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O culto universal ao Santo de Lisboa e de Pádua
- presença no sincretismo afro-brasileiro
Por Roberto Ruiz
Oitocentos anos de veneração e tradição
somente contribuíram para aumentar a fama e a auréola
de Antônio, fama essa que tem levado os crentes de
suas virtudes a paroxismos de fé e a muitas crendices,
igualmente.
O nome de Antônio tornou-se, com o tempo, sinônimo
de poderoso intercessor, de advogado infalível de
causas perdidas, ao qual são dirigidas orações
especiais para que, através delas, possa o seu espírito
intermediar junto a Deus, pelos seus merecimentos, as causas
expostas.
Pela universalidade dessas preces, recitadas por milhões,
que encontram na fé o último refúgio
diante dos problemas que a convivência dos homens
traz, quando todos os caminhos terrenos parecem esgotados
e só o apelo ao imponderável, a forças
superiores, ocorre como solução possível,
não poderiam faltar as mesmas, não só
como exemplo desse apelo, mas como amostras do que pode
a expressão da fé do homem num diálogo
com o que represente o último refúgio, a sublimação
da própria condição do ser inteligente
que pensa e idealiza.
São muitas essas orações. Sete, porém,
são as mais conhecidas na universalidade do seu culto.
A primeira a ser citada é realmente universal, no
seu apelo ao santo e na confiança depositada por
seus fiéis em seu prestígio junto ao Cristo,
que procurou servir em vida, e que o hagiológio afirma
lhe ter aparecido por mais de uma vez, até sob a
forma tradicional do Menino que se incorporou aos seus atributos.
"Lembrai-vos, ó glorioso S. Antônio,
amigo do Menino Deus e servo fiel de Maria Santíssima,
que nunca se ouviu dizer que alguém que a vós
tivesse recorrido ou implorado vossa proteção,
tivesse ficado desatendido. É isto que me enche de
confiança e me anima a recorrer aos vossos préstimos.
Sinto-me oprimido por meus pecados, mas mesmo assim ouso
dirigir-me a vós e expor minhas necessidades e aflições.
Não rejeiteis a minha oração vós
que tanto podeis junto ao Coração do Cristo
e obtende-me a graça que confiadamente vos peço..."
A Antônio, que seguiu uma irresistível vocação
sacerdotal, também muito compreensivelmente dirigem-se
orações quanto a essa dura decisão.
Num mundo cada vez mais diversificado e pleno de apelos
profissionais os mais diversos, a própria Igreja
tem propalado suas dificuldades em termos de vocação
sacerdotal que exige renúncia, disciplina e plena
entrega. Antônio fez isso a seu tempo.
"Meu glorioso S. Antônio, vós que seguistes
imediatamente o chamado do Senhor, deixando tudo, ajudai-me
a distinguir, no meio dos mil caminhos que me são
oferecidos, aquele que mais corresponde à vontade
de Deus na minha vida, pois desejo sinceramente fazer esta
vontade. Que eu saiba superar os problemas e as dificuldades,
as promessas e os riscos, e acabe abraçando aquele
estado de vida, no qual eu possa ser mais útil ao
próximo e melhor me possa realizar como ser humano
e filho de Deus e por ele alcance minha eterna salvação.
Assim seja!"
O santo é procurado praticamente para tudo. Não
poderia deixar de sê-lo em face do desemprego, crescendo
os apelos em tempos de crise, quando a mão-de-obra
abunda e a oportunidade de empregá-la escasseia.
Como em todas as orações dirigidas a Antônio,
há, nesta, um pouco de sua vida, uma síntese
de suas próprias lutas, tornando mais fascinante
a pesquisa nesse campo, pelas pistas fornecidas à
reconstituição de sua vida enquanto homem
comum, sacerdote e paladino da causa cristã.
"Santo Antônio, em vossa vida procurastes trabalhar
sempre pela glória de Deus e pelo bem das almas.
Olhai compassivo para minha necessidade. Preciso de trabalho
para cumprir o mandamento do Senhor e dele preciso também
para meu próprio sustento e de meus familiares. Vós
que tanto podeis junto de Deus fazei com que encontre um
trabalho digno, remunerado, honrado, para que possa sentir
a alegria de estar servindo a Deus e estar cumprindo minha
obrigação para com aqueles que me foram por
ele confiados. Ajudai-me, pois, neste momento, vós
que conheceis o valor do trabalho, o sacrifício da
fome, a alegria de um lar pacificado. Assim seja!"
