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| Imagem de São Francisco no altar-mor |
Missa do Galo
marca um
novo tempo no
Convento São Francisco
Por Moacir Beggo
São Paulo (SP) - O guardião do Convento São
Francisco, Frei Anacleto Gapski, não poderia ter escolhido
melhor data do que a Missa do Galo para marcar o novo ciclo histórico
da Igreja e Santuário São Francisco. Mesmo faltando
alguns trabalhos ainda para concluir o restauro da igreja, o público
pôde participar de uma celebração, nesta véspera
de Natal, no interior de um templo que voltou a exibir com detalhes
toda a beleza de mais de três séculos.
A celebração, com uma liturgia forte e própria
para o dia de Natal, foi intensa e bela. "A igreja está
bonita, mas ainda não está pronta", explicou
Frei Anacleto. "Mas não quero aqui falar de trabalho.
Isso vamos ter muito depois do ano novo. Quero dar aqui um grande
muito obrigado para quem batalhou até agora. Depois de cinco
anos - quatro de definições e um e meio de trabalho
-, a igreja está aí, mais bonita", disse. "Pela
primeira vez, estamos celebrando sem poeira e andaimes. Só
fumaça do incenso", brincou o guardião.
Na sua homilia, disse que não queria falar de "coisas
tristes", mas abriu sua fala citando os comerciais de rádio
e TV que mostram exaustivamente os pedidos de presente de Natal
ao bom velhinho. " Meu pai quer isto..., eu quero só
uma boneca, eu quero isso...", citou, para frisar em seguida:
"Eu não quero qualquer presente. Quero um presente muito
bom. Bom, mas bom mesmo. Mas que presente é este? Na verdade,
são três presentes", disse.
Frei Anacleto explicou que, em primeiro lugar, vamos pedir muita
vida. "Nem vamos pedir saúde. Nesses dias, celebrei
em um lugar com muitos doentes. Eles não pediram saúde.
Eles pediram vida. Aí aprendi que a gente não pede
saúde; a gente pede vida. Com saúde ou sem saúde,
a gente tem vida. Então, nós vamos pedir vida. Aquela
vida que veio com o Cristo que nasceu. Vida em abundância.
Vida que é tudo aquilo que faz o homem imaginar que é
grande. Que faz o homem caminhar. Ser o que ele é. É
o primeiro presente".
"Depois, posso contar o lugar, que foi no Hospital da Cruz
Verde, que é o maior e o melhor no atendimento de paralisia
cerebral. Sabe o que eles pediram? Esperança. Eles
disseram: quando a gente não tem esperança, a gente
não sabe para onde vai. Então, este é o segundo
presente que vamos pedir. Que Deus nos dê esperança
para não pararmos no meio do caminho, não desistirmos.
Esperança de um mundo melhor, de justiça, de paz,
de igualdade, fraternidade. Esperança de mais esperança",
frisou.
" A gente tem vida e esperança, o que mais vocês
querem?", perguntou. Ele mesmo respondeu: Alegria. "Chega
de cara feia. O Cristo nasceu, trouxe a vida, trouxe a esperança.
Nós queremos alegria", comemorou, desejando a todos
um Feliz Natal.
No final da celebração, Frei Anacleto ainda explicou
o momento de surpresa com a descoberta da pintura no forro em arca
na capela-mor. "Já tínhamos colocado uma mão
de tinta e de repente tivemos de tirar mais de cinco ou seis camadas
de tintas", contou.
Frei Anacleto lembrou que na capela-mor houve um incêndio
e que as pinturas encontradas no forro são desta época,
ou seja, de 1870. Neste período, somente a imagem de São
Francisco foi salva. Já o forro em arca na nave da igreja
é anterior a este período. Os dois trabalhos são
de autores desconhecidos.
Segundo Frei Anacleto Luiz Gapski, ficarão faltando os trabalhos
de iluminação, sonorização e limpeza
dos bancos e pisos para concluir esta etapa do restauro.
Exposição de Presépios - Até
o dia 6 de janeiro, Dia dos Reis Magos, o público poderá
visitar a Mostra Franciscana de Presépios no interior do
Claustro do Convento São Francisco. Mais informações:
(11) 3291-2400
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