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FREI
BRUNO LINDEN
(1876 - 1960)
*
Duesseldorf, Alemanha, 08/09/1876
Joaçaba, SC, 25/02/1960
Poucos são de certo, os confrades, da
época, que não chegaram a conhecer
Frei Bruno. Quem o conheceu concordará
comigo que sua personalidade foi uma reprodução
fidelíssima das páginas mais inspiradoras
dos "Fioretti". Simples, pobre, humilde,
zeloso, e caridoso em grau impressionante, retratava
de maneira fiel, porém desestudada, os
traços mais marcantes de genuíno
frade menor segundo a mete e o modo de São
Francisco. Falando em Frei Bruno, não
cabem palavras difíceis. Nem pretendo
expor todas as minúcias tão simpáticas
quão edificantes de sua abençoada
carreira. Dou, apenas, em rápidos e leves
traços, os dados importantes do seu curriculum
vitae (fornecidos pelo Provincialado), para
logo em seguida condensar a impressão
que ele nos deixou nestes últimos anos
de íntimo convívio na residência
de Joaçaba.
Vida - Filho de Humberto Linden e Cecília
Goelden, nasceu Humberto Linden Jr. (mais tarde
Frei Bruno) em Duesseldorf, na Alemanha, a 8
de setembro de 1876. Com quase 18 anos de idade,
ingressou no noviciado dos Franciscanos da Saxônia,
em Harreveld, na Holanda. Tomou hábito
em 13 de maio de 1894. O famoso padre-mestre
Frei Osmundo Laumann deixou-lhe lembrança
indelével nas poucas semanas que passou
debaixo de sua tutela. Mal recebidos na ordem,
os noviços destinados para a "Missão
Brasileira", entre esses também
Frei Bruno, trocaram o convento do noviciado
por um navio transatlântico que os levou
à Bahia. Aportaram em Salvador aos 12
de julho de 1894. Em terras baianas, Frei Bruno
completou o noviciado, saiu-se ileso da febre
amarela, estudou filosofia e teologia e fez
profissão solene, esta a 19 de maio de
1898. Pela volta do século foi enviado
para Petrópolis, onde foi ordenado sacerdote
em 10 de maio de 1901 e aprovado para a cura
d'almas em fins do mesmo ano.
O jovem padre permaneceu ainda mais dois anos
em Petrópolis. Em 1904 foi transferido
para Gaspar, primeiro como superior e pároco
até 1906, continuando no mesmo lugar
mais três anos como coadjutor. A próxima
transferência levou-o a São José,
na função modesta de coadjutor
e bibliotecário; mais tarde, isto é,
desde 1914 confiaram-lhe os cargos de Praeses
e vigário da paróquia. Em 1917
tocou-lhe a incumbência de superior e
vigário na residência riograndense
de Não-Me-Toque.
Entre 1926 e 1945 medeia a prolongada estadia
em Rodeio, convento do noviciado, onde quase
todo o tempo era guardião e vigário,
enquanto o permitiam as constituições
e intercalados os devidos interstícios
de vacância de cargos. Durante quase 20
anos edificou sem cessar o povo de fora e os
religiosos de dentro com seu exemplo de autêntico
frade menor e arauto de Cristo. Este período
mereceria um artigo à parte de quem com
ele conviveu por mais tempo. Basta dizer aqui
que dificilmente as instruções
do Pe. Mestre aos noviços encontrariam
ilustração concreta e exemplo
vivo mais imponentes que na pessoa do santo
Frei Bruno.
O Capítulo Provincial de 1945 destacou-o
de Rodeio para Esteves Júnior. Lá
permaneceu só poucos meses, pois no fim
do mesmo ano foi designado superior e pároco
de Xaxim. Completou dois triênios à
testa da casa, continuando no mesmo lugar como
coadjutor até 1956. Octogenário,
acabado e encarquilhado foi parar em Joaçaba,
sua última morada terrestre.
Frei Bruno em Joaçaba - Depois do Capítulo
Provincial de 1956, a conselho do Pe. Provincial,
Frei Bruno foi para Luzerna a fim de passar
uma temporada de repouso, ou, como ele mesmo
entendia, preparar-se para a morte. Não
era para menos. A velhice, as fôrças
gastas e o corpo alquebrado pressagiaram o fim
da jornada. Duas hérnias e, por conseguinte,
duas cintas davam-lhe bastante que fazer e sofrer.
