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O
POBRE DA CRUZ
Por Frei José Carlos Corrêa Pedroso
Só chegaremos a ser pobres como Cristo quando
chegarmos a partilhar sua cruz. Quando nos alegrarmos
nos nossos sofrimentos porque eles estão diminuindo
os sofrimentos de nossos irmãos.
Não basta sermos donos do Reino por usufruirmos
tudo sem reter coisa alguma. Além de partilhar
com nossos irmãos o bem que nos vem de Deus,
temos que partilhar o mal que vem deles mesmos, de
nós mesmos.
Vivemos em um mundo cheio de maravilhas de Deus,
na natureza e nas pessoas. Mas também vivemos
entre pessoas e dentro de uma natureza marcada pêlos
pecados dos homens.
O bem, além de assimilado, tem que ser também
reconquistado, e nessa reconquista só conseguem
vitórias os que aceitam e assimilam também
as derrotas passadas, pessoais ou de sua fraternidade:
a humanidade.
Temos que chegar a descobrir a alegria de partilhar
a carência e a dor para chegarmos à alegria
de partilhar o bem da fraternidade e o bem de Deus.
Só quem entende a aceitação
e até a busca da dor - pelo amor ao outro -
entenderá a pobreza do Crucificado.
Só quem chegar à pobreza do Crucificado
poderá começar a ressuscitar o que estiver
morto em si mesmo, nos outros e no mundo.
Para chegarmos à pobreza, temos que chegar
à disponibilidade da vítima por escolha
consciente.
Extraído do livro "Dona Pobreza",
de Frei José Carlos Corrêa Pedroso, Editora
Vozes.
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