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| ENTREVISTA | 1ª parte | 2ª parte |
| QUEM
FOI D. AMANDO BAHLMANN |
| A MISSÃO DO RIO CURURÚ |
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PEQUENO HISTÓRICO |
1903 Em 21 de setembro, o Papa Pio X criou a Prelazia de
Santarém, tendo como prelado o padre Frederico
Benício de Souza Costa, que enfrentou muitas
dificuldades na região sugeriu ao Papa que entragasse
a Prelazia a uma Ordem religiosa. O Papa Pio X, acolhendo
o pedido do então prelado, decidiu entregar a
Prelazia de Santarém aos cuidados dos frades
menores.
1907 - 3
de agosto Chegada a Santarém dos primeiros
franciscanos chefiados por Frei Amando Bahlmann.
1909 A Província de Santo Antônio assumiu a
responsabilidade de manter frades na Prelazia, marcando
assim a segunda etapa da presença franciscana
na Amazônia.
1910 Fundação da Congregação
das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição
por Dom Amando Bahlmann e Madre Maria Imaculada.
1915 - 31 de maio Inauguração do novo convento
e orfanato de Nossa Senhora de Lourdes (atual Colégio
Santa Clara).
1918 Criação e funcionamento da Escola São
Francisco por Frei Ambrósio Philipsenburg.
1943 14
de março Inauguração do Ginásio
Dom Amando. Quatro frades norte-americanos da Província
do Sagrado Coração de Jesus, com sede
em St. Louis, reforçaram a presença na
Amazônia. Em 1958, a Custódia do Sagrado
Coração assumiu a Prelazia de Santarém,
hoje diocese. Os frades da Província de Santo
Antônio seguiram para a prelazia de Óbidos.
1990 Os frades presentes na Amazônia quiseram unir-se
em uma fraternidade, juntando-se a alemães, norte-americanos
e brasileiros, criando a Custódia São
Benedito da Amazônia.
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10/09/2007
Há cem anos, Frei Amando Bahlmann, OFM, era nomeado bispo da Prelazia de Santarém. Três anos depois, este missionário alemão fundava a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição. Responsável por este legado na região, Irmã Maria Petronila de Sousa Soares, ou simplesmente Irmã Nila, conta nesta entrevista um pouco da história da congregação e fala do desafio de manter este legado num mundo cada vez mais secularizado, numa região tão ampla e tão rica de belezas naturais e, por conseqüência, não menos rica em conflitos. “No ano passado, abrimos as comemorações do centenário de chegada de Dom Amando e, em 2010, vamos comemorar o centenário de fundação da Congregação. A nossa história não pode se separar dos franciscanos”, explica.
Das seis províncias das Irmãs Missionárias no mundo, Irmã Nila lidera hoje a maior delas, com sede em Belém, no Pará. Nos próximos meses, ela terá de visitar as 20 comunidades espalhadas por esta região amazônica, Ceará e Maranhão. Cada viagem em “voadeiras” (lanchas) não duram menos de 12 horas. Cearense, natural da mística cidade de Canindé, Irmã Nila não tem dúvida ao afirmar que o apelo vocacional à jovem e ao jovem de hoje só tem um caminho: o missionário.
Por Moacir Beggo
Site Franciscanos - Como nasceu a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição?
Ir. Maria Petronila – Dom Amando Bahlmann
chegou exatamente em 1907 a Santarém. Logo depois,
em 1910, ele fundou a Congregação. Tudo começou
quando ele foi à Alemanha e, numa celebração
no Convento das Clarissas, em Münster, perguntou se algumas
delas não querima ser missionárias na Amazônia.
Elas disseram que não, mas contaram a ele que havia
uma professora ingressando na Ordem. Então, Dom Amando
entrou em contato com ela e acertou a vinda para o Brasil.
Primeiro, esta professora fez um Postulantado rápido
com as Clarissas, vestiu o hábito e veio para o Rio
de Janeiro, onde passou a morar no Convento da Ajuda das Concepcionistas.
Com elas, a jovem irmã formanda passou uns dois meses
e, quando viajou para Santarém, teve a companhia de
mais 4 concepcionistas que deixaram o convento para ser missionárias.
Só que duas abandonaram a congregação
e uma, depois de 10 anos, retornou ao Mosteiro no Rio. Na
verdade, Dom Amando considera co-fundadora a Madre Imaculada,
que foi quem implantou o espírito da congregação.
Por causa da família franciscana, temos a espiritualidade
franciscana como centro de nosso carisma. Na verdade, o nome
da congregação deveria ter a palavra franciscana,
mas quando Dom Amando foi registrá-lo em Roma, já
existia uma congregação assim chamada e, como
ele tinha pressa, ficou Irmãs Missionárias.