Todavia pensava também em trabalhar,
em continuar suas caminhadas para espalhar o
bem a todos. Em pouco tempo escasseou o serviço
em Luzerna e, a pedido dos confrades, foi passar
uns dias em Joaçaba onde descobriu novas
oportunidades de apostolado. Voltou a Luzerna
sem dizer nada, mas quatro dias depois apareceu
outra vez em Joaçaba, disposto a ficar.
Era em 2 de fevereiro de 1956.
A volta de Frei Bruno foi naturalmente uma grande
alegria para nossa pequena comunidade. Todos
nós apreciávamos a graça
de ter um santo em casa, e um santo que trabalha
sem dar trabalho. Os últimos quatro anos
em Joaçaba não foram mais do que
a continuação de um apostolado
que Frei Bruno vinha praticando há muitos
anos.
Quem conheceu Frei Bruno sabe de sua predileção
irresistível por longas e continuadas
caminhadas "pedibus apostolorum".
De fato, de manhã à noite mantinha-se
em movimento. Brincando com ele, chamamo-lo
muitas vezes de cigano sem paradeiro nem sossego.
Caminhava, visitando as famílias, benzendo
as casas, descobrindo uniões a legalizar,
consertando lares em desarmonia, visitando os
doentes, sempre no mesmo ritmo incansável,
morro- acima e morro-abaixo. Subindo pelas ladeiras
costumava andar em zigue-zague a fim de aliviar
o velho coração.
Nos primeiros meses ainda visitava as capelas
de Santa Helena e de Nossa Senhora da Saúde,
capelas por onde passa a linha de ônibus.
Mais tarde, notando a nossa preocupação,
desistiu espontaneamente. Em seguida ocupou
o cargo de capelão do Ginásio
Frei Rogério, a cargo dos Irmãos
Maristas. Atendia às confissões
dos Irmãos e juvenistas. Terminada a
santa missa, Frei Bruno dava as suas voltas,
chegando à casa um pouco antes do meio-dia,
quase sempre a pé, empunhando o guarda-chuva,
seu fiel e inseparável companheiro. Depois
do almoço "descansava" na igreja,
apoiando a cabeça na mesa do altar de
Nossa Senhora, rezando, ou, então na
salinha da portaria, onde atendia às
pessoas que o procuravam ou que ele havia chamado.
Interessou-se pelos detidos no xadrez. "Pe.
Praeses, será que posso pedir dinheiro
a algumas pessoas para comprar uma bola"?
- "Para que"? - "Para os presos".
E lá vai ele, pede o dinheiro, compra
a bola e a leva à cadeia, arrancando
ainda ao Delegado a licença para os coitados
jogarem futebol no pátio do presídio.
"Pe. Praeses, posso tirar tintas para os
presos pintarem a cadeia que está imunda"?
"Pe. Praeses, na cadeia não tem
luz. Posso levar uns maços de velas"?
Também tinha sempre em volta de si um
grupo de crianças pobres, às quais
dava a doutrina e às vezes também
pão e outros petiscos que depois faziam
falta à mesa.
Frei Bruno cuidava da água benta e conservava
uma talha sempre cheia na igreja, ao lado do
batistério. Aos sábados, vindo
os pobres para receber os mantimentos, iam beber
a água benta de Frei Bruno que não
gostava desse modo de matar a sede. Porém
dizia: "Paciência! As criancinhas,
coitadas, estão com sede".
Frei Bruno, pedestre convicto, não se
entusiasmava pelos meios de transporte modernos.
"Frei Bruno, não gostaria de dar
um passeio de avião"? - Não,
não, não! Imagine o que vai acontecer
se falta um parafuso"!
Os dias iam passando. O Ginásio Frei
Rogério recebeu novo capelão,
e Frei Bruno foi aposentado. Estava na hora.
Pois caminhar se lhe tornava mais custoso e
também a vista ia enfraquecendo casa
vez mais. A partir de 1958, Frei Bruno celebrava
sua santa missa às 5:30 hs no altar de
Nossa Senhora. Aí, ele dava a comunhão
às pessoas que madrugavam. Após
a missa ai ao confessionário, onde era
sempre procurado. O confessionário de
Frei Bruno era uma armação muito
simples com grade, de um lado a cadeira de confessor,
do outro lado o banquinho de ajoelhar para o
penitente. Terminando com as confissões,
Frei Bruno costumava ajoelhar-se naquele banquinho.
