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Conclusão
"E o nosso bem-aventurado pai Francisco
não profetizou isso só a nosso
respeito, mas também sobre as outras
que haveriam de vir para a santa vocação
a que Deus nos chamou" (TestCl 17).
Queridas Irmãs, como conclusão
desta mensagem fraterna e cordial, em nome de
todos os irmãos da primeira Ordem e de
toda a Família franciscana, desejo mais
uma vez expressar um sincero reconhecimento
por vossa presença ao nosso lado, como
memória e estímulo para exprimir
com sempre maior coerência o que somos,
o que prometemos, o que nos foi prometido e
o que nos espera. Num mundo tão doente
e, todavia, tão sedento de uma autêntica
experiência espiritual, vós representais
a "ponta de diamante" do carisma franciscano
para as nossas gerações.
"Queremos ver Jesus", pediam alguns
gregos a Felipe (Jo 12,21). Muitos homens e
mulheres nos fazem hoje o mesmo pedido. Ajudai-nos,
a exemplo de Clara, a "espelhar",
a projetar para o mundo o que contemplamos,
a mostrar o ícone vivo construído
em nosso interior pelas mãos de Deus
e que se exprime numa unidade harmoniosa vivida
no quotidiano. "A única coisa que
podemos salvar nestes tempos ... é um
pequeno pedaço de Ti em nós mesmos,
meu Deus. E talvez também possamos contribuir
para desenterrar-te dos corações
devastados e abrir-te o caminho" (Etty
Hillesum). Sim, é muito importante salvar
e libertar a imagem de Deus presente em nós,
para poder oferecê-la aos outros, liberta
de nós mesmos, de um eu egocêntrico
e invasor que se perde em mil preocupações
afanosas, esquecendo Sua presença. Devemos
"proteger Deus de nós mesmos"
num mundo tão dividido, fragmentado e
perdido, que necessita do testemunho oferecido
por nossas relações fraternas
como "teofania", manifestação
amorosa da presença de Deus; é
preciso anunciar novamente com força
a todos que ainda é possível querer-nos
bem e reencontrar nossa unidade em Cristo morto
e ressuscitado.
Fazendo eco às palavras do Ressuscitado
às mulheres, espontaneamente gostaria
de repetir-vos: "Ide, anunciai a meus irmãos
que se dirijam à Galiléia e lá
me verão" (Mt 28,10). Ide! Vamos
com coragem e
sem medo: o Senhor nos espera. Dizei com decisão:
"Vi o Senhor!" (Jo 20,18), mostrai-o
a nós com vossa vida apaixonada pelo
Senhor, testemunhai-o a nós com vosso
"exagero evangélico" enraizado
na
confiança nele, com a superabundância
de vida que explode de vossa kénosis,
do vosso silêncio que muda e "perfuma"
todo o mundo: "E a casa ficou toda perfumada"
(Jo 12,3). Nossa vida hoje necessita
reencontrar a audácia o "exagero",
a gratuidade que nasce da alegria por haver
encontrado o "tesouro" que subverte
positivamente as perspectivas de nossa existência;
temos necessidade da "esperança
que não engana" (Rm 5,5).
O Privilegium paupertatis que Clara tanto defendeu
é a alegria de seguir e partilhar a vida
de Jesus, a garantia de fidelidade ao nosso
carisma; recordai-nos que um irmão ou
uma irmã que não são pobres
e livres evangelicamente serão condenados
a ser estéreis e tristes (cf. Mc 10,22),
apesar da grandiosidade das obras e da riqueza
das tradições.
"Por isso, dobro os joelhos diante do
Pai de nosso Senhor Jesus Cristo para que, pela
intercessão dos méritos de sua
Mãe, a gloriosa Virgem Santa Maria, de
nosso bem-aventurado pai Francisco e de todos
os santos, o próprio Senhor, que deu
o bom começo, dê o crescimento
e também a perseverança até
o fim. Amém!" (TestCl 77-78)
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O Senhor esteja sempre convosco, e Ele faça
que vós estejais sempre com Ele.
Frei Giacomo Bini, ministro geral da
Ordem dos Frades Menores em 2002, por ocasião
da Festa de Santa Clara
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