Vila Velha, 02/09/2010, 17:35 | FALE CONOSCO |

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Natural de Santa Catarina, Frei Bertolino Tholl tem apenas 22 anos de sacerdócio, mas ocupa pela segunda vez a função de guardião e reitor do Convento e Santuário da Penha, no Espírito Santo. A menos de um mês de celebrar a tradicional Festa da Penha, Frei Bertolino fala da expectativa e do significado de se comemorar um jubileu de 450 anos de fé e de presença franciscana em Vila Velha. Em 1558, o franciscano espanhol Frei Pedro Palácios chegou a Vila Velha e, como eremita, fixou-se na gruta de um morro onde hoje está a Prainha. Com ele, veio a devoção franciscana a Nossa Senhora das Alegrias. Mais tarde, quando construiu a Ermida das Palmeiras, no ponto mais alto do morro, o povo passou a chamar carinhosamente de Nossa Senhora da Penha. Religioso, o povo capixaba, especialmente a cidade de Vila Velha, tem orgulho de ter dois grandes santuários: o da Penha e o do Espírito Santo, também atendido pelos franciscanos da Província da Imaculada. Acompanhe

Por Moacir Beggo  

Site Franciscanos – Qual o significado do jubileu “450 anos de história na fé” que se comemora neste ano?
Frei Bertolino
– Na verdade, a Festa da Penha é mais do que uma festa, porque ela sintetiza a fé de um povo nestes 450 anos. Ou seja, é uma história da fé do povo capixaba, que ao menos uma vez na vida precisa vir ao Convento da Penha para manifestar o seu amor aos pés da Mãe. O Convento da Penha, em si, não é o convento-pedra, mas o convento como devoção à Nossa Senhora, o centro de toda a espiritualidade do povo capixaba. Isso é muito importante para nós, pois resgata uma fé original, uma fé que veio desde o início da fundação da cidade de Vila Velha, com a chegada de Frei Pedro Palácios. É importante lembrar que até a sua chegada, a cidade era atendida religiosamente pelos jesuítas. A partir de então, o povo deixa a tradição jesuíta, vamos dizer assim, para seguir a franciscana, por causa deste espírito novo, onde os frades colocavam a devoção à Maria no centro de tudo.

Site Franciscanos – O Convento, então, foi fundado depois. O que se comemora é o jubileu do santuário e da presença franciscana.
Frei Bertolino – Sim. Nós podemos dizer assim que são 450 anos de santuário, mesmo que nada tivesse sido construído. A pequena ermida, na Prainha; a Capela a São Francisco, no Campinho e a capela no cume da montanha, três obras que Frei Pedro construiu como devoção à Nossa Senhora, na verdade, o povo viu como santuário, lugar de perdão e de graça. Tanto que o povo chama, desde o início, o Convento da Penha de  “o Santuário do Perdão e da Graça”. Esse povo manifesta sua fé, amor e devoção em Nossa Senhora, a intercessora junto ao Pai. É ela que acolhe os seus pedidos e leva até Ele. Na verdade, nós comemoramos dois momentos históricos: o início da devoção à Nossa Senhora e a vinda de Frei Pedro Palácios, ou seja, a presença franciscana. Quer dizer, não são 50, 100 anos, mas são 450 anos que um franciscano, querendo ser eremita aqui, tornou-se um grande evangelizador. Isso faz a gente repensar toda a nossa missão de continuadores daquele início de fé tão marcante.

Site Franciscanos – Com Frei Palácios veio a estampa de Nossa Senhora das Alegrias e só depois chegou a imagem?
Frei Bertolino – Frei Pedro Palácios trouxe uma estampa de Nossa Senhora das Alegrias por causa de uma devoção sua, muito profunda, a Coroa Franciscana. Trata-se de um rosário com sete dezenas, nas quais se contempla as alegrias de Nossa Senhora. Ele colocava a estampa no início do morro e convidava os índios e os moradores para rezarem com ele.    

Site Franciscanos – A Imagem de Nossa Senhora só chegou 10 anos depois?
Frei Bertolino – Isso. A imagem que é de madeira chegou em 1658 e teve os ornamentos colocados aqui, como por exemplo os cabelos. Ele fez a encomenda de Portugal, depois que já tinha construído as três ermidas: a da Prainha, a do Campinho e a do santuário. Ele trouxe para colocar no cume da montanha ou na ermida que era conhecida como “Ermida das Palmeiras”, onde está hoje o convento. Conta-se que Frei Pedro Palácios encomendou a imagem a um jovem que foi a Portugal, inclusive dando as medidas do nicho. Mas este jovem, chegando a Portugal, esqueceu-se de entregar o pedido ao escultor, amigo de Frei Pedro. Mas, por graça – ninguém sabe explicar -, no dia em que o jovem estava retornando ao Brasil, lembrou que o papel estava no bolso do paletó. Naquele momento, chegaram algumas pessoas trazendo uma caixa e disseram que ali estava o pedido de Frei Pedro Palácios. Era a imagem que continua até hoje no Santuário. Lenda ou não, é uma história bonita de fé e da presença de Maria no solo capixaba.

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