Volumosa era a correspondência que Frei
Bruno recebia. Uns pediam uma bênção,
outros a saúde para um doente, ouros
ainda sorte nos negócios ou bênção
contra ratos no paiol ou contra os bichos na
roça. A princípio Frei Bruno respondia
religiosamente a todas estas cartas, mas à
medida que se lhe ia enfraquecendo a vista,
ia desistindo da correspondência.
Em 3 de julho de 1959 celebrou pela última
vez a santa missa. A partir daquele dia comungava
às 5:30 hs, e depois ia ao confessionário.
Já não saia mais à rua,
mas continuava as audiências na salinha
da portaria que, por brincadeira, apelidávamos
de "conclave".
Em 25 de outubro, na companhia de Frei Serafim,
Frei Bruno deu o último passeio a Luzerna,
a fim de tratar de assuntos da Pia União
de Missas de Ingolstadt. Tanto em Luzerna como
em Joaçaba, Frei Bruno exercia um belo
apostolado em prol da dita União de Missas.
Em 20 de novembro, voltando da cidade, encontrei
Frei Bruno na sala da portaria, desmaiado, pálido
e frio. Eu estava certo de que a morte afinal
viera buscá-lo. Levamo-lo à cela,
e deitamo-lo na cama. Imediatamente veio o médico
prestando a assistência indicada. Já
ao meio-dia, nosso doente estava de pé,
meio tonto ainda, mas animado. A partir daquela
dia, Frei Bruno andava muito preocupado com
a morte. Em curto prazo, por duas vezes recebeu
a Extrema-Unção.
Entrando em 1960, ouvíamos diariamente
a mesma ladainha: "Hoje vou morrer".
Chamava o viático sua comunhão
diária. Até deixava de se alimentar
convenientemente e foi preciso, em nome da santa
obediência, obrigá-lo a comer.
Aí se normalizou a situação,
pois Frei Bruno dizia sempre: "Quem não
obedece aos superiores vai para o inferno"!
A obediência cega do santo confrade deu
também fim a uns tantos escrúpulos
e complexos de consciência.
As sandálias lhe ficavam pesando muito
e Frei Bruno calçou uns chinelos leves
e caminhava que nem velho colono italiano. Achou
pesado o rosário das sete alegrias e
pediu licença para usar um rosário
pequeno no cordão do hábito. Entretanto
dias depois apareceu outra vez com a grande
coroa, dizendo: "Acho que é uma
ofensa a Nossa Senhora andar sem o rosário".
No último mês teve que usar bengala
para caminhar. Até o último dia
atendeu as confissões e deu audiência
na sua salinha.
No dia 24, voltando do colégio das Irmãs,
não encontrando Frei Bruno nem na sacristia,
nem na portaria, nem no refeitório, foi
ao quarto dele onde o encontrei morto. Segundo
o médico, que veio depois, a morte devia
ter ocorrido umas duas horas antes.
Rapidamente se espalhou a notícia do
falecimento. Escusado dizer que a consternação
foi geral. As duas emissoras de Joaçaba,
a todo o momento, repetiam a triste nova, dando
também notícias biográficas
acerca do confrade. Ao meio-dia, o corpo foi
colocado na igreja e velado sem interrupção
até o dia seguinte. Veio muita gente,
e houve muitas lágrimas.
Dia 26 de fevereiro, o comércio e as
industrias fecharam em sinal de luto. Às
8:00 horas houve missa de corpo presente.
A espaçosa matriz mostrou-se pequena
para acolher tanta gente. Vieram para as exéquias
os confrades de Luzerna, Jaborá, e Xaxim.
No enterro contaram-se 120 carros. Foi o maior
enterro que já houve em Joaçaba.
No dia seguinte, em sessão da Câmara
Municipal, os vereadores lançaram em
ata um voto unânime de pesar pela morte
de Frei Bruno e, em sinal de luto, suspenderam
em seguida os trabalhos. Os motoristas de Joaçaba
renderam homenagem particular à memória
de Frei Bruno, organizando um grande cortejo,
rumando, de noite, à matriz onde todos,
ajoelhados na escadaria da Igreja rezaram pela
alma de Frei Bruno, e em seguida prosseguiram
na sua peregrinação. Já
se prepara campanha pela praça e monumento
de Frei Bruno em Joaçaba.