A alimentação faz parte de um dos apelos
básicos da existência humana. O pedido ao pão
de Santo Antônio é um pedido generalizado para
que não falte a alimentação básica,
problema que toma contornos universais pelo número
de pessoas mortas anualmente, no mundo inteiro, pela desnutrição,
pela falta de condições de acesso ao número
mínimo de calorias que permite a sobrevida e que
penaliza especialmente os pobres, os pobres tão queridos
de Francisco e Antônio. A fome tem dizimado populações
inteiras, evidenciando um dos mais absurdos desníveis
de nosso tempo, quando os países mais prósperos,
donos de uma forte industrialização, gastam
milhões em armamentos capazes de assegurar-lhes a
continuação do status quo, indiferentes à
sorte dos milhões de criaturas que perecem pela falta,
às vezes, de um simples pãozinho, capaz de
mitigar-lhes as carências com que pagam a ânsia
de lucro dos ricos.
É a Antônio que também se voltam os
desesperados pela fome, lastreando o apelo por pão,
numa das mais encantadoras lendas ligadas ao santo.
Essa lenda, que oferece várias versões, motivou
um dos costumes mais antigos da veneração
ao santo, constituindo, aliás, uma das obrigações
assumidas pelos conventos e igrejas dedicadas a esse orago:
a da distribuição de pão aos pobres.
A versão mais divulgada afirma que Antônio,
enquanto guardião de um dos conventos que serviu,
afligiu-se tanto com o afluxo de mendigos que ali acorreram
a pedir um pouco de pão com que mitigar a fome, que
lhes entregou toda a reserva do alimento existente na casa.
O frade-padeiro, uma das funções existentes
em todos os conventos da época, viu-se em apuros
para justificar a ausência desse alimento na hora
de servi-lo aos irmãos. Julgando ter havido um roubo
inexplicável, levou sua preocupação
a Antônio, que o teria mandado fazer uma nova verificação
na arca em que esse pão deveria estar armazenado.
A lenda afirma que, incrédulo, o frade voltou à
arca e, estupefato, encontrou-a repleta do alimento, com
sobras, para ser distribuído aos necessitados que
novamente batiam à porta do convento.
Teria nascido aí o "pão de Santo Antônio"
e, em conseqüência, a oração:
"Santo Antônio, amigo dos pobres, que inspirais
vossos devotos e vos honram oferecendo pão aos necessitados,
eu vos rogo a graça de nunca ter falia de pão
na minha mesa, ganho com meu trabalho honesto e suor. Em
troca vos prometo olhar sempre pelos mais necessitados,
oferecendo uma parte daquele pão que enviais à
minha mesa. Sobretudo, ajudai-me a buscar sempre o Pão
vivo que desceu do céu, que é o próprio
Senhor Jesus Cristo, na Eucaristia, verdadeiro alimento
para a vida eterna. Vós que tantas vezes o tivestes
em vossas mãos, fazei que também nunca me
falte este pão e o tenha, sobretudo, na hora de minha
morte. Amém."
As crises morais e religiosas têm encontrado forte
eco nas preocupações da Igreja, sendo as orações
muitas vezes elaboradas para atender aspectos específicos
dessas crises. A família, célula básica
da sociedade, representa uma das mais sérias preocupações
da Igreja, diante da crescente liberalidade de costumes
dos tempos atuais.
O culto a Antônio não poderia deixar de lado
essa faceta do mundo religioso.
"Meu querido S. Antônio, vós que em vida
sempre guardastes e defendestes a família, ajudando-a
a se purificar para melhor cumprir sua missão educadora,
olhai pela família de hoje, tão exposta a
perigos materiais e espirituais, que a cada momento ameaçam
dissolvê-la. Olhai, de modo especial, pela minha família,
para que nós nos entendamos bem, nos amemos profundamente,
cultivemos a presença de Deus e sua lei e nossos
filhos se possam tomar pessoas dignas e úteis à
sociedade de hoje, tão necessitada de líderes
cristãos que saibam conduzir os negócios temporais
à luz dos princípios espirituais. Santo Antônio,
uma grande bênção para todas as famílias
e uma especial para a minha família. Amém?"
