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Os desafios de Bento 16

Embora num princípio possa se pensar em "continuísmo", religiosos e observadores vaticanos dizem que depois de 26 anos de Pontificado de João Paulo II - marcado por um conservadorismo em assuntos de ética e moral - Bento XVI deverá tomar medidas que façam com que os fiéis "voltem os olhos para a Igreja novamente".

"É necessária uma figura que garanta uma certa continuidade, mas também uma descontinuidade com o passado", afirmou monsenhor Gianfranco Ravasi, prefeito da Biblioteca Ambrosiana de Milão.

Governo comum

A Igreja ainda tem pendente a questão da colegialidade (governo comum), ou seja a relação entre a Cúria e os episcopados nacionais. No último sínodo de Bispos realizado em 2001 no Vaticano, esse foi um dos pontos mais enfatizados pelos prelados.

Muitos bispos consideram que é preciso dar força ao governo comum da Igreja Católica e aumentar as atribuições das conferências episcopais. Já na Cúria, muitos acreditam que o governo central da Igreja deve prevalecer.

No texto final do Sínodo afirma-se que a Igreja Católica não pode ser entendida como uma federação de igrejas locais, que a concepção individualista "está superada" e que o bispo não está nunca só porque sempre está em comunhão com os outros bispos e com o papa.

Falta de vocações

Outro ponto é a falta de vocações, sobretudo nos países desenvolvidos, e a conseqüente diminuição de sacerdotes. A cada dia há mais paróquias sem sacerdotes e estes têm que se multiplicar para cobrir várias cidades.

Diante do problema, volta a surgir a questão do celibato. João Paulo II foi inflexível nesse ponto, mas a cada dia há mais vozes, também dentro da Igreja, que defendem o fim dessa tradição e a permissão de casamento aos sacerdotes. Mas não parece provável que Bento XVI vá mudar esse ponto.

Sacerdócio feminino

O papel da mulher na Igreja é outra questão pendente. Visto que não parece que os tempos estejam maduros para o sacerdócio feminino, as mulheres exigem uma maior participação nas tarefas da paróquia, assim como os laicos.

João Paulo II já advertiu que os laicos podem e devem participar da vida paroquial, mas que não se pode confundir essa participação com as obrigações próprias do sacerdote, "a quem não podem substituir como pastor".

Católicos divorciados

Outro problema é a admissão dos sacramentos dos católicos divorciados e que voltaram a se casar.

Até agora a posição da Igreja é que esses católicos não podem receber a comunhão e jamais poderão fazê-lo, a não ser que se abstenham de manter relações sexuais com o novo cônjuge e nesse caso deverão comungar "às escondidas". Segundo o Conselho Pontifício para a Interpretação dos Textos Legislativos, essa proibição é uma "lei divina", ou seja, nem sequer a Igreja pode modificá-la.

Moral sexual

A moral sexual é outro ponto. A Igreja é contra as relações sexuais antes do casamento, o uso de anticoncepcionais etc. Também rejeita a utilização de anticoncepcionais para lutar contra a aids e considera a homossexualidade um desvio. No entanto, o Ocidente, cada vez mais secularizado, não compartilha dessa postura e aumenta o número fiéis que acreditam que a distância que separa a Igreja da sociedade é cada vez maior.

O processo de globalização, que está deixando os países ricos cada vez mais ricos e os pobres mais pobres, a paz mundial e a defesa da dignidade das pessoas se unem aos anteriores.


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