"Deitado numa manjedoura"(Lc 2, 1-14)
Beato João XXIII (1881-1963), papa
Amanhã deve ser dia de grande recolhimento e de grande fervor. Jesus está próximo, está mesmo a sair do seio materno. Já faz ouvir a sua voz cheia de amor: “Eis que eu venho!” (Ap 16,15) E eu devo preparar-me com uma atenção especial para a sua vinda, porque dela espero benefícios imensos.
Tenho grandes coisas a comunicar-lhe e ele tem enormes e incontáveis presentes para me oferecer. Amanhã, o meu espírito e o meu coração devem ficar calmos durante todo o dia, diante do tabernáculo, transformado nestes dias em estábulo de Belém. “Vem, bom Jesus, vem e não tardes!”…
A noite vai avançada, as estrelas cintilam no frio do céu. Chegam aos meus ouvidos as vozes barulhentas e os gritos da cidade. São os que gozam este mundo, os que festejam com excessos a pobreza do Salvador. E eu velo, pensando no mistério de Belém. Vem, Senhor Jesus, estou à tua espera.
Maria e José, rejeitados pelos habitantes e sentindo que o momento se aproxima, partem para o campo à procura de um abrigo. Eu sou apenas um pobre pastor, só tenho um pobre estábulo, uma pequena manjedoura e um pouco de palha, Ofereço-vos tudo, tende a bondade de aceitar esta pobre cabana. Apressa-te, Jesus, eis o meu coração para ti.
A minha alma é pobre e vazia de virtudes, a palha das minhas muitas imperfeições picar-te-á; mas que queres tu, Senhor? É tudo o que possuo. A tua pobreza comove-me, enternece-me, arranca-me lágrimas. Mas não vejo nada melhor para te oferecer. Jesus, enfeita a minha alma com a tua presença, com as tuas graças, queima a palha e transforma-a em lençol para o teu corpo santíssimo…
Jesus, eu te espero… Eles deixam-te gelar; vem para o meu coração. Sou apenas um pobrezinho mas aquecer-te-ei como puder; pelo menos, quero que te alegres com o desejo que tenho de te amar muito. |