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Provincia Fraternidades Carisma Sefras SAV Missões Multimidia
       São Paulo, 20/11/2008, 15:55          
 
 
ENTREVISTA | 1ª parte | 2ª parte
QUEM FOI D. AMANDO BAHLMANN
A MISSÃO DO RIO CURURÚ

PEQUENO HISTÓRICO

1903 Em 21 de setembro, o Papa Pio X criou a Prelazia de Santarém, tendo como prelado o padre Frederico Benício de Souza Costa, que enfrentou muitas dificuldades na região sugeriu ao Papa que entragasse a Prelazia a uma Ordem religiosa. O Papa Pio X, acolhendo o pedido do então prelado, decidiu entregar a Prelazia de Santarém aos cuidados dos frades menores.

1907 - 3 de agosto Chegada a Santarém dos primeiros franciscanos chefiados por Frei Amando Bahlmann. 

1909  A Província de Santo Antônio assumiu a responsabilidade de manter frades na Prelazia, marcando assim a segunda etapa da presença franciscana na Amazônia.

1910   Fundação da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição por Dom Amando Bahlmann e Madre Maria Imaculada.

1915 - 31 de maio  Inauguração do novo convento e orfanato de Nossa Senhora de Lourdes (atual Colégio Santa Clara).

1918  Criação e funcionamento da Escola São Francisco por Frei Ambrósio Philipsenburg.

1943 14 de março  Inauguração do Ginásio Dom Amando. Quatro frades norte-americanos da Província do Sagrado Coração de Jesus, com sede em St. Louis, reforçaram a presença na Amazônia. Em 1958, a Custódia do Sagrado Coração assumiu a Prelazia de Santarém, hoje diocese. Os frades da Província de Santo Antônio seguiram para a prelazia de Óbidos.

1990  Os frades presentes na Amazônia quiseram unir-se em uma fraternidade, juntando-se a alemães, norte-americanos e brasileiros, criando a Custódia São Benedito da Amazônia.

 

 10/09/2007 

continuação

Site Franciscanos – Existem conflitos nesta região?
Ir. Nila -
Há muitos problemas de devastação das florestas, poluição dos rios. O rio Cururu ainda está limpo porque os índios realmente o defendem. Já o rio próximo a Jacareacanga está sendo poluído por mineradoras. Mas a devastação é muito grande. Com o apoio de todo o clero de Santarém, que se envolve nesta questão da Amazônia, é feita uma conscientização do povo. Por exemplo, fizeram um grande porto exclusivamente para exportação da soja. A Igreja toda se manifestou contra, porque os sulistas que foram para lá devastaram muito para plantar soja visando à exportação. Hoje, o porto vira saída de madeira. Tem padres que já foram ameaçados por eles, inclusive até já tocaram fogo na casa de um deles. Essa questão lá é muito séria. Esse trabalho de justiça e paz dos franciscanos tem muita repercussão lá. Em Santarém, os franciscanos conseguiram o apoio de todo o clero. Toda a diocese se envolveu no trabalho de justiça e paz. Dom Esmeraldo apóia este trabalho.

Site Franciscanos - Como foi que nasceu a parceria com o Sefras?
Ir. Nila -
Foi aberta uma Comunidade internacional aqui em São Paulo. Nós estamos neste processo de reestruturação da congregação, de vivenciar um pouco essa internacionalidade, fazendo intercâmbios de formandas e de irmãs professas. Um dos passos concretos dessa internacionalidade foi fundar essa comunidade em São Paulo. Só que ela foi um pedido de uma comunidade chinesa. Veio uma irmã da minha província, outra de Salvador, uma chinesa e uma tailandesa (Ir. Margareth, Ir. Joseana, Ir. Juliana e Ir. Rosa). Faltou um pouco mais de preparação, de inculturação e o trabalho não vingou. Quando a provincial da Alemanha esteve no Brasil e se encontrou com Frei Johannes (Bahlmann), falou desta comunidade. Frei Johannes – que é responsável pelo Departamento de Captação de Recursos da Província da Imaculada - falou do Sefras e daí nasceu a parceria. A primeira a trabalhar no Sefras foi a Irmã Margareth. Mas isso não parou aí. No ano passado, em setembro, num encontro entre províncias na Alemanha, o Frei Johannes lançou o convite para participar da Missão Franciscana de Angola. Você sabe, ele não perde tempo.... (risos). A gente ficou de pensar e amadurecer a idéia. Agora fomos visitar Angola para ver e conhecer a situação.