E nós? Estamos sentindo grande falta
de nosso boníssimo e santo confrade Frei
Bruno Linden.
Frei Edgar Loers
Vida Franciscana - Dezembro/1960 - N.º
27
População do Meio-Oeste dá
depoimentos de cura de doenças graças
à intercessão do religioso alemão
que viveu e morreu em Santa Catarina em 1960.
Do Jornal Diário Catarinense - 02/09/2001
Um novo candidato a santo está surgindo
no Meio-Oeste catarinense. Inúmeros depoimentos
de curas, milagres e graças alcançadas
estão levando a comunidade de Joaçaba
a iniciar um processo de busca da beatificação
do Frei Bruno Linden, para posterior santificação.
O frei que nasceu na Alemanha e morreu em Joaçaba
em 1960 já era considerado por seus fiéis
um santo ainda em vida.
Frei Bruno nunca aceitava carona, indo a pé
ou a cavalo para rezar missa nas comunidades
do interior. Alguns relatos dizem que pessoas
encontravam o frei na estrada e quando chegavam
no local da missa ele já estava lá.
Quando o frei levava mendigos para tomar café
em algumas famílias da comunidade fazia
sumir as moscas apenas dizendo para elas irem
embora.
Muitos também consideram que ele lia
pensamentos, pois quando levava pessoas pobres
para casar ou batizar, deixava de chamar testemunhas
que somente pensaram em reclamar de serem importunados,
sem explicitar esta intenção.
Inúmeras curas de doenças são
atribuídas a Frei Bruno.
Na Igreja Santa Terezinha, onde existe um museu
em sua homenagem, há dezenas de bilhetes
e objetos em gratidão por graças
alcançadas. Nos bilhetes provenientes
até do Rio Grande do Sul, da cidade gaúcha
de Passo Fundo, há relatos agradecendo
a obtenção de emprego, saúde,
cura de infecções, o deixar o
alcoolismo e outras intenções.
No museu, além de terços, fitas
e fotos há até muletas e um par
de botas ortopédicas, indicando que provavelmente
alguém deixou de usá-las após
rezar para Frei Bruno.
Fiéis consideram-no um intercessor
O museu ainda abriga vários objetos
pessoais de Frei Bruno, como uma bengala, uma
boina, um véu e um relógio. A
secretária da paróquia, Leila
Miazzi, destacou que todos os dias existem intenções
de missa para Frei Bruno e visitas ao busto
que fica ao lado da igreja.
A vendedora Ecila Espagnol Deitos passa toda
a semana no local para acender velas para o
Frei Bruno. Ela pede paz para sua família,
paz para o mundo e outras graças. Ecila
afirma que já foi atendida várias
vezes. Há um ano, sua irmã estava
fazendo tratamento contra um câncer no
esôfago, em Florianópolis, e não
estava reagindo, não querendo nem comer.
Ecila fez uma novena para Frei Bruno e sua irmã
começou a reagir ao tratamento.
Ela considera que o motivo da recuperação
é a fé e a intercessão
de Frei Bruno junto a Deus. "Deus dá
as graças, mas com o Frei Bruno como
intercessor fica mais fácil", explicou.
O pároco da Igreja Santa Terezinha, Pe.
Luís Carlos Bortolozzo, afirmou que está
recolhendo dados para encaminhar o pedido de
beatificação para o Vaticano.
Ele destacou que são necessários
dois fatos extraordinários que não
podem ser explicados pelo meio científico.
Como o caso de uma mãe, em Jaraguá
do Sul, que teve rompimento de placenta com
13 semanas de gestação, e posteriormente
voltou ao normal. A criança nasceu normalmente
e existe a declaração médica
de que ocorreu um fato não explicado
pela ciência. A documentação
de outro fato também está sendo
encaminhada.
Homem sobrevive à injeção
letal
Um dos relatos de milagre por intercessão
de Frei Bruno, cuja documentação
está sendo providenciada, é em
relação a Antônio Carlos
Weiss, de Joaçaba.
Em 1997, ele sofreu uma cirurgia para retirar
um tumor do intestino e teria que receber uma
injeção de cloreto de potássio
numa ampola juntamente com o soro.
