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       São Paulo, 20/11/2008, 13:25          
 

 


Imagem de São Francisco no altar-mor

Missa do Galo marca um
novo tempo no
Convento São Francisco


Por Moacir Beggo
São Paulo (SP)
- O guardião do Convento São Francisco, Frei Anacleto Gapski, não poderia ter escolhido melhor data do que a Missa do Galo para marcar o novo ciclo histórico da Igreja e Santuário São Francisco. Mesmo faltando alguns trabalhos ainda para concluir o restauro da igreja, o público pôde participar de uma celebração, nesta véspera de Natal, no interior de um templo que voltou a exibir com detalhes toda a beleza de mais de três séculos.

A celebração, com uma liturgia forte e própria para o dia de Natal, foi intensa e bela. "A igreja está bonita, mas ainda não está pronta", explicou Frei Anacleto. "Mas não quero aqui falar de trabalho. Isso vamos ter muito depois do ano novo. Quero dar aqui um grande muito obrigado para quem batalhou até agora. Depois de cinco anos - quatro de definições e um e meio de trabalho -, a igreja está aí, mais bonita", disse. "Pela primeira vez, estamos celebrando sem poeira e andaimes. Só fumaça do incenso", brincou o guardião.

Na sua homilia, disse que não queria falar de "coisas tristes", mas abriu sua fala citando os comerciais de rádio e TV que mostram exaustivamente os pedidos de presente de Natal ao bom velhinho. " Meu pai quer isto..., eu quero só uma boneca, eu quero isso...", citou, para frisar em seguida: "Eu não quero qualquer presente. Quero um presente muito bom. Bom, mas bom mesmo. Mas que presente é este? Na verdade, são três presentes", disse.

Frei Anacleto explicou que, em primeiro lugar, vamos pedir muita vida. "Nem vamos pedir saúde. Nesses dias, celebrei em um lugar com muitos doentes. Eles não pediram saúde. Eles pediram vida. Aí aprendi que a gente não pede saúde; a gente pede vida. Com saúde ou sem saúde, a gente tem vida. Então, nós vamos pedir vida. Aquela vida que veio com o Cristo que nasceu. Vida em abundância. Vida que é tudo aquilo que faz o homem imaginar que é grande. Que faz o homem caminhar. Ser o que ele é. É o primeiro presente".

"Depois, posso contar o lugar, que foi no Hospital da Cruz Verde, que é o maior e o melhor no atendimento de paralisia cerebral. Sabe o que eles pediram? Esperança. Eles disseram: quando a gente não tem esperança, a gente não sabe para onde vai. Então, este é o segundo presente que vamos pedir. Que Deus nos dê esperança para não pararmos no meio do caminho, não desistirmos. Esperança de um mundo melhor, de justiça, de paz, de igualdade, fraternidade. Esperança de mais esperança", frisou.

" A gente tem vida e esperança, o que mais vocês querem?", perguntou. Ele mesmo respondeu: Alegria. "Chega de cara feia. O Cristo nasceu, trouxe a vida, trouxe a esperança. Nós queremos alegria", comemorou, desejando a todos um Feliz Natal.

No final da celebração, Frei Anacleto ainda explicou o momento de surpresa com a descoberta da pintura no forro em arca na capela-mor. "Já tínhamos colocado uma mão de tinta e de repente tivemos de tirar mais de cinco ou seis camadas de tintas", contou.

Frei Anacleto lembrou que na capela-mor houve um incêndio e que as pinturas encontradas no forro são desta época, ou seja, de 1870. Neste período, somente a imagem de São Francisco foi salva. Já o forro em arca na nave da igreja é anterior a este período. Os dois trabalhos são de autores desconhecidos.

Segundo Frei Anacleto Luiz Gapski, ficarão faltando os trabalhos de iluminação, sonorização e limpeza dos bancos e pisos para concluir esta etapa do restauro.

Exposição de Presépios - Até o dia 6 de janeiro, Dia dos Reis Magos, o público poderá visitar a Mostra Franciscana de Presépios no interior do Claustro do Convento São Francisco. Mais informações: (11) 3291-2400