

Por Frei Regis R.
Daher, OFM
Neste sábado, dez jovens - 8 da Província da Imaculada
e dois da Fundação Nossa Senhora de Fátima
- foram admitidos ao Noviciado Franciscano, em Rodeio (SC),
em celebração, às 7 horas, pelo Ministro
Provincial Frei Augusto Koenig. Durante o ano de 2007, eles
se preparam mais intensamente na etapa do Postulantado, em Guaratinguetá
(SP). Destes 8 da Imaculada, cinco iniciaram o cultivo vocacional,
em 2006, no Aspirantado São Francisco, em Ituporanga
(SC), e os outros três no Seminário Santo Antônio,
em Agudos (SP). Todos eles almejaram, sonharam e se prepararam
para este momento, pois o Noviciado é como que o berço
da vida religiosa.
O ano de Noviciado,
tempo de conhecimento e experiência
Conforme os documentos da Ordem e as orientações
da Igreja, “o Noviciado é um período de
formação mais intensa e tem o objetivo de fazer
que os noviços conheçam e experimentem a forma
de vida de São Francisco, impregnem mais profundamente
a mente e o coração de seu espírito e,
avaliando melhor o chamado do Senhor, comprovem seus propósitos
e sua idoneidade” (CCGG, art. 152).
O
Rito da Admissão, anteriormente chamado de “vestição”,
celebra o início deste tempo de conhecimento e experiência
do carisma de São Francisco e de sua espiritualidade.
Dois sinais marcam esta escolha e decisão: a recepção
do hábito franciscano no dia em que o jovem postulante,
oficialmente, inicia sua vida na Ordem dos Frades Menores. O
segundo sinal desta inserção é o título
pelo qua cada um passa a ser chamado, como qualificação
de sua pessoa: “Frei”, que significa “irmão”.
Assim, por exemplo, Frei José, Frei Antônio, Frei
Mário...; conservando, porém, o seu nome de batismo.
Mais do que
meras palavras, são duas as dimensões que indicam
a essência do tempo de noviciado: conhecimento e experiência.
“Conhecimento mais profundo e vivo de Jesus Cristo, das
exigências radicais do seguimento e do chamado divino
à vida franciscana” (RF 191). |
Continua
o discernimento e o aprofundamento (já iniciados nas
etapas anteriores do Aspirantado e Postulantado) da própria
decisão de seguir a Jesus Cristo na Igreja e no mundo
de hoje segundo o espírito de São Francisco.
Isso significa também aprofundar-se no conhecimento
de si mesmo, “purificando suas motivações,
examinando suas intenções e discernindo sua
aptidão para a vida franciscana” (RF 190, 194).“Experimenta
mais profundamente a forma de vida franciscana, [...] a vida
própria da Ordem participando da Fraternidade local
e integrando-se gradualmente na Fraternidade Provincial”
(RF 192). Por isso, durante este ano, os noviços intensificam
a vida em comum, entre si e com a Fraternidade Formadora da
casa (o guardião, o mestre e o vice-mestre dos noviços
e os demais frades). Durante o ano, participam também
de algumas atividades na própria comunidade eclesial
e nos eventos e celebrações das outras casas
franciscanas da região. Por isso, no final do Rito
de Admissão, o Ministro Provincial, depois de ter acolhido
esses oito jovens para esta experiência, confia-os ao
cuidado desta fraternidade local para “viver teórica
e praticamente, na Igreja e na Ordem, uma comunhão
mais profunda com a humanidade de hoje na sua realidade histórica,
social, política, cultural e religiosa” (RF 195).
Este “conhecimento mais profundo e vivo” se traduz
no dia-a-dia, no estudo e reflexão da Teologia da Vida
Religiosa, da Regra dos Frades Menores, das Constituições
e Estatutos Gerais da Ordem, sobretudo dos escritos de São
Francisco de Assis. Simultaneamente ao estudo, o noviço
se dedica diariamente à leitura e meditação
da Sagrada Escritura, sobretudo do Evangelho, de modo que
“sua mente e seu coração se transformem
pela força da Palavra de Deus” (RF 197). Portanto,
o desafio maior é exatamente o de “conhecer (mente)
para amar (coração)”, um dos imperativos
da vida franciscana.
Por outro lado, o noviço deve buscar “o desenvolvimento
do aspecto contemplativo, na fidelidade à oração
pessoal e comunitária, e para a vivência mais
profunda do mistério pascal na celebração
ativa e cotidiana da Liturgia, a exemplo de Maria, e dos exercícios
de piedade recomendados pela sã tradição
da Ordem”. Ao mesmo tempo, a vida do Noviciado acontece
na prática da vida evangélica, no exercício
permanente da comunhão fraterna e na participação
das atividades próprias dos frades: trabalho manual
para o sustento da casa, o cuidados pelos idosos e enfermos,
os serviços domésticos, o esporte e o lazer.
Os noviços iniciam a construção de um
projeto pessoal de vida franciscana que os demais frades já
procuram viver na Província Franciscana da Imaculada
Conceição do Brasil. Portanto, é com
alegria e muita esperança que acolhemos esses novos
irmãos em nosso meio, como manifestação
da mesma e única vocação que todos recebemos
de Deus.
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