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       São Paulo, 23/05/2012, 17:02          
 

Missa campal marca a volta dos Franciscanos na Rocinha



Por Frei Régis Daher e Moacir Beggo

A simples e aconchegante matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem, no Bairro da Rocinha, no Rio de Janeiro ficou pequena para acolher o povo que queria ver os franciscanos que estavam de volta ao Morro, neste domingo, dia 30.

Setenta anos depois, mais de 1.500 pessoas participaram de uma missa campal, presidida pelo Cardeal Dom Eusébio Scheid, que deu posse à Província Franciscana da Imaculada Conceição da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem. Na presença do Ministro Provincial, Frei Augusto Koenig, dos frades do Regional do Rio de Janeiro e Baixada Fluminense, dos frades estudantes de Teologia de Petrópolis, dos párocos diocesanos Pe. Padre Manoel de Oliveira Manangão e do Pe. Eduardo, a nova fraternidade – formada por Frei Vitalino Piaia, Frei Róbson Guimarães e Frei Plínio Gande da Silva – foi apresentada à comunidade local.

Simpático, Dom Eusébio explicou que desde a infância tem uma estreita ligação com os franciscanos e por isso estava muito contente por aquele momento especial na Rocinha.
“Foi do interesse dos franciscanos trabalharem uma paróquia que tivesse já uma história como vocês têm”, explicou, lembrando que a posse também foi feita através de um contrato ou um convênio entre a própria Arquidiocese do Rio de Janeiro e a Ordem dos Franciscanos. Com a posse, dava-se início a este trabalho.

Os frades da Província da Imaculada estavam de volta a um local em que a fundação, em 1937, foi franciscana, já que a Paróquia de Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, na época, dava assistência à Capela da Rocinha.

Frei Augusto lembrou que a nova paróquia era uma bênção para a Província e para a Ordem Franciscana, que está comemorando o seu jubileu de 800 anos de fundação e agradeceu ao Cardeal do Rio. “Agradeço muito a Dom Eusébio por nos ter aceitado aqui. Ficamos muito comovidos pela recepção que tivemos por parte da Igreja e da comunidade. Quero lembrar também que ao assumir esta paróquia, fazemos também como um momento importante para comemorar esses 800 anos de fundação da Ordem Franciscana”, acrescentou o Ministro Provincial. Frei Augusto pediu para todos ajudarem a nova fraternidade. “Somos pecadores e limitados, mas uns ajudando aos outros poderemos ir longe”.   

Dom Eusébio ressaltou que o “padre tem de ser uma pessoa do povo para auscultar, sentir de perto, as pulsações, alegres, esperançosas, ou angustiosas, como nos fala o documento de Aparecida - V CELAM, e caminhar com eles com este espírito de pastor, que foi o espírito de Cristo e dos seus apóstolos”. Observou que o povo precisa deixar também de se conduzir por esse zelo de quem pastoreia. “Então, hoje, meus caros freis franciscanos cabe a levar essa missão de pregar a Palavra, mas com a Palavra vem a sede de conseguir o que ela promete, que é a graça, assistência, o alimento espiritual de que nós precisamos dia e noite: o perdão. O perdão é a maior graça que Deus nos possa conceder”, frisou.
 
Dom Eusébio disse que deixava para os novos frades da paróquia para explicar ao povo o que significava carisma franciscano, mas adiantou que é “aquilo que faz um franciscano ser parecido com São Francisco”, disse, completando: “Então, eles trazem essa espiritualidade, que chamamos também franciscana, e vão contagiar vocês!”.

O Cardeal não se esqueceu do seu amigo e colaborador Pe. Manangão. “Não me é possível traçar em palavras – nem emoções – o que para todos nós significou e continua significando o Pe. Manangão. Sério, bondoso, inteligente, caprichoso, em tudo que faz. E basta isso: é nosso auxiliar direto na Arquidiocese, no chamado Vicariato da Caridade Social”. Ele também é hoje pároco da Santa Margarida Maria.

A Missa campal terminou com uma apresentação de Frei Odorico Decker e sua gaita, enquanto a Pastoral de Eventos da Paróquia trouxe um número de dança e canto para acolher a nova fraternidade. No final, entre comes e bebes, teve até forró para animar o povo.