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       São Paulo, 23/05/2012, 16:46          
 
      

O EVANGELHO COMO PONTO DE PARTIDA

Por Frei Atílio Abati

Francisco parte do Evangelho, para reconstruir a vida, e parte da vida, para confrontar-se com o Evangelho. Esta opção e escolha não seria apenas viver o Evangelho, acolhê-lo em sua vida, mas também anunciá-lo ao seus irmãos.

Novamente, em seu Testamento, Francisco escreve: "E depois que o Senhor me deu irmãos, o Senhor mesmo me revelou que eu devia viver segundo a forma do Santo Evangelho" (Test 4,14).

Francisco tinha clareza quanto à sua missão: o primeiro movimento é acolher a palavra de Deus, embeber-se dela, aprofundá-la na vida, confrontar-se com ela, para ser luz no caminhar e vigor no viver. E depois, levá-la e transmiti-la ao povo de Deus. E assim, seu dinamismo missionário impele-o a ir ao encontro de todos os homens.

Diante do envio e da missão, ele sente a paixão que tem pelo anúncio da Boa Nova. Ele sente a vocação missionária a que Deus o chamou e sente-se feliz e realizado em ser o bom samaritano a difundir esta mensagem, não só aos leprosos, mas à humanidade toda.

Viver o Evangelho franciscanamente
Francisco de Assis, com sua forma de vida inspirada no Evangelho, toma-se sinal de esperança para os homens do futuro, como promotores da fraternidade, da paz, da justiça, da solidariedade e da partilha.

Seu apelo ressoa forte e vigoroso. Sua mensagem é sempre atual, porque foi e é uma mensagem de Paz e Bem. O seu projeto de vida, inspirado no Evangelho, torna-o sinal de pobreza, fraternidade e paz.

Qual seria o segredo de Francisco, para orientar sua vida ao encontro dos homens e da história? Dir-se-ia que foram três fortes motivações ou fontes que o levaram a esta atitude de vida: o envio dos discípulos, a exigência de uma vida pobre e a mensagem de paz.

O mundo estava em ebulição. A mensagem evangélica devia acompanhar os passos desta transformação, mas sem o signo da dominação e do poder. Só pelo caminho da mobilidade evangélica e da pobreza construir-se-á a comunhão fraterna e a reconciliação entre pessoas e povos.

Francisco tinha um objetivo muito claro: levar Deus aos homens e levar os homens a Deus, tendo o Evangelho como ponto de partida e ponto de chegada. Este ideal vivido por Francisco toma-se uma provocação para o seu tempo, pois ele queria levar as pessoas à transformação pessoal e comunitária.

A tradição nos conta que, no eremitério de Poggio Bustone, envolvido por tribulações e sofrimentos, Francisco faz o primeiro envio de seus irmãos, com a mensagem franciscana de "O Senhor vos dê a paz" (ICel 23), ou "Paz e Bem." E nos povoados do Vale de Rieti, introduziu a saudação: "Buon giorno, buona gente"! - "Bom dia, gente boa"! Revela-se aqui a personalidade deste homem evangélico, promotor da paz e da fraternidade.

Extraído do livro "Francisco, um Encanto de Vida", de Frei Atílio Abati, Editora Vozes.