Introdução
Por Frei Giacomo Bini, ofm
Em nome do Senhor!
A vós, Irmãs pobres de Santa Clara,
a vós todas Contemplativas que vos inspirais
na espiritualidade franciscano-clariana,
a todos os Irmãos e Irmãs
que amam Clara e Francisco,
como Ministro e servo de todos, desejo
"paz do céu e sincera caridade no
Senhor'" (2CtFi, 1)
"Desde que, por inspiração
divina, vos fizestes filhas e servas do altíssimo
e sumo Rei, o Pai celeste, e desposastes o Espírito
Santo, optando por uma vida de acordo com a
perfeição do santo Evangelho,
eu quero e prometo, por mim e por meus frades,
ter por vós o mesmo cuidado diligente
e uma solicitude especial, como por eles"
(RegCl 6,3-4; cf FVCI).
Em consonância e obediência a estas
palavras, como irmão vosso, ouso dirigir-me
a todas vós, que constituís uma
realidade preciosa entre aqueles que vivem a
herança espiritual de Francisco e Clara.
Em nome também dos Irmãos e das
Irmãs que se inspiram em seu projeto
evangélico, gostaria primeiramente de
expressar uma profunda gratidão pela
riqueza carismática espiritual que representais
em nossa Família. Obrigado por vossa
profunda comunhão no Espírito
que nos sustenta em nossas viagens apostólicas
pelas estradas do mundo; por vosso silencioso
papel de "sentinelas da manhã"
que, na obscuridade dos acontecimentos humanos,
vigiam e perscrutam os sinais de vida que já
desabrocham sobre a terra. Vós nos ajudais
a interpretar e a alegrar-nos por nossa vocação
comum. No início de seu Testamento, Clara
prorrompe neste agradecimento: "Entre outros
benefícios que temos recebido e ainda
recebemos diariamente da generosidade do Pai
de toda misericórdia e pelos quais mais
temos de agradecer ao glorioso Pai de Cristo,
está a nossa vocação que,
quanto maior e mais perfeita, mais a Ele é
devida" (TestCl 2-3). Portanto, juntos
devemos conhecer sempre melhor nossa vocação,
amá-la e responder-lhe com fidelidade
e generosidade.
No próximo ano, celebraremos o 750°
aniversário da morte de nossa mãe
e irmã Clara: é uma ocasião
propícia, uma graça particular
que deveria fazer-nos recuperar o amor "esponsal"
que animou toda a sua vida. Enquanto vos escrevo,
penso e medito exatamente aqueles gestos e palavras,
tão densos de significado, que caracterizaram
seus últimos dias, antes de seu êxodo
final. O pobre e tosco leito de São Damião
tornou-se lugar de relacionamento e de encontros
repletos de profunda humanidade e espiritualidade.
Também uma carta pode tornar-se lugar
de comunhão, de diálogo fraterno,
para descobrir aquele "algo novo a respeito
do Senhor" que Clara pedia a Junípero
e que nossos tempos e nossas gerações
ainda esperam de nós com urgência.
Nas visitas aos Irmãos, feitas em diversas
partes do mundo, sempre tive a graça
de encontrar-vos, ouvir-vos, dialogar e rezar
convosco. Sensibilizou-me a profunda amizade
que vos une a nós e a toda a Família
franciscana; como também a ardente sede
de Deus que anima vossas comunidades e que gostaríeis
de partilhar conosco. E quanto todos nós,
irmãos e irmãs itinerantes pelo
mundo, teríamos a aprender de vossa experiência
mística tão radical e tão
absoluta que somente quem foi vencido pelo Amor
pode compreender ou intuir.
Frei Reinaldo, Frei Leão, Frei Ângelo,
Frei Junípero estavam lá, próximos
a Clara nos últimos dias de sua vida
para, em profunda comunhão, ouvir, partilhar
e reavivar a apaixonada busca de Deus. Este
é também o desejo desta carta:
continuar no tempo a amizade que, desde então,
sustenta os Frades menores e as Irmãs
pobres na peregrinação terrena.
Estas reflexões são dirigidas
diretamente às Irmãs Clarissas
por ocasião do 750° aniversário
da morte de Santa Clara: todos os textos referem-se
a ela; todavia, querem ser também uma
mensagem fraterna endereçada a todas
as Irmãs contemplativas franciscanas
espalhadas pelo mundo inteiro. Ao escrever,
pensei também nelas; as sugestões
e os convites, talvez, possam ser úteis
também a elas.
Por fim, espero que estas linhas sejam lidas
pelos irmãos e pelas irmãs de
toda a Família franciscana, pois a complementaridade
e a reciprocidade são compromissos comuns
a todos nós.
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