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Quem é Paul Sabatier
Paul Sabatier nasceu em 03 de Agosto de 1858 em Saint -Michel- de-Chabrillanoux, região de Ardèche-Cèvennes, na França; lugar este da mais viva tradição protestante à qual professava. O ideal de liberdade presente em sua vida era ligado aos princípios da Igreja Reformada, ao retorno à pureza do Evangelho, à Pastoral Evangélica, a Pregação coerente e precisa. Sabatier abraçou o Positivismo com sua influência antimetafísica e antiteológica sacudindo o pensar com dados que somente possam ser provados empiricamente. Pensar, viver e escrever é refazer a experiência.
Seu pai era pastor protestante, sua mãe uma gentil senhora portadora do mais refinado espírito de nobreza, sua avó uma católica devota, seu avô morreu na campanha da Rússia nas guerras napoleônicas. Um de seu três irmãos morreu na guerra de 1870. Seus primeiros professores eram católicos. Esta convivência com matizes cristãs diversificadas criou nele uma reflexão e uma consciência dotada de grande liberdade interior e rica em cordialidade provençal. Fez de seu Pastorato Evangélico uma ação pacificadora entre as constantes confissões cristãs. A influência positivista conferiu-lhe natural talento para a pesquisa cientifica e uma secreta exigência de confronto com uma piedade menos doutrinária e mais ligada a prática.
Sabatier passa a ser um apaixonado pesquisador da verdade; pensava como o mestre Laccoordaire: “Pouco me importa convencer de erros os meus adversários, eu desejo unir-me à eles numa verdade maior”. Como pregador tinha uma segura explanação baseada na Palavra de Deus, uma entonação sociológica, uma preocupação em dar aos fiéis uma consciência participativa, um despertar interior; lutava pela humanização do trabalho rural, queria que os camponeses tivessem espírito de iniciativa. Na sua pregação aparecia o pastor, o médico, o sociólogo, o organizador que levava a humanidade à um nível mais alto de consciência civil e fraterna.
Estudou Letras, Medicina, Teologia e Belas Artes (com especialização em Arte Sacra) em Paris. Entre seus professores estava o grande teólogo protestante Augusto Sabatier (que não era seu parente) e aquele que mais o influenciou Ernesto Renan, um ex-sacerdote, estudioso das origens cristãs. Em 1884, conta-se que após o término de uma das aulas, entre conversas e confidências pessoais com seus alunos Sabatier e Leblond (que veio a falecer ainda bem jovem), para lamentar certos programas de estudos ainda não cumpridos, disse Renan:
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“Quando comecei a trabalhar, prometi dedicar a minha vida de estudioso à análise de três períodos. Beata ilusão juvenil! Três períodos! As origens do cristianismo em relação com a história de Israel; a revolução francesa e a maravilhosa renovação religiosa realizada por São Francisco de Assis. Até agora não consegui chegar ao término de um terço deste meu programa. Mas você, Leblond, deverá ser o criador da história religiosa na revolução. Você, Sabatier, será o historiador do Santo seráfico” |
Renan escreveu uma polêmica “Vida de Jesus” que não foi bem acolhida na época por não se permitir a vida de Jesus Cristo contada fora dos Evangelhos canônicos. A paixão pelo Mestre trouxe a paixão por um de seus mais completos seguidores, por isso, Renan insistiu que seu aluno escrevesse sobre São Francisco de Assis e seu Movimento que ele considerava a verdadeira revolução vindo ao mundo depois do cristianismo.
Sabatier teve muita influência de Renan de quem ele dizia:
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“O seu coração valia muito mais de quanto, em geral, se pensava sobre sua inteligência. Eu creio que a sua originalidade está individualizada na delicada e inalterada bondade que o fazia pleno e capaz de tanto respeito e honra pela liberdade espiritual de todos aqueles que encontrava”. |
Com saúde delicada, renunciou a atividade pastoral e dedicou-se completamente ao estudo de São Francisco e do Franciscanismo; viajou muito pela Itália e morou em Assis, de quem se tornou profundo admirador e cidadão honorário. Nesta cidade, em 1902, fundou a Sociedade Internacional de Estudos Franciscanos que está ainda hoje em plena atividade. Neste período aderiu ao Movimento Modernista. Foi um grande intérprete dos movimentos espirituais surgidos durante o período da 1ª Guerra. Em 1919 foi nomeado professor de História Eclesiástica na Universidade Protestante de Strasburg. Em 1907, com Andrew Little, franciscanólogo inglês, fundou a Sociedade Inglesa de Estudos Franciscanos. Faleceu em Strasburg no dia 04 de março de 1928, cidade onde mais viveu e exerceu o seu ministério pastoral e seu trabalho acadêmico. Está sepultado no cemitério da sua terra natal, Saint Michel- de- Chabrillanoux.
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