplicidade
na pobreza".
Ministro geral, Frei Giacomo Bini - "Embora não
lecionasse, foi para os jovens Frades em formação
um mestre de humildade em seu modo simples de viver, e de
paciência em seu modo de encarar a enfermidade que lhe
tolhia qualquer trabalho apostólico fora de casa"...
"Agradeço à Província da Imaculada
Conceição do Brasil de haver dado à Ordem,
no momento justo, esse extraordinário homem de Deus,
que acreditou na construção da Igreja e de um
franciscanismo renovado, e empenhou nesse serviço toda
a generosidade de seu coração e agudeza de sua
inteligência"...
Vigário geral, Frei Estêvão Ottenbreit
- "Minha lembrança e admiração
se prende, nesse momento, sobretudo a esses últimos
anos em que os problemas de saúde física o restringiram
à cela e aos corredores do Convento de Petrópolis.
Conferencista famoso que era, teve que conservar-se silencioso.
Dotado de excepcional inteligência e acuidade de espírito,
teve de reduzir os contados com os grandes problemas do mundo
e da Ordem. Seu apostolado teve de reduzir-se especialmente,
mas tomou a grandiosa dimensão do bom exemplo, que
São Francisco sempre disse ser o nosso primeiro e melhor
modo de evangelizar... Frei Constantino leva grande mérito
no retorno da Ordem Franciscana a suas raízes, no aprofundamento
do carisma e sua adaptação fecunda aos tempos
de hoje".
O agradecimento por uma vida de graças - Por
ocasião do seu aniversário de 80 anos, pediu
que o Ministro Provincial Frei Caetano Ferrari lesse um bilhete
seu.
"Agradeço a todos que vieram para agradecer
comigo a Deus:
a graça física da boa saúde e de poucos
sofrimentos e enfermidades; / a graça de ser "católico",
ao menos um pouco, no sentido envolvente de São Francisco;
/ a graça dos Pais que tive e da educação
que recebi; / a graça dos anos que passei em Rio Negro;
/ a graça da vocação franciscana e sacerdotal;
/ a graça de fazer-me teólogo; / a graça
de ser professor; / a graça da palavra para anunciar
a tantos o amor misericordioso de Deus; / a graça de
fazer-me servir a tantos em tantos ensejos, especialmente
na função de Ministro geral;
a graça de amizades, respeito, apreço, louvor,
que recebi em tão grande medida; a graça que
está em tantos de imaginarem que dou bom exemplo.
Verifico que me faltou - a não ser em medida muito
reduzida - a graça de inimizade do desprezo, da repulsa,
da perseguição. Diante das promessas de abundância
destas graças que Cristo fez aos que o seguissem, só
me resta concluir que o balanço de minha vida acusa
enorme débito na fidelidade a Cristo. E assim me coloco
ao lado do publicano e suplico: Ó Deus, tende piedade
de mim, pecador!"
Frei Clarêncio Neotti
Vida Franciscana, nº 76, dezembro 2002, pp. 135-200.
<< VOLTAR
>>
|
|