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28/03/2008
Fotografias revelam Convento da Penha como fonte de inspiração para capixabas

O fotógrafo Jorge Luiz Sagrilo escolhe o melhor ângulo para registrar a imagem do Convento da Penha, em Vila Velha

Vila Velha (ES) - Localizado no alto do morro e guardião da Baía de Vitória, o Convento da Penha é um marco na paisagem da região da capital do Espírito Santo há 450 anos. A construção com paredes brancas no topo do monte que protege espécies da Mata Atlântica sobressai aos olhos e a imagem fica marcada na lembrança de capixabas e turistas. Para registrar a visita ao Santuário de Nossa Senhora da Penha ou mesmo a visão dele, a fotografia se tornou indispensável, principalmente nessa era da máquina digital.

O fotógrafo Jorge Luíz Sagrilo, durante os trabalhos para o livro "O Convento da Penha - Fé e Religiosidade do Povo Capixaba", passou seis meses visitando o santuário para fotografar os diversos ângulos da construção e das pessoas que procuram o local para realizar orações.

"O trabalho foi encomendado em fevereiro. Baseado no rascunho do texto e nos tópicos do livro eu comecei a fotografar na semana da Festa da Penha de 2006. Mas não só fotos da festa eram para o livro e continuei a fotografar e continuei até agosto. Fui escolhendo a melhor hora, a melhor lua e fui captando as imagens".

Com uma visão única e linhas que não são encontradas em nenhuma outra construção no Brasil, o Convento da Penha foi o primeiro templo mariano erguido no país, ainda na época das capitânias hereditárias.

Por isso, o local se tornou referência para a religiosidade e resgate da fé. No caso de Sagrilo, o trabalho revelou ao fotógrafo uma nova visão do Convento.

"Eu visitei muito pouco o Convento durante a minha vida, fui poucas vezes levado para os meus pais. O Convento nunca tinha sido uma atração nem como fotógrafo e nem como religiosidade. Fazer essas fotos foi muito interessante para mim pois passei a ver o Convento com mais admiração e devoção. Por exemplo, você fica o mês inteiro indo à missa das 5h para poder pegar aqueles fiéis que vão à primeira missa há 14 anos. Essa convivência acaba criando um certa intimidade, o que é bom para o fotógrafo, pois não vão achar que você é uma pessoa muito estranha. Ouvindo histórias dessas pessoas naquele ambiente, os relatos, foi muito bom para mim como experiência pessoal e religiosa", frisou.

Mais que um ponto turístico

Como diversos capixabas e outras pessoas que sobem as ladeiras do Santuário, localizado na Prainha, em Vila Velha, o Convento deixou de ser apenas um ponto turístico ou um fundo bonito para as fotos de álbum de família.

"Agora eu vejo o Convento não apenas como um marco geográfico, artístico, cultural e arquitetônico do Espírito Santo, mas também como um local que você faz uma viagem íntima, para meditar e estar sozinho naquela paisagem tão bonita", disse o fotógrafo.

Saber escolher

Ao realizar o trabalho para o livro, o difícil para Sagrilo foi se locomover até o alto do morro da Penha, mas escolher as fotos para a publicação.

"Como o livro não tinha nenhum roteiro específico, a minha insegurança fez eu clicar muito. Isso de eu fotografar e repetir as fotos, numa situação que eu considerava melhor que a primeira, me fez fotografar muito. Não que sejam 2.300 ângulos diferentes, na verdade, um mesmo ângulo eu fotografava insistentemente", disse o fotógrafo capixaba Sagrilo.

Com a beleza das imagens, o processo de edição pode ser comparado à dor.

"Escolher as 100 que foram para o livro foi muito trabalhoso e muito doloroso em função da adequação ao texto. Eu brinco dizendo que daria para eu editar um outro livro de fotografia com essas imagens de 'sobra", lembrou.

Uma surpresa

Quem pensou que fotografar o monumento durante seis meses seria um trabalho massante até mesmo para um fotógrafo, Sagrilo conta que também foi surpreendido com os freqüentadores do Convento e não imaginava que o Campinho poderia ser palco para manifestações folclóricas capixabas.

"A grande surpresa para mim foi a banda de congo. Inclusive estava fotografando aquela subida antiga, com detalhes para as pedras, e estava bastante silêncio. Derrepente, comecei a ouvir aquela congada e me pegou de surpresa, pois não estava na programação. Isso foi uma surpresa muito bacana e foi algo que nunca pude imaginar, ver congo com a imagem do Convento atrás. Inclusive, considero essa sessão do congo o melhor resultado do conjunto de fotos do Convento. Mostram muito bem a integração das pessoas com o Convento", disse Sagrilo.

Entre ladeiras com pedras originais, capela de São Francisco de Assis, vista da Terceira Ponte e do Morro do Moreno, panorâmica da baía de Vitória e de toda a ilha da capital, além do altar-mor e a imagem da Santa, cada um de nós que sobe ao Santuário de Nossa Senhora da Penha poderá ter uma opinião única sobre qual o local mais bonito ou que se tornou mais especial. Sangrilo também escolheu o dele.

"Foi o corredor que dá acesso à igreja pelo lado direito, onde há vários quadros, onde a maioria das pessoas se admiram e vão também olhar a paisagem. É o lugar que as pessoas ficam antes ou depois da missa e onde tínhamos as feições humanas mais interessantes, como sofrimento e alegrias", afirmou o capixaba

"O Convento está ali desde que nascemos"

Independente da denominação religiosa, Jorge Sagrilo ainda deixa um recado para os capixabas que não conhecem o Santuário da Virgem da Penha, em Vila Velha.

O local recebe romeiros de toda as regiões e completa 450 anos de fundação em 2008. A construção foi iniciada pelo religioso espanhol Frei Pedro Palácios.

"'O Convento da Penha para nós capixabas é uma visão muito comum, como um morro, como uma pedra. A gente olha para o Convento como uma coisa que está ali desde que nós nascemos. Quando você começa a visitar o Santuário e entender a história dele, além da maneira como foi construído, você passa a ter uma admiração muito grande por todo o esforço humano que foi empregado lá. A determinação dos primeiros religiosos, o quanto que os escravos ajudaram e o quanto que os índios também ajudaram. O Convento tem muita humanidade, tem muito do homem naquela construção."

Os portões do Convento da Penha ficam abertos de segunda a sábado, das 5h30 às 16h45 e aos domingos, das 4h30 às 16h45. Missas são realizadas todos os dias em cinco horários diferentes. O Santuário ainda abriga um museu e a Sala dos Milagres, local mais visitado, com exposição de objetos que lembram as graças alcançadas pelos fiéis. Já o livro “"O Convento da Penha - Fé e Religiosidade do Povo Capixaba" pode ser encontrado por R$ 95,00 na lojinha que fica no Campinho.

Texto de FÁBIO BOTACIN em "A Gazeta"


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