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Vitório Mazzuco, OFM.
A
Visão Otimista do Mundo
A prece na tradição cristã antiga
passa também pela contemplação da natureza,
não apenas como um sentimento romântico, mas
trata-se de fato de uma paixão. É saber ver!
Diz São Basílio: "O Senhor não
se serve de olhos para contemplar a Beleza da sua Obra,
mas nós precisamos de olhos para admirá-la.
A Beleza é a base da obra criadora.".
Para os Padres Gregos a criação é
Deus ornando o caos. O cosmos é o encontro da Ordem,
Ornamento e Harmonia. Deus cria dando forma ao informe.
O mundo é um resultado de alguém que olha
segundo um modelo de Ser. O Senhor cria, cuida e conduz.
Idolatria seria afastar-se de Deus, seria esquecer o mundo
em sua multiplicidade, ordem e ritmo. O mundo deve ser a
recordação constante desse contato com o Divino.
As coisas criadas são feitas para evocar isto. Elas
são um intercâmbio: Humano-Natureza-Comunhão
com o Sagrado. O ser humano se torna pessoa enquanto é
relação com a totalidade, e se possui relação
com as coisas deve ter também uma íntima relação
com o Absoluto.
Esta relação Humano-Mundo e Humano-Deus
é bastante nutrida pela natureza, porque o mundo
representa um espetáculo, um convite do Senhor para
colocar o Humano em comunhão com Ele ao VER sua obra.
Aqui está o ponto central da Espiritualidade Antiga
no que se refere ao criado: a Sacralidade do Mundo, a contemplação
religiosa da criação! A natureza é
um livro aberto para conhecer Deus e o seu plano de Amor.
O ato criativo de Deus é contínuo, mas o
ponto forte é que Deus cria Encarnando-se! O Verbo
se fez carne e impregnou a paisagem humana da Boa Nova.
É preciso ver com alegria o Verbo em todas as coisas,
pois Ele completa o plano salvífico global do Pai,
por isso é preciso Reconhecer e Agradecer. O Verbo
é o sentido eucarístico do mundo.
Na Espiritualidade Patrística a visão otimista
do mundo tem uma justificação soteriológica:
a matéria toda é assumida pelo Verbo para
operar de um modo completo a nossa salvação:
"Não cessarei de levar a minha veneração
à Matéria através da qual se operou
a minha salvação", escreve São
João Damasceno.
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