Santo dos namorados - e vimos quantas "sortes"
crêem na intercessão nesse campo - teria que
ter, obviamente, oração especialmente voltada
para a possibilidade do casamento, cujos bons fundamentos
têm que assegurar uma vida futura harmônica
e segura. E uma oração de esperanças,
mas feita igualmente de receios patentes, ante um mundo
tão cheio de dúvidas e incertezas como o atual.
"Santo Antônio, que sois invocado como protetor
dos namorados, olhai por mim nesta fase importante da minha
vida, para que não perturbe este tempo bonito da
minha vida com futilidades e sonhos sem consistência,
mas o aproveite para um melhor e maior conhecimento daquele
ser que Deus colocou ao meu lado e para que ele também
melhor me conheça. Assim juntos prepararemos o nosso
futuro, onde nos aguarda uma família que, com vossa
proteção, queremos cheia de amor, de felicidade,
mas sobretudo da bênção de Deus. Santo
Antônio, abençoai este nosso namoro para que
transcorra no amor, na pureza, na compreensão, na
sinceridade e na aprovação de Deus. Amém".
Se a fome é preocupação das maiores,
não assume menor importância a preservação
da saúde, outro ponto fraco e difícil em nosso
mundo em expansão, com uma população
em acelerado crescimento e sem os meios necessários
a assegurar-lhe uma infra-estrutura no campo da saúde
capaz de proporcionar atendimento eficaz, ainda mais quando
novas e devastadoras doenças se apresentam a contrabalançar
o apregoado progresso material dos povos da Terra.
Antônio, santo universal, também tem de atender
à saúde de seus devotos:
"Santo Antônio, sabeis quão preciosa
é a saúde para podermos realizar o plano de
Deus no mundo. Olhai por mim, vós que sofrestes e
aliviastes o sofrimento alheio e alcançai-me de Deus
a cura do mal que me aflige (ou que aflige outra pessoa)
e, se for a vontade de Deus, alcançai-me que eu recupere
logo a saúde e com ela louve e sirva a Deus através
dos irmãos. Ao mesmo tempo, vos peço me ajudeis
a empregar bem a minha saúde, na terra, para que,
um dia, conte ela para minha glória junto ao pai,
de quem procede todo o bem. Assim seja!"
Antônio faleceu numa sexta-feira, 13 de junho. O
sepultamento, porém, só pôde ser efetuado
na terça-feira seguinte, dia 17, dado o grande número
de pessoas que insistiam em vê-lo pela última
vez. Desde então, entre os paduanos, terça-feira
foi dedicada ao santo, costume que acabou generalizar-se
e ser consagrado pelas igrejas e conventos franciscanos,
firmando-se a prática de uma novena às terças-feiras
de acordo com outra das histórias que acompanham
o culto ao santo, a que envolve a mãe aflita de Bolonha.
Conta-se, então, que essa senhora, no ano de 1617,
embora rica, somava sofrimentos ante as desavenças
com o marido e para as quais julgava só teria consolo
se algum dia obtivesse a oportunidade de conceber um filho.
Devota de Antônio, a ele recorreu em orações
fervorosas.
A lenda conta da aparição do santo à
virtuosa dama que lhe teria determinado a visita, durante
nove terças-feiras, a uma igreja franciscana acompanhada
da oração devocional.
A novena foi feita e o desejo da mãe concretizado.
O filho nascido, porém, apresentava defeito congênito,
para desespero da mãe. A fé da dama, entretanto,
era mais forte que a sua decepção. Conta o
hagiológio de Antônio que a mãe aflita
levou o recém-nascido ante o altar onde tanto orara
e, ali, suplicou a Antônio que realizasse o milagre
de tomá-lo perfeito.
À saída da igreja, o pedido estava atendido.
É a lenda.
A Santa Sé animou a prática. Clemente XIII,
em 23 de março de 1763, concedeu "indulgência
plenária aos fiéis que, tendo confessado e
comungado, visitassem, numa terça-feira, uma igreja
franciscana onde se fizesse a exposição solene
do Santíssimo Sacramento". Daí provém
a tradição dessa exposição às
terças-feiras, nas igrejas da Ordem, e a bênção
solene das tardes do mesmo dia, a que acorrem tantos fiéis.
Posteriormente adotou-se a trezena, uma sucessão
de treze terças-feiras, que culminam com aquela da
semana de junho em que se comemora o dia do Santo.