Erroneamente, a injeção foi aplicada
na veia. Sua esposa Alcione Weiss conta que
Antônio ficou preto e teve parada cardíaca.
Alcione lembra que chamou um médico e
começou a gritar por ajuda a Frei Bruno,
mesmo pensando que seu marido não tinha
mais volta. Depois de 5 minutos de massagem
cardíaca, Antônio voltou à
vida. Em cima do peito dele, uma novena para
Frei Bruno que Alcione tinha deixado. Ela tem
a declaração de três médicos
de que foi um milagre seu marido ter se salvado
na ocasião.
Embora em virtude de estar muito doente, Antônio
acabou falecendo dois anos depois. Alcione conta
ainda que uma enfermeira de um hospital em Porto
Alegre olhou para a foto de Frei Bruno e afirmou
tê-lo visto caminhando no corredor. Alcione
disse que não sabe se vai chegar a ver
Frei Bruno beatificado, mas espera que pelo
menos seus filhos possam ver o processo concretizado.
A Câmara de Dirigentes Lojistas de Joaçaba
também está elaborando um projeto
para construir um monumento de 15 metros a Frei
Bruno, num morro. Anualmente, cerca de 30 mil
pessoas participam da romaria em Herval do Oeste
e Joaçaba, que geralmente ocorre no último
domingo de fevereiro. O culto a Frei Bruno não
se restringe a Joaçaba. Mais de 100 mil
novenas foram impressas.
Atendia fiéis até quando estava
doente
No município de Rodeio, recentemente
foi inaugurada uma nova capela para Frei Bruno.
Em Xaxim, existe um hospital, uma praça
e um busto em sua homenagem. Segundo o frei
da Igreja Matriz São Luiz Gonzaga, Afonso
Voguel, Frei Bruno seguia o exemplo de São
Francisco, na doação, no amor
e no serviço ao próximo.
Mesmo quando estava doente, não deixava
de atender os fiéis. As intenções
de missa em seu nome são um sinal da
devoção do povo que precisa de
alguém para escutá-lo e interceder
junto a Deus. Frei Afonso considera que Frei
Bruno deveria ser beatificado há muito
tempo, por ser um exemplo de vida humilde, digna
e com uma fé verdadeira.
O franciscano "santo" do Oeste
catarinense - 2002
A imprensa catarinense, em vésperas
de anunciar a data da canonização
da bem-aventurada Madre Paulina, traz hoje no
seu jornal mais importante, o "Diário
Catarinense", matéria de página
inteira sobre a crescente movimentação
em torno da venerada pessoa de nosso confrade
Frei Bruno Linden, falecido em Joaçaba
(1960). Durante mais de 40 anos, a freqüência
das visitas à sua sepultura nunca diminuiu,
sobretudo nas segundas-feiras, dia da semana
que ele recomendava ao povo como próprio
para as orações pelas almas. Também
através do Estado, o conhecimento da
pessoa e das virtudes do Frei Bruno continua
muito vivo. Muitas igrejas catarinenses têm,
afixado na entrada, um cartaz do Frei Bruno.
O jornal em apreço (25/02/02) fala de
40.000 pessoas que ontem compareceram à
romaria em Joaçaba, encabeçada
por 25 cruzes, representando as 25 comunidades
em que ele trabalhou. Da catedral, a romaria
percorreu os 3 km até o cemitério,
onde diante do túmulo de Frei Bruno,
o Bispo Diocesano, Dom Osório Beber,
presidiu à celebração evocativa
dos 42 anos desde o falecimento do "santo
do oeste". Há uma ativa comissão
de leigos que, há anos, percorre o Sul,
distribuindo material de promoção
pela causa de Frei Bruno.
Já se tem registro de vários casos
de curas cientificamente inexplicáveis,
além de fatos pitorescos que só
aumentam, aos olhos do povo, o nimbo de santidade
do seu padre.
No tempo em que eu trabalhava em Joaçaba
(1964), uma vez fui chamado pela esposa de um
grande fabricante de bebidas, que ansiava por
contar o que lhe aconteceu um dia. Estava chovendo
torrencialmente, quando ela viu o Frei Bruno
descer o morro próximo sem guarda-chuva
e sem abrigo nenhum. Ela gritou chamando-o para
dentro. Ele veio, mas ao pisar no alpendre da
casa, seu cabelo, seu hábito, suas sandálias
estavam como se não tivessem apanhado
nenhum pingo d'água... Motoristas de
caminhão contam outras histórias,
Frei Bruno não aceitava carona, percorria
a pé os caminhos entre uma e outra comunidade.
