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Joseph Ratzinger
é eleito e assume com o nome de Bento 16
Cotado como um dos principais papabiles, o cardeal alemão
Joseph Ratzinger, de 78 anos completados no sábado,
foi eleito nesta terça-feira o 265º papa da história
da Igreja. Ele adotou o nome de Bento 16.
Por volta das 13h40 (de Brasília), o protodiácono
anunciou "Habemus Papam" (temos papa). Como já
faz parte do ritual, o novo papa veio até a janela
do Vaticano e pronunciou o "urbi et orbi" (bênção
a Roma e ao mundo), vestido com os trajes brancos tradicionais
de seda e lã e com o solidéu (gorro) na cabeça.
Ratzinger ficou conhecido como o braço direito de
João Paulo II, cuidando de muitas funções
da Igreja durante a sua doença. Mas ele é também
conhecido pelos 23 anos com que dirigiu a Congregação
para a Doutrina da Fé do Vaticano, órgão
que ficou no lugar do tribunal da Inquisição.
No Brasil, ele ficou muito conhecido quando a Congregação
para a Doutrina da Fé impôs ao então Frei
Leonardo Boff a lei do silêncio. O alvo foi a Teologia
da Libertação e os teólogos que se identificavam
com a nova linha teológica.
Ratzinger se comunica em dez línguas e recebeu sete
doutorados honorários. É considerado um excelente
pianista, e tem preferência por obras de Beethoven (1770-1827).
O cardeal nasceu em um Sábado de Aleluia em Marktl
am Inn, na Baviera, em 16 de Abril de 1927, e foi batizado
no mesmo dia. Filho de um policial, Ratzinger viajou por muitas
cidades devido às intermináveis transferências
de local de trabalho impostas a seu pai.
Em dezembro de 1932, devido às críticas abertas
do pai de Ratzinger contra os nazistas, sua família
foi obrigada a se mudar para Auschau am Inn, nos alpes da
Baviera. Cinco anos mais tarde, com a aposentadoria de seu
pai, a família de Ratzinger se mudou para Hufschlag,
nos arredores da cidade de Traunstein (Baviera), onde Ratzinger
passou a maior parte de sua adolescência.
Ratzinger começou a estudar latim e grego ainda no
ginásio. Em 1939, aos 12 anos, dá o primeiro
passo para sua carreira eclesiástica e entra para o
pequeno seminário de Traunstein. Quatro anos mais tarde
Ratzinger e seus colegas de seminário foram convocados
para o Flak [corporação antiaérea], responsável
pela proteção de uma fábrica da BMW em
Munique, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Ainda
assim, continua freqüentando as aulas no Maximilians-Gymnasium
(Munique) três vezes por semana. Em setembro de 1944,
quando atingiu a idade militar, Ratzinger foi liberado da
Flak e voltou para casa. Em novembro do mesmo ano, Ratzinger
se alistou no treinamento básico da infantaria alemã,
mas por motivos de doença [não-divulgados] foi
dispensado da maioria das obrigações militares
severas.
Prisioneiro de guerra
Na primavera de 1945 [final de abril], com a aproximação
das forças aliadas, Ratzinger desertou do Exército
e se dirigiu para sua casa em Traunstein. Quando os americanos
finalmente chegaram a seu vilarejo, eles resolveram estabelecer
um quartel-general na casa de Ratzinger --que foi identificado
como um soldado alemão e preso num campo para prisioneiros
de guerra.
Em junho do mesmo ano foi libertado e voltou mais uma vez
para sua casa em Traunstein, seguido por seu irmão
Georg, em julho. Em novembro, finalmente, Ratzinger e seu
irmão retornaram ao seminário. Em 1947, Ratzinger
entrou no Herzogliches Georgianum, um instituto teológico
associado à Universidade de Munique. Paralelamente,
estudou filosofia e teologia na universidade de Munique e
na Escola Superior de Freising.
No dia 29 de junho de 1951, Ratzinger e seu irmão
foram ordenados padres pelo cardeal Faulhaber de Munique na
Catedral de Freising, durante a festa de São Pedro
e São Paulo. Dois anos depois, Ratzinger recebeu seu
doutorado em teologia pela universidade de Munique. Em seguida,
ele produziu seu primeiro trabalho importante: "Volk
und Haus Gottes in Augustins Lehre von der Kirche" ("O
povo e a Casa de Deus na doutrina de Santo Agostinho para
a Igreja", em tradução livre). Ratzinger
dedicou seu "Habilitationsschrift" [tese de pós-doutorado]
para a história da teologia.
Em 15 de abril de 1959, Ratzinger começou a lecionar
como professor titular de teologia na universidade de Bonn,
onde permaneceu até 1969, e na universidade de Münster
[de 1963 a 1966]. Ratzinger perdeu seu pai em 1959. Quatro
anos depois sua mãe também morreu.
Em 1966, já bastante conhecido, conseguiu uma cadeira
em teologia dogmática na universidade de Tübingen,
onde sua indicação foi fortemente apoiada e
defendida pelo teólogo suíço Hans Küng
[que questiona a autoridade papal]. Ratzinger continuava convicto
sobre sua visão tradicionalista apesar da atmosfera
liberal de Tübingen, no Estado de Baden-Württemberg,
e da tendência marxista do movimento estudantil nos
anos 60.
Três anos mais tarde, ele retornou para a Baviera e
foi para a Universidade de Regensburg, onde foi professor
de teologia dogmática e de história do dogma,
além de vice-presidente e reitor da universidade. Posteriormente
transformou-se em conselheiro teológico dos bispos
alemães.
Em 1972, Ratzinger fundou o jornal trimestral teológico
"Communio" com os teólogos Hans Urs von Balthasar
[suíço] e Henri de Lubac (1896-1991, francês),
entre outros. "Communio", agora publicado em alemão,
inglês e espanhol, tornou-se um dos mais importantes
jornais do pensamento católico.
Cinco anos depois, em março de 1977, Paulo 6º
elegeu Ratzinger arcebispo de Munique e Freising e, em maio,
foi consagrado o primeiro padre diocesano a conquistar o Ministério
Pastoral da Grande Diocese da Baviera.
O papa Paulo 6º também nomeou Ratzinger cardeal
no consistório [assembléia de cardeais presidida
pelo sumo pontífice], em 27 de junho de 1977. Depois
disso, ele e se tornou bispo de Velletri-Segni e Ostia --que
tradicionalmente é a "ante-sala" para o trono
do papado.
Em 25 de novembro de 1981, o papa João Paulo 2º
nomeou Ratzinger encarregado da Congregação
para a Doutrina da Fé, anteriormente conhecida como
Tribunal da Santa Inquisição, que foi renomeado
em 1908 pelo papa Pio 10º. Ele também presidiu
as comissões bíblica e pontifícia internacional
teológica.
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