Ocorrer do tempo contribuiu para o crescimento dos atos
em homenagem a Antônio e do número de orações
a ele especialmente dirigidas.
Entre elas figura o Responsório composto por Julião
de Espira, que o Papa Pio IX, a 25 de janeiro de 1866, consagrou,
concedendo indulgência de cem dias aos que o orassem
e uma plenária para os que o fizessem por um mês
inteiro, medidas de fortalecimento da fé a que recorre
a Igreja em tempos de crise espiritual.
O Responsório tem a seguinte tradução,
com sua Voz e Respostas
V. "Saiba quem busca milagres
Que os enfermos sara Antônio
Afugenta o erro, a morte,
Calamidade e demônio
R. Prisões e mares lhe cedem,
Saúde e coisas perdidas
São aos jovens e velhos
Por ele restituídas
V. Necessidades, perigos
Faz cessar entre os humanos,
Diga quem o experimentou
e mormente os paduanos
R. Prisões, etc.
V. Glória ao Pai, ao filho e ao Espírito Santo
R. Prisões, etc.
V. Rogai por nós, bem-aventurado Antônio
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos: Ó Deus, nós vos suplicamos, que alegre
a vossa Igreja a comemoração votiva do bem-aventurado
Antônio, vosso Confessor e Doutor, para que, fortalecida
sempre com os espirituais auxílios, mereça
gozar os prazeres eternos. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor.
Amém."
A imagem de Antônio é mundialmente reconhecida
pelos seus atributos, os distintivos que acompanham todas
as representações de todos os sacrificados
pela Igreja, e, através
dos quais, se faz a distinção de cada um.
As mais antigas pinturas, que representam somente Antônio,
são os frescos europeus. Geralmente Antônio
aparece com um símbolo, dos quais o mais antigo é
o livro, melhor
dito O Livro, a Bíblia. Umas vezes o tem numa das
mãos, de outras aperta-o contra o peito.
Dominava então a idéia do grande doutor da
Igreja, sendo o livro o símbolo da sabedoria.
Mesmo antes, quando se passou a representá-lo com
outros símbolos, conservou-se o livro sobre o qual
quase sempre aparece, sentado ou de pé, o Menino
Jesus.
Há pinturas, medalhas, esculturas em que o Santo,
com o livro na mão esquerda, levanta a direita em
atitude de quem ensina ou abençoa.
No fim do século XIV preferiu-se colocar na mão
direita de Antônio a chama, símbolo da fé
e do amor a Jesus e Maria.
Tal modo de representá-lo conservou-se durante cerca
de cento e cinqüenta anos. Existe um quadro em Bolonha
em que Antônio é pintado junto a um trono em
que está a Virgem, oferecendo-lhe o santo o seu amor,
simbolizado justamente pela chama.
Quase ao mesmo tempo, outros artistas substituíram
essa simbolização por um coração,
julgando que esta seria forma ainda mais direta de representação
desse sentimento de Antônio.
Os dois símbolos, chama e coração,
desapareceram como correr do tempo das pinturas dedicadas
a Antônio, mas não o lírio - em muitos
casos é um ramo de açucenas - que se vê
na sua mão direita desde o princípio do século
XV, como símbolo de pureza angélica.
Outro símbolo encontrado na figura antonina e em
suas mãos é a Cruz, com ou sem Crucificado.
Essas representações vêm do século
XVI.
A Cruz com o lírio é hoje um dos símbolos
mais comuns do Santo. Lembra a extraordinária devoção
de Antônio para com a Paixão de Jesus, que
o levava às lágrimas já no seu tempo
de estudante em Lisboa. Há mesmo uma cruz especialmente
dedicada a ele: a Cruz de Santo Antônio - grega, com
a efígie do santo no anverso e bênção
no reverso.
A cruz foi sempre presente durante sua vida e com ela fazia
o Taumaturgo a sua bênção, glorificação
à cruz do martírio de Cristo. Esta bênção
é o conhecido Exorcismo do Santo: "Eis aí
a cruz do Senhor. Afastai para longe de mim todos os inimigos
da salvação. Venceu o leão da tribo
de Judá, descendente de Davi. Aleluia."
V. "Santo Antônio, que expulsais os demônios,
rogai por nós.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo."
