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       São Paulo, 13/02/2012, 05:37          
 









Por Frei Djalmo Fuck
Quem passa rapidamente pela rua Borges Lagoa, na Vila Clementino, poderá nem perceber o “trabalho silencioso” da Pastoral dos Surdos. E é esse o nome que os participantes desta pastoral preferem usar, pois para eles “deficiente auditivo” é considerada uma expressão preconceituosa. A Pastoral dos Surdos no Brasil começou oficialmente com a vinda do Pe. Eugênio Oates, religioso norte-americano dos Padres Redendoristas. Em parceria com Monsenhor Vicente Penido Burnier, primeiro sacerdote surdo do Brasil, iniciaram, em 1950, uma longa e difícil caminhada no serviço aos surdos deste país.

Na Vila Clementino, a pastoral teve início em 1989, com assistência incansável de diversos confrades, especialmente de Fr. Sílvio Tadeu Mascarenhas. Os alunos da Derdic - Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação –, uma escola da Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP), vizinha igreja São Francisco, recebem catequese de primeira comunhão e crisma na paróquia. Os catequistas são todos surdos, com metodologia própria através da linguagem dos sinais. A coordenadora da Pastoral dos Surdos, Marta Casalecchi Pimentel, é surda e ministra da eucaristia. Ela é uma das fundadoras desta pastoral na Vila.

Também é ministrado curso de noivos para surdos, além da celebração da Eucaristia todo primeiro domingo do mês. Também são celebrados casamentos de surdos, com o auxílio de intérpretes. Para o ano de 2008 será lançado um livro especial para surdos, que vai auxiliar  os encontros catequéticos.

Objetivo 
Evangelizar as pessoas surdas, ajudando-as a superar as dificuldades para que conheçam e vivam a Boa Nova de Jesus em todas as dimensões de suas vidas, formando comunidades e participando da construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária.

Em Marcos, capítulo 7, versículos de 31 a 37, Jesus abriu os ouvidos do surdo para que ele saiba compreender a vida no mistério da fé. Os surdos são convidados a aprofundar sua espiritualidade, abrir os ouvidos do coração, compreender a mensagem de Jesus Cristo, tornar-se um evangelizador da Boa Nova pelo testemunho de vida.

Missão do intérprete na Pastoral dos Surdos 
O intérprete é alguém de confiança da comunidade surda. Sua missão é levar a palavra de Deus aos surdos, fazendo principalmente de suas mãos, instrumento de evangelização. Atento à caminhada da Igreja, conhecedor da fé cristã, estudioso da Bíblia e pessoa de oração, exerce sua missão de maneira voluntária e ministerial nas celebrações, retiros, encontros e outras atividades da Pastoral dos Surdos.

Metodologia 
Os conteúdos de fé são repassados de forma dinâmica e adequada à cultura dos surdos. Como a força dos surdos é o olhar, a catequese utiliza de recursos visuais, tais como: figuras, teatros e encenações de passagens bíblicas, dinâmicas de grupo e outras atividades criativas que ajudem os surdos a compreender as verdades de nossa fé.

Evangelizadores 
São preferencialmente surdos. Eles são os primeiros transmissores de sua cultura e testemunho do seguimento de Jesus Cristo dentro da mesma. Qualquer pessoa pode evangelizar, mas primeiro, deve se interessar pela cultura dos surdos, sua língua e sua história.

Conheça o alfabeto de libras:
http://www.libras.org.br/Thumbnails/FrameSet.htm

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