Site Franciscanos – Qual a sua avaliação?
Ir. Nila -
Acho que é um excelente campo de missão. Angola vive um momento rico, com a reconstrução, não só do país, como do povo. A decisão vai sair em janeiro. Nós visitamos vários trabalhos das irmãs em Luanda e fomos a Malange. A gente se encantou com Malange. Em Luanda, é preciso estar preparada para enfrentar os problemas de uma grande capital, ainda sem estrutura. Já Malange, no interior, é mais tranqüilo para quem está iniciando um trabalho. Além disso, tem outras congregações e os frades estão lá também. A adaptação vai ser mais fácil, acredito, do que em Luanda.

Site Franciscanos – Como seria formada a estrutura desta comunidade?
Ir. Nila
-
Vai ser uma comunidade interprovincial, mas de início só com as províncias do Brasil. A princípio, deveremos enviar três irmãs. Tem uma chinesa que já chegou e está se preparando no Centro Missionário de Brasília, para conhecer nossa língua e nossa cultura, porque ela vai morar lá com as brasileiras. Creio que em 2008, poderemos abrir a comunidade. Já vimos uma casinha atrás da igreja de Malange, que já foi residência de religiosas. Ela fica próxima da residência dos franciscanos da Imaculada. De início, estamos mandando as irmãs para a evangelização, provavelmente uma para a educação. Já existe um projeto da Missionszentrale de construir lá o Centro Catequético. Provavelmente, uma irmã seria para este centro. Segundo o bispo de lá, há cerca de 1.500 catequistas necessitando de formação. Sem dúvida, um grupo muito grande e que precisará ser dividido em várias turmas. Nos finais de semana, iríamos para as aldeias, assim como os frades.

Site Franciscanos - Como animar uma jovem hoje para seguir a vocação religiosa?
Ir. Nila -
O convite deve ser feito à juventude para ser missionária, com o espírito de São Francisco.  Hoje, quem vem para a vida religiosa, tem que ter essa consciência de que vem para sair em missão. Chamar o jovem para ser religioso dentro de uma instituição, não sei se tem algum atrativo. Penso que não. O que atrai o jovem é o desafio de ser missionário. Por exemplo, o trabalho do Sefras da Província da Imaculada atrai o jovem. Muitos trabalhos que fazemos no interior com jovens são preventivos, para não caírem nas drogas e na prostituição.

Site Franciscanos –  Conte um pouco de sua história até se tornar provincial?
Ir. Nila
Sou de Canindé, onde está o Santuário de São Francisco. Cresci ali naquele meio de religiosidade e espiritualidade franciscana. Participava depois dos grupos de jovens. Fiz o Postulantado em 78, o Noviciado em 79 e 80, e a profissão simples em 81. No começo, morava Ceará e depois fui transferida para o Pará, em Alenquer, e não voltei mais. Sou enfermeira. Fiz faculdade de enfermagem para trabalhar no hospital de Alenquer. Depois, tive a oportunidade de fazer uma experiência de intercâmbio na Alemanha por dois anos, mas quando estava com 1 ano e dois meses me chamaram de volta para assumir a administração do hospital. Quando estava com dois anos e meio no hospital, tivemos o Capítulo e sai como provincial.

Site Franciscanos – Como é a vida de uma provincial no Pará?
Ir. Nila -
No mundo de hoje, trabalhar com a sociedade e com os jovens não é fácil. E temos muitas irmãs jovens na província. É um desafio. Primeiro você tem de prepará-las para o mundo do trabalho. Depois, a nossa realidade geográfica é muito ampla. Por exemplo, vou fazer visitação agora. Preciso de dois meses e meio para passar dois dias em cada comunidade. Temos umas 20 comunidades. No Ceará, consigo fazer em um mês, mas no Norte não consigo. Hoje, não basta ser só religioso e ter boa vontade, é preciso estar preparado. Há ainda o desafio das instituições. Hoje, ser uma instituição filantrópica, requer muita organização. Todo nosso trabalho social nós organizamos e estruturamos como o Sefras. No momento em que a congregação se prepara para a celebração do centenário, estamos também com esse processo de reestruturação.      

Site Franciscanos – Gostaria de deixar alguma mensagem?
Ir. Nila
-
Eu queria dizer que essa aliança com os franciscanos vem desde a origem da congregação, com Dom Amando Bahlmann. Espero que ela continue por muito tempo. E parece que vai, pois Frei Johannes já lançou o convite para a Província de Taiwan trabalhar na Missão Franciscana da Tailândia, onde está Frei Paulo Borges, do Brasil. As irmãs de Taiwan ficaram todas empolgadas com a possibilidade de trabalhar ali, já que têm culturas semelhantes e a adaptação seria muito fácil.

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