Toda a vida do santo também é rememorada
na Ladainha que lhe é dedicada, onde seu nome aparece
trinta e cinco vezes e vários dos seus cognomes são
evocados:
"Senhor, tende compaixão de nós
Jesus Cristo, tende compaixão de nós
Senhor, tende compaixão de nós
Jesus Cristo, ouvi-nos
Deus Padre do alto dos céus, tende compaixão
de nós
Deus Filho, Redentor do mundo, tende compaixão de
nós
Deus Espírito Santo, tende compaixão de nós
Santíssima Trindade que sois um só Deus, tende
compaixão de nós
Santa Maria, concebida sem mácula original, rogai
por nós
Santo Antônio filho predileto de Maria
Santo Antônio glória da Ordem Seráfica
Santo Antônio perfeito imitador do Seráfico
Francisco
Santo Antônio inflamado do zelo dos Apóstolos
Santo Antônio ardente da caridade dos mártires
Santo Antônio ornado das virtudes dos confessores
Santo Antônio resplendente da pureza das virgens
Santo Antônio recebendo em vossos braços o
Menino Jesus
Santo Antônio martelo dos hereges
Santo Antônio luz brilhante da Igreja
Santo Antônio perfeito modelo de obediência
Santo Antônio amante sublime da pobreza
Santo Antônio lírio de castidade
Santo Antônio violeta da humildade
Santo Antônio roda de caridade
Santo Antônio terror dos demônios
Santo Antônio canal inexaurível de graças
Santo Antônio consolador dos aflitos
Santo Antônio guia dos viajantes
Santo Antônio que curais os doentes
Santo Antônio que semeais milagres
Santo Antônio que restituís a palavra aos mudos
Santo Antônio que dais o ouvido aos surdos
Santo Antônio que concedeis a vista aos cegos
Santo Antônio que endireitais os coxos
Santo Antônio que ressuscitais os mortos
Santo Antônio que fazeis achar as coisas perdidas
Santo Antônio protetor fiel daqueles que vos invocam
Das ciladas do demônio, livrai-nos, Santo Antônio
Do raio e da tempestade, livrai-nos, Santo Antônio
Da guerra, da peste e de todos os inimigos, livrai-nos Santo
Antônio
Por vossa intercessão, protegei-nos, Santo Antônio
Em todo o decurso de nossa vida, protegei-nos, Santo Antônio
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos,
Senhor
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos,
Senhor
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende
compaixão de nós
Rogai por nós, Santo Antônio
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo
Oremos
Ó Deus, alegrai a vossa Igreja com a poderosa intercessão
do bem-aventurado Antônio, vosso confessor, obtendo-lhe
sempre novos favores espirituais e, enfim, o gozo das alegrias
eternas.
Por Jesus Cristo, Nosso Senhor, Amém."
O fervor religioso posto pelos fiéis em tais orações,
rezadas em todo o mundo católico, na multiplicidade
de seus idiomas, dá a idéia do prestígio
alcançado por Antônio e dos reflexos de sua
vida ao longo dos tempos.
Declarado oficialmente santo universal, Antônio alcançou
prestígio mesmo entre os seguidores de outros credos,
sendo de especial interesse o sincretismo religioso afro-brasileiro
realizado entre os escravos do Brasil Colônia que
o identificaram, justamente pelas propaladas "virtudes"
guerreiras divulgadas pelo colonizador, com um orixá
guerreiro do candomblé, Ogum.
Sua fama cresce, seu culto amplia-se num mundo onde a descrença,
paradoxalmente, se instala, com outro culto na ordem do
dia: o da máquina, o do avanço material e
científico.
As máquinas porém, com todos os aperfeiçoamentos,
dependem dos homens que as fabricam e as programam. E falham.
E então que esse mesmo homem se volta para o que
escapa à sua compreensão, para a possibilidade
da existência de algo além de seu mundo e de
seu conhecimento. E o caminho para chegar lá é
a oração, entranhada de esperança,
muitas vezes envolta nas lágrimas do desespero.
Os céticos sorriem.
Os crentes perseveram.
No julgamento de Cristo, em Jerusalém, Pilatos indagou:
- Quid est veritas?
Quem poderá responder?
Do livro "Antônio,um santo que falava
português", do médico, professor universitário,
jornalista e escritor Roberto Ruiz, Vozes, 1995
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