Além disso, a irmã co-fundadora tinha sido curada
em Lourdes de uma tuberculose óssea - já tinha
perdido um dedo e ia amputar um braço - e, com toda
essa devoção a Maria – que também
é do carisma franciscano -, nossa espiritualidade
não poderia deixar de ser mariana e franciscana. E
como a congregação foi fundada para a missão,
ela é missionária. Tanto é que Dom Amando
mandou logo no início as irmãs para a missão
indígena com os frades, que é a Missão
de São Francisco do Rio Cururu, onde estamos ainda
hoje. E ela se espalhou no Baixo Amazonas, que naquela época
não conhecia a presença de religiosas. Os franciscanos
e as irmãs foram os primeiros. Então, todas
as escolas, hospitais que existem por aquela região,
foram construídos por Dom Amando e Madre Imaculada.
Pela necessidade da região, nosso trabalho é
direcionado para a educação, saúde e
a evangelização.
Site Franciscanos - E como se tornou uma grande congregação?
Ir. Nila – Cada vez que Dom Amando ia para a Alemanha, trazia jovens de lá para serem missionárias na Amazônia. Muitas morreram com febre amarela naquela época. Depois começaram a surgir as vocações nativas. É tanto que, hoje, praticamente a gente não tem irmãs alemãs. Só as que estão na Província da Alemanha, que são praticamente 36, e as da Província da Namíbia, que também tem algumas, mas nas duas províncias do Brasil só tem uma. Nos EUA, elas são bem idosas. No Brasil, uma província tem sede em Belém, que tem como território os estados do Pará, Amazonas, Maranhão e Ceará, e outra com sede em Salvador, que tem como território Bahia, Pernambuco, Sergipe e Piauí. Nós ficamos praticamente no Norte e Nordeste.
Site Franciscanos – Em que países a congregação está hoje?
Ir. Nila - Temos a Província da Alemanha, da Namíbia, de Tawain e dos EUA.
Site Franciscanos – Como foi esta expansão mundial?
Ir. Nila – Olha, como são os caminhos de Deus! Dom Amando com a co-fundadora viajaram aos Estados Unidos para arrecadar fundos visando à construção do Colégio Santa Clara em Santarém, para órfãos. Lá, no Convento São Boaventura, dos franciscanos da América do Norte, ela caiu, fraturou o fêmur e não pôde retornar para o Brasil. Aí, veio a 2ª Guerra Mundial e, então, ficou mesmo impossibilitada de retornar. Mas ela não parou. Abriu um noviciado lá e iniciou uma província nos EUA. Mesmo permanecendo por 14 anos acamada, ela governou a Congregação do leito. Tanto que o Generalato era lá em vez de ser em Santarém, que é a sede da fundação. Dali, ela enviou as irmãs para Taiwan e para a China. Por causa da revolução chinesa, as irmãs foram expulsas do país, mas em Taiwan nasceu uma província. Como pode ver, ela tinha um espírito missionário muito grande.
Site Franciscanos - Quantas irmãs tem a Congregação hoje?
Ir. Nila – A Congregação
já chegou a ter 600 irmãs. Hoje, somos 389 irmãs.
Mais da metade da Congregação está no
Brasil. Só na província de Belém, somos
102 e 98 em Salvador. Atualmente, a Europa vive uma crise
vocacional muito grande. A Província da Alemanha é
formada majoritariamente por idosas, sem muitas perspectivas
de entradas. Nos EUA não é diferente. Já
Taiwan e Namíbia têm muitas vocações.
Site Franciscanos – Quais os maiores desafios nas regiões da Amazônia?
Ir. Nila – A própria situação geográfica já é difícil. As distâncias são muito grandes. Então, praticamente em todas as cidades que Dom Amando mandou os frades, as irmãs estavam presentes. Por exemplo, em Santarém, durante muito tempo só tinha a presença dos frades e a nossa. Nós sempre tivemos uma relação fraterna muito boa com os frades. Como agora, na aldeia de Cururu e em Jacareacanga.
Site Franciscanos - Como é a Missão nestes lugares?
Ir. Nila - A Missão Cururu
fica no Alto Tapajós. Lá só existe a
população indígena mesmo. É feito
ali um trabalho na área de saúde, educação
e evangelização. Tudo respeitando a cultura
indígena. Tanto, que na celebração eucarística,
a leitura é feita na língua mundurucu. O Evangelho
é na língua portuguesa. É uma educação
diferenciada, própria para os índios. Os professores
são quase todos índios e o calendário
escolar é totalmente diferenciado e feito de acordo
com a colheita. Frei Amarildo aprendeu a língua mundurucu
muito bem e fez muitas cartilhas bilíngües. Depois
desta missão, a cidade mais próxima, que leva
um dia de viagem de “voadeira” (lancha), praticamente
sem interrupção, é Jacareacanga. Lá,
as irmãs trabalham com os frades na vila, nos rios,
com os ribeirinhos, uma população totalmente
diferenciada da cidade e que tem um ritmo próprio de
vida – e nas aldeias, com a população
indígena.
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