E alguns motoristas, que lhe tinham oferecido
em vão uma carona, descobriam que Frei
Bruno já estava na localidade do destino,
quando o caminhão lá chegava...
Encontro sua bela escrita e assinatura no I
Livro do Tombo da paróquia de Gaspar,
à folha 42ss. Foi aqui o 5° vigário,
desde que os franciscanos assumiram definitivamente.
Ainda bem que também este deixou aqui
a bênção das suas virtudes.
Frei Elzeário Schmitt
O prestígio crescente de Frei Bruno
Linden
Romaria - 2005
No último fim de semana de fevereiro,
a imprensa catarinense tornou a ocupar-se com
o "fenômeno" Frei Bruno, respeitado
como santo em todo o Oeste do Estado. Fora as
visitas e pequenas romarias contínuas,
há no último domingo de fevereiro
a romaria por assim dizer estadual a seu túmulo,
que enche a pequena cidade de Joaçaba
de verdadeiras multidões. Todos os nossos
três diários (Florianópolis,
Joinville e Blumenau) desta vez impressionaram-se
mais por causa da extensão e do volume
de pessoas presentes à 15ª romaria
regional que, neste ano, evocava os 45 anos
desde o seu falecimento, em 25 de fevereiro
de 1960, exatamente em Joaçaba. Embora
Comunicações já tenha trazido
à memória dos confrades este singular
acontecimento, para nós, da Província,
não é apenas honrosa, mas é
estimulante a lembrança já não
tanto das lendas, mas dos fatos que envolvem
toda a vida deste singular missionário
franciscano.
Os três jornais só diferem um pouco
na contagem dos romeiros, que desta vez teriam
deixado para trás todas as peregrinações
anteriores. Um deles fala de 45 mil pessoas.
Os outros dois contam 50 mil. Um correspondente
de Joaçaba fala dos "adoradores"
do Frei Bruno, uma ignorância que não
se esperava existir logo em Joaçaba.
Num livro que, "Deo Volente", está
para ser publicado sobre a paróquia de
Gaspar, Frei Bruno tem capítulo à
parte, devido ao simples fato de que este candidato
à veneração pública
começou propriamente aqui seu caminho
de "padre novo", onde, jovem ainda,
chegou a ser o 5º vigário franciscano
residente, entre 1904 e 1906, e onde seu respeitadíssimo
apostolado se viu marcado, já de início,
por um acontecimento insólito.
Frei Bruno tinha 28 anos quando veio para Gaspar.
Entre as festas que aqui na sede se realizavam,
gozava de grande popularidade também
a festa do Senhor Bom Jesus. O jovem vigário,
já por diversas vezes, antes da festa
e no próprio dia, chamara a atenção
sobre os exageros que costumavam marcar o entusiasmo
do povo, e determinava, em 1905, que dali em
diante a festa se realizaria sem o costumeiro
concurso dos festeiros, mas somente sob a orientação
do próprio pároco, pois nunca
havia vantagem material para a igreja, nem animação
espiritual: jogava-se muito dinheiro fora em
danças e bebedeiras. Diz a crônica
que "uma onda de indignação
percorreu as fileiras do povo após a
missa. Mas o sr. vigário insistia com
serenidade no seu propósito, com o que,
talvez à tarde ou à noite, seria
ameaçado de morte, não fosse acontecer
aí um verdadeiro julgamento de Deus.
Pois o povo, que à tarde comparecera
para festejar e criticar as determinações
da autoridade eclesiástica, viu o cadáver
de um jovem na flor da idade arrancado à
vida por morte repentina. Apesar da proibição
do vigário, ele participava de uma corrida
de cavalos". Aí a festa acabou.
Nem é de admirar que daí em diante
o respeito pelo Frei Bruno cresceu muito nesta
parte do Vale do Itajaí, mas que ele
ia deixar já pouco tempo depois, em 1906,
cedendo o governo da paróquia a seu sucessor,
Frei Dimas Wolff.
Frei Elzeário Schmitt
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