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FREI
JOÃO DO AMOR DIVINO COSTA (1830 - 1909)
* Rio de Janeiro, RJ, 20/09/1830
Rio de Janeiro, RJ, 07/12/1909
Frei João do Amor Divino Costa, último remanescente
da geração antiga da Província da Imaculada
Conceição, faleceu em 1909, oito anos depois
da restauração canônica das duas Províncias
brasileiras: Santo Antônio e Imaculada Conceição,
ocorrida a 14 de setembro de 1901.
Carioca da gema, nasceu João Eustáquio da Costa
na freguesia de Santana, na data de 20 de setembro de 1830.
Aos 14 anos ingressou, como pupilo, no convento de Santo Antônio,
e em 17 de maio de 1845 tomou o hábito religioso, professando
somente a 20 de setembro de 1846, ao completar 16 anos.
Ordenou-se padre em 18 de junho de 1852.
Como era um dos poucos sobreviventes da antiga Província
da Imaculada Conceição, ocupou quase todos os
cargos e ofícios: mestre de noviços, guardião,
definidor, secretário da Província, procurador
geral, custódio. Com a morte do Provincial Frei Antônio
do Coração de Maria e Almeida, ocorrida a 19
de junho de 1870, quatro, dos seis sobreviventes da Província
o elegeram Vigário Provincial, em 02 de julho de 1870.
Ocupou este cargo durante 39 anos.
Frei Diogo de Freitas assim o descreveu pelo ano de 1899:
"Apesar da idade (quase 70 anos), a sua aparência
era a de um homem forte, musculoso e sadio. Era o velho frade,
de porte agigantado, robusto, apressado no andar, de cor morena
e cabelos lisos e finos, sem indícios de calvície;
a sua voz era cava e retumbante como a do trovão; o
seu semblante, sereno e concentrado; não ria, se bem
que muito conversador e contador de anedotas. No todo, era
uma figura impressionante, e seu físico combinava perfeitamente
com a rigidez do seu temperamento, às vezes violento,
o que o tornava temível, porém sempre justo
e inclinado a transigir... Cedia à reflexão
e à voz da consciência"
Infelizmente Frei João só veio a conhecer a
Província da Imaculada Conceição já
na época de sua completa e total decadência e
desagregação.
Em 1871, fez a visita a alguns dos conventos do sul: Itanhaém,
Taubaté, São Sebastião e Itu, todos eles
na então Província de São Paulo. Esteve
mais vezes e demorou-se mais tempo nos conventos de Vitória
e da Penha, estes no Espírito Santo.
Pode-se dizer que no início de sua gestão fez
o que pôde para salvar da ruína completa os conventos
abandonados e os destroços do elemento humano de que
ainda dispunha.
No mesmo ano de 1871 fez apelo ao Imperador, pedindo a reabertura
do noviciado (o decreto de fechamento datava de 19/05/1855).
Não foi atendido.
Por ocasião da assinatura do decreto de 13 de maio
de 1888, dando liberdade aos escravos, dirigiu carta ao conselheiro
João Alfredo, pedindo: "que se decretasse também
a liberdade espiritual escravizada". Baldados esforços.
De 1872 há dele um relatório detalhado do estado
das casas e do pessoal. Totalmente desanimador.
Tanto mais é de se estranhar a atitude de Frei João,
quando depois da proclamação da República
(15/11/1889) e a Santa Sé urgindo a revitalização
das ordens religiosas no Brasil, ele não mais se interessou
e contentou-se apenas com palavras evasivas.
Quando em 1893, foi-lhe citado o exemplo do Provincial da
Província de Santo Antônio, que nela frades saxões,
ele só afirmou "que mais de uma vez pedira ao
Padre Geral que o socorresse no seu isolamento".
Em 1899 veio ordem expressa da Santa Sé, para a incorporação
de novos religiosos e conseqüente continuidade da existência
da Província Franciscana da Imaculada Conceição.
Isto conseguiu-o com, muito jeito e diplomacia o encarregado
dos Negócios da Santa Sé, monsenhor Enrico Sibilia.
Dia 26 de abril de 1899, apresentarem-se a ele Frei Diogo
de Freitas, Frei Crisólogo Kampmann e o irmão
Frei Patrício Tuschen. Frei João declarou-os
agregados à sua Província. Aos 05 de junho do
mesmo ano, foi assinado ato público da aceitação
dos dois primeiros e publicado no Diário Oficial, no
dia seguinte.
Em 19 de março de 1901, recebeu ele ainda a profissão
solene de Frei Patrício, todavia tratava-os somente
como hóspedes, não interferindo em nada, é
verdade, mas totalmente desinteressado de qualquer iniciativa
ou colaboração. O certo é que ele não
sentia nenhuma simpatia pelos franciscanos alemães
que o Padre Geral tinha conseguido para a sua Província.
Apesar disso, por este seu gesto de condescendência,
foi Frei João nomeado Protonotário Apostólico,
com pontificais de báculo e mitra. Recebeu ainda o
título honorífico de Custódio da Terra
Santa. O rei de Portugal, Dom Carlos I, conferiu-lhe a comenda
da Ordem de Cristo.
Pelo ano de 1907, a saúde do outrora tão vigoroso
Frei João começou a declinar rapidamente. Foi
residir em Copacabana, mas os males se agravaram. Veio depois
para ma casa na rua da Carioca, mas poucos dias lhe restaram.
Faleceu em quase total abandono, dia 07 de dezembro de 1909,
cerca de 17:30 horas. Já agonizante, Frei Diogo de
Freitas lhe administrou os Santos Óleos, depois de
ter durante todo o dia o acesso barrado ao doente.
A venerável Ordem Terceira da Penitência, da
qual foi Comissário desde 1885, mandou embalsamar o
corpo e às suas expensas o sepultou no seu cemitério
da praia do Caju.
Com ele encerrou-se melancolicamente o destino da outrora
gloriosa falange dos religiosos da Província da Imaculada
Conceição da